Crônicas

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Drenando culpas



A linguagem universal possui méritos incontestáveis e sua força – quando exercida – transpõe os mais sólidos obstáculos.


Conseguimos enxergar o amor até mesmo nas dicotomias das almas evolutivas da história; Einstein criou a teoria da relatividade baseada no amor, embora tenha brilhado como aluno, teve uma vida solitária e de contingência amorosa...

Thomas Edison se justificou ao desvendar o filamento que faltava para a descoberta da lâmpada: “A melhor forma para criar algo é tentar e errar quantas vezes for necessário”

Podemos resumir que tentativas geram erros que criam intersecções de perseverança e persistência. Quando untamos na mesma frase as palavras “tentativa”, “erro”, “perseverança” e “persistência” não estamos falando dos subprodutos de uma relação? E relação não é a simbologia física e espiritual do amor?

Mas a força onipresente do amor também possui seu ponto fraco (o único talvez) capaz de bagunçar e chacoalhar toda sua linha ilógica e irracional:

A culpa.

A culpa exerce o dom exclusivo de criar um elo entre a racionalidade e a passionalidade, coisa que o amor está longe de aprender.

A culpa é um sentimento racional. Quanto mais nos vinculamos a sociedade e aos seus protocolos, mais perturbações desenvolvemos dentro de nós, somando nossas falhas a nossa personalidade, nutrindo dúvidas, angústias, confusões, cobranças e noites de insônia.

A punição é o produto da culpa, mas será que o amor se sente culpado em não estabelecer este elo entre a paixão e a razão? Ele não, mas o seu “prestador” sim.

O amor é uma matéria prima e nós somos os prestadores de serviço dele. Passamos a vida em busca de um amor em todas as esferas. Como somos meros prestadores desse serviço, alguns fazem de tudo para vender a ideia, e outros tantos se esbarram nos acúmulos impertinentes da culpa.

Quem vende a ideia já está se auto obsidiando porque o amor, embora seja uma matéria prima, não se permite às comercializações.

Já os que se interpelam pela culpa, precisam de sensibilidade para identificar estas punições.

Você já refletiu por alguns dias sobre “aonde, como, porque” você se sente culpado?

Desistiu nas primeiras horas? Claro! Ninguém identifica as próprias culpas porque são tantos subprodutos que ela gera que fica impossível clarear essa camada espessa de insatisfações.

O padrão de funcionamento possui um comportamento linear, muitas vezes visível somente para quem está do lado de fora, convivendo com você.

Culpas de outras vidas que nós não lembramos, mas que se alojam em nosso inconsciente. Culpas causadas por obsessores que se aproveitam da nossa fragilidade, enfim... Nos punimos de diversas formas porque ainda somos infantis em nossa jornada.

Ao mesmo tempo que queremos, nos impedimos, ao mesmo tempo que precisamos, nos opomos, ao mesmo tempo em que queremos afeto, recusamos, e nesse “concurso íntimo” nos tornamos obsessores de nós mesmos.

Vencer o orgulho e entrar em contato com o seu sofrimento é a forma mais eficaz de tangenciar seus medos e identificar reações ou ações que não faziam parte do seu repertório comportamental.

Quando permitimos este enfrentamento, nosso nível de consciência se eleva, nossa relação com a culpa se torna indiferente, pois perdemos o medo de suas imposições e com isso nos propomos a restaurar essa desarmonia interior.

A tarefa é árdua, processual, gradual, mas não estamos sós nessa batalha, basta acreditar em nossa imortalidade e em nossos propósitos que o sofrimento se atenua e a frustração deixa de protagonizar a sua vida.

3 comentários:

  1. A gente é o que escreve, ne?

    Que bacana ver um André com novas propostas e mais assertivo.

    Parabéns amigo, orgulho de ver estas transformações acontecendo.

    bjs poeta!

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  2. felipe auricchio5 de julho de 2013 11:20

    quanto mais reflexivo...introspecto e racional...mais facil conseguimos identificar nossas culpas...sentimentos e os motivos para nossas acoes...eu ainda penso que agimos sim da forma que queremos...e nao recusamos o que desejamos...mas nem sempre o que desejamos e o que precisamos...e nem sempre estamos dispostos a pagar o preco da renuncia em nossas vidas...

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  3. Querido amigo, sempre pontual tudo que você escreve. Adorei e senti culpa e punição neste momento .Me privei de você por algum tempo, mas agora venci meu orgulho e estou novamente feliz.
    Você sabe bem o que eu digo. Bjs.

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