Crônicas

domingo, 30 de dezembro de 2012

Eu me viro bem



Eu me viro bem nos dias em que o isolamento social não me oferece nada que enalteça a minha intelectualidade... Ou que me faça vibrar por algo inédito.


E olha que me contento com a simplicidade das coisas, indenizando o meu bom gosto, óbvio.

O que duplica a minha sensibilidade é a lassidão:

- O tédio que te impede de sair porque a água que cai lá fora restringe tuas opções e castra a tua criatividade.

- Você nota que o marasmo é um isolamento não térmico porque tudo que poderia ter uma ênfase calorosa sucumbe ao pragmatismo gélido da falta do que fazer.

- O Facebook vira Orkut.

- O celular brinca de vaca amarela.

- Os lugares sintetizam apenas a formulação de uma construção civil (cal, areia, cimento, tinta) se você não está bem acompanhado, ou pelo menos com quem você desejaria estar.

Mas aí você lembra que pra consertar a vida é preciso se apossar daquele faniquito que não te deixa descansar (vulgo desespero). Você levanta de sobressalto, liga o som no talo e começa a farejar algo pra fazer...

Vale arrumar o mau contato da TV a cabo. Vale organizar a prateleira de DVDs. Vale arrumar o armário da escada que não vê tua cara há anos. Vale montar um setlist maneiro no Itunes. Vale sair de moto curtindo o vento na cara se aquecendo da memória decorrente dos últimos dias em que você passou com a tua pessoa especial antes dela viajar...

Enfim, vale absolutamente tudo. Até se recuperar mentalmente de um resfriado e decidir correr a prova da São Silvestre mesmo sem treinar.

O importante é inovar!

São poucas horas até chegar a tão cobiçada virada do nosso calendário. Em breve tudo retoma o seu ciclo: A chuva pára, o sol volta, o Facebook volta a ser nosso divã, a amada retorna ofertando sorrisos de saudades e você se introspecta durante alguns minutos dialogando com a sua voz interna e pensa consigo mesmo:

Valeu a pena se decompor na solidão e se banhar em seu autoconhecimento para recompor a distância de tudo e de todos de forma mais revigorada e mais planejada.

A solidão é uma fiel e prazerosa confidente, desde que você ensine à ela o momento certo de levantar da mesa, botar a xícara de chá dentro da pia, pegar o guarda chuva e se despedir.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A espreita desse trem



Nada - absolutamente nada - permanece intacto diante da correria do tempo. Por isso é fundamental ter braços fortes e mãos sedentas de vontade para agarrar todas as oportunidades enriquecedoras da vida...

A vida (assim como o amor) é um trem descarrilhado; Basta agachar pra amarrar o cadarço e já era.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Tuas palavras facilitam-me o andar


Tuas palavras calçam minha segurança e sustentam a sola dos meus pés nos tempos mais áridos. Sinto um “poder levitacional” mesmo quando avisto um terreno movediço...


Elas remontam os tempos da pedra e, assim como os paralelepípedos, formulam tortuosamente o meu caminho...

Tortuosamente? Sim, a perfeição cansa. Ela é uma contradição em salto alto!

Em tuas palavras não sofro por teorias ou achismos – sofro - ás vezes, na tentativa de emancipar um elogio por algo óbvio, mas, assim como as ruas que tuas palavras pavimentam, não posso prever a sua topografia; sigo em frente.

Dentro da minha escala de valores, penso que:

Na geografia funcional: uma distância de 10km. Na Astrologia: Distância que mede um astro (ela, obviamente) à eclíptica (ás vezes sofro alguns apagões) e na confabulação dos sentimentos; distância entre ser exagerado e ponderado.

Latitude, amplitude, atitude. Simples, não?

Em tuas expressões faciais eu me apanho em constante estudo, mas jamais deixo essa ciência de lado em prol de um sistema adivinhatório, porque aprendi que hipotetizar os aborrecimentos traz mais constrangimentos ainda. Pura verbete gramatical.

Tuas palavras cumprimentam sentimentos que antes nem se falavam, hoje, participam até de happy hour.

Tuas palavras saem dos meus ouvidos e se transformam em uma força motriz. Impressionante o quão se torna mágico um dia com tuas palavras: O trânsito flui, o calor não me irrita, a chuva não me descontrola, os aborrecimentos não drenam minha energia, enfim, minha espiritualidade agradece!

Tuas palavras, em qualquer tonalidade ou desinência me dão o aporte necessário para manter a sua presença, mesmo estando ausente.

Isso é mágica?

Não.

É a volta constante do arrebate do primeiro encontro. Este é o segredo para a minha rotina: Ela é uma novidade a cada dia!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Status Quo



Um dos mais novos aprendizados na minha vida: Aprender com a “inquietude da minha inquietação”, o que, diante dessa redundância gramatical se resume em: Ansiedade, angústia, aflição e pressa.


Este último talvez seja a base que sustenta toda esta engrenagem meticulosa e verossímil que me faz transmutar de menino para homem. Me deram espaço para fantasiar, agora agüenta!

Depois que você emerge, descobre o potencial que tinha para muitas atividades e desvenda também que outros tantos hábitos devem ser afundados com âncora de transatlântico... Não sou arqueólogo, não sou físico, mas ainda assim gostaria de ser um cientista e transformar as partículas intangíveis da minha carência em átomos visíveis para armazená-los em um recipiente.

A carência só tem sentido quando alguém dá um sentido a ela e nos tempos tecnológicos de hoje, romantismo é utopia!

O contingente de combatentes feridos em guerra é maior (bem maior) que os paramédicos que ainda acreditam na cura... Uma triste realidade. Mesmo assim, me considero um combatente revigorado, recuperado e que ainda acredita que fazer feliz é uma realidade e não uma raridade.

O único receio é mapear minuciosamente o próximo terreno para não entrar em combate novamente... To procurando a compreensão em faixas tracejadas e seccionadas e não em mão dupla ou em linhas contínuas.

Nessa revelação por vezes inexata dos meus aprendizados, tento transformar a carência em uma simples conta de celular, me preocupando apenas uma semana por mês...

Impossível me desfazer dessa bendita, ela faz parte da minha essência; É tipo um leasing, com a diferença de que ela não é um “bem” obtido por escolha e sim um mal adquirido por encarnações passadas.

E como toda verdade precisa ser evidenciada, assim como as falhas e virtudes, nessa nova catequese analiso meu “status quo” e consigo sorrir com alguns resultados; tenho dentro de mim uma esperança imortal de acreditar no amor e de que é possível acreditar que as pessoas ainda são possíveis de acreditar.

Sei que ás vezes deveria demonstrar desinteresse pelos meus interesses como forma de desapego, mas o meu coração insistentemente pega o elevador até meus tímpanos e aí tudo se complica de vez, ou se aplica em uma filosofia que precisa simplesmente de uma chance.

Me faria bem se eu travasse a porta desse elevador no térreo?

Diante desses aprendizados dá vontade de virar do avesso, dá vontade de sair correndo, dá vontade de desistir, dá vontade de persistir, dá vontade de por vírgula... É igual coletânea musical, você compra um CD com 18 faixas só por causa de uma, mas esta uma faz toda uma diferença...

Difícil mesmo é encontrar o pêndulo exato entre ser afável, compassivo e indulgente sem inclinar o queixo pra baixo para tudo que me falam...

Expansivo ou não, isto é o que trago de mais concreto, por mais abstrato que pareça.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A teimosia dos ponteiros



A teimosia só deixa de existir aos olhos de quem estabelece uma cumplicidade com ela, caso contrário, ela sempre será uma contravenção...


Ela é tão ardilosa que invariavelmente a confundimos com perseverança (de certo que você refletiu alguns segundos na diferença entre ambos).

Quando surge algum imprevisto ou algo que nos tira da nossa zona de acomodação nós – no desespero para reverter à situação – equalizamos o saldo final a fim de abalizar as perdas e danos. Defendemos inconscientemente a nossa insistência – até mesmo quando ela não vale à pena.

Apressados, nos apegamos ao resultado final, e só!

Após as intempéries e o julgamento acerca de tudo que ocorreu, culpamos os ponteiros do tempo e esquecemos que tudo se baseia em uma realidade cósmica, acima de qualquer ordem ou lei universal.

O regente do nosso apocalipse ou o salvador do nosso caos se chama “pensamento” e vem de dentro, nunca de fora!

O reagente? Bom, o reagente possui uma explicação ímpar ofertada por um certo livro lexical e cheio de “saber humano”:

Reagente
adj. 2 g.
1. Que reage.
s. m.
2. Substância que se emprega em química, para reconhecer a natureza dos corpos, operando neles composições e decomposições.
Sinônimo Geral: REATIVO.

Deixando as decomposições de lado, a nossa vida é uma geografia em composição permanente, com suas altimetrias, declives, aclives, topografias e muitos trechos em erosão. Oras, mas se até a geologia cansou de vencer o tempo, o que diria as nossas ações, infrações e intenções?

Vidas que viram histórias. Histórias que viram contos. Contos que viram livros...

Os livros credenciados a Best Sellers possuem os seguintes estágios separatistas: Começo/meio/recomeço.

Viu só?

Os ponteiros não são teimosos, eles são apenas implacáveis trabalhadores sem descanso.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Leitor de catálogos


Por trás das camadas que emergem de insegurança diante de uma situação exposta, sempre há alguém que outrora se importou demais...

As chagas deixam vestígios e se fixa nas entrelinhas de todo um roteiro. Por isso é preciso ler, se empenhar em cada sinônimo, antônimo, adjetivo, vogal, consoante...

... Aliás, ler não basta. É preciso, analisar, compreender, examinar e estudar!

Até aonde eu pude aprender sobre esta “matéria”, não existe nenhum sistema probatório ou seminarista; você não estuda para se submeter a uma prova e se credenciar para alguma coisa, por outro lado, o não comparecimento das aulas implica em severos danos à sua sensibilidade e, por conseguinte, às escolhas que você fará ao longo da sua vida amorosa...

Não escolhemos ser amados justamente para evitar os danos de uma possível reprovação, mas o amor sempre nos encontra.

Nos encontra quando o paladar já enjoa com rapidez.

Nos encontra quando somos falsos diante de uma verdade.

Nos encontra quando estamos com as portas fechadas, sem placas de aluga-se ou de vende-se.

E talvez o encontro mais ilógico desse “pega pega”: Nos encontra justamente quando não queremos ser achados.

E, de quebra, ainda rescinde aquele contratinho banal e sem assinatura que você traçou entre o teu cérebro e o teu coração. Sabe? Aquele do tipo: “Quero ficar um bom tempo só e sem envolvimentos mais sérios”. Sabe?

E a gente luta com o que tem pra hoje, mas não dá, ele insiste, perdura e se faz de surdo perante seu discurso infame e por vezes irreverente sobre você mesma.

(Ele sabe que você está tentando ludibriá-lo)

A gente se deprecia; diz que no momento nem vale à pena, conta alguma inverdade, exalta um defeito, chuta o pau logo no primeiro encontro...

... Diz que sofre de apnéia, que ronca, que ocupa a cama inteira enquanto dorme, e nada adianta: Ele continua lá, inaudível às suas lamentações. Atento apenas à sua graciosidade enquanto você se expressa e se gesticula toda...

Ele pode ser a esperança para pessoas que já não esperavam mais nada de outras pessoas, a não ser por um motivo, por um simples e imperceptível motivo:

Se você for daqueles tipos padronizados que seguem uma relação ordenada de coisas ou pessoas com descrições curtas a respeito de cada uma... Aí sim, as ordens de procura se invertem e você passará uma vida toda sem entender ao certo porque as oportunidades sempre fogem de você.

Ainda não captou a mensagem?

Moral da história: Se você não é o agente passivo do seu autoconhecimento e tampouco tem habilidade para fazer leituras do suposto pretendente, você é apenas um leitor de catálogos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Suspiros singulares



Os homens deveriam se atentar quando recebem flores de uma mulher. Quem as recebe sente uma reconciliação entre o desengano e a esperança causada pelos tropeços passados. Homens também têm dificuldades em se renovar de tombos...


Não existe apreciação mais saborosa que evidenciar o que foge do óbvio e que escapa dos protocolos adjacentes à nossa existência masculina. Receber flores de uma mulher intensifica a nossa vontade em fazer feliz, dá suor na mão e aceleração no coração.

Receber flores de uma mulher nos faz entender sobre a construção do nosso próprio entendimento sobre nossos costumes, hábitos e rotina... Passa um filme em nossa mente: O primeiro passeio juntos, a primeira confissão (elaborada inusitadamente em um guardanapo), a primeira sala de cinema, enfim... Muita coisa passa diante da mente de um agraciado por um ato desses.

Mulheres que dão flores são singulares, simples assim!

Eu nunca havia ganhado flores de uma mulher. É um gesto que se enraizou no campo amargo do machismo... Ou seria eufemismo? Somente um reacionário em sensibilidade poderia achar estranha esta atitude tão vertiginosa.

Flores é a personificação da carência:

- Sem afeto ela murcha.

- Sem água ela não desabrocha.

- Sem cuidado ela não se tonifica.

- Sem elogios ela perde o brilho e a sua existência peculiar no ambiente.

Muito parecido com o amor e com a admiração que se tem de uma pessoa, não acham? Afinal de contas, somos eternos e escamoteados seres carentes em busca dessa aceitação...

Enfim...

Receber um mimo dessa estirpe nos faz entender que as coisas estão bem transparentes dentro de nós e que não precisamos procurar a nossa nitidez dentro do outro.

sábado, 3 de novembro de 2012

Antítese paradoxal em moldura



Mesmo se isso fosse possível, não precisaríamos de som para ouvir as fotografias, basta olhar as expressões para sorrir simultaneamente com as imagens...


No entanto, a melancolia nos arrebata inexoravelmente e - velozmente - voltamos ao estado amórfico do exercício literalmente palpável de estar ali, de pé, congelado por aquele breve momento.

Eis a diferença crucial entre um sorriso atual e uma fotografia; sempre haverá um esforço contínuo e árduo para preservar o sorriso de hoje e transformá-lo - quem sabe - na perpetuação de uma fotografia.

Fotografias; Deuses onipotentes com sua superação incontestável diante da nossa fragilidade e da nossa busca tola em confrontar uma imagem com uma realidade. Não existe este tipo de duelo! A vitória é eminente e por vezes indolente.

Somos o que somos de acordo com as recordações que colecionamos. Nossa vida é uma expansiva coleção de figurinhas cuja infelicidade – para muitos - é simplesmente completar o álbum.

Será que é assim mesmo? Vivemos a crescer e só? Mais nada?

Algumas perguntas se silenciam com outras perguntas, só para o tempo passar e outra indagação surgir.

Vida sem foto não é vida. É preciso registrar para depois recordar, é bem mais prático ver do que buscar a memória pela imaginação.

Vivemos de momentos e os momentos sobrevivem pelas imagens. Já tentou contabilizar quantos flashes ofuscaram sua retina ao longo da sua vida? Quantas poses você fez? Quantas vezes você pediu pra repetir a mesma foto porque saiu gorda ou com os olhos fechados?

E as fotos que você rasgou depois do ser supremo (vulgo tempo) reafirmar a sua verdade?

Fotos rasgadas. Fotos arrependidas. Fotos guardadas por vergonha. Fotos exibidas por orgulho. Fotos expostas por neutralidade ou por falta do próprio esquecimento delas. Fotos imunes a inveja e muito bem guardadas dentro do armário... Fotos com segundas intenções.

Fotos que hoje são sentidas sem sentimento algum. Fotos de um passado que nos dá vontade de voltar e de um passado que nos dá conteúdo para aprender e para ensinar...

Fotos, fotos e fotos...

Antítese paradoxal de uma infindável galeria.... Galeria de fotos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Baseado em fatos irreais



Com suas ficções nada científicas, a normalidade não exala cheiro nem sabor; monta uma lista de afazeres e no dia seguinte ignora a agenda. Brinca de gangorra de dia e a noite sai de scarpin ou de camisa xadrez... É uma displicência natural.


Baseada em fatos irreais, a normalidade é toda trabalhada no alto astral e se posiciona a favor das intenções. Quem disse que ela veio para se explicar? Ela veio pra te confundir!

Partindo da premissa ideológica de que todos procuram e querem ser encontrados, a normalidade é relativamente cognitiva diante dessa brincadeira oitentista chamada de “pega pega”... Anormal seria brincar de “esconde esconde” quando estamos com a intenção de reparticionar a nossa solidão.

Recreações à parte, nenhuma normalidade é unânime, mas toda frivolidade é desuniforme.

Discutir por banalidades é uma frivolidade. O desentendimento deve vir por conseqüência de algo grandioso, ou seja, por uma normalidade. Comprar brigas sem parcelamento é tão prejudicial quanto competir em um desentendimento. Não existe fair play quando existe concorrência.

A eloqüência afugenta as palavras ríspidas e coloca o desentendimento em plena normalidade. Anormal é ignorar a força motriz que um adjetivo ou um sinônimo representa em uma relação, por isso a arte de ouvir é algo tão venerado e tão invejado pelos seres imperfeitos.

A anormalidade é evocativa. Reprodutora da imaginação fértil e de pensamentos escusos que te pesam em pesadelos representativos.

Normalidade é entender que todos nós temos a nossa exuberância interna em revezo com as nossas deficiências, estruturadas em dados de realidade: sem julgamentos e sem suposições.

Normalidade é abrir mão do convencimento e – em troca – identificar os desconfortos através do esclarecimento.

Normalidade é terapêutica: É ouvir com atenção; assimilar com introspecção e debater sem competição em busca de uma denominação compatível com o rumo que se quer tomar.

Só não existe normalidade para aqueles que acham que a sua normalidade deve ser igual a normalidade do outro.

Um brinde as nossas deficiências incorrigíveis, sem elas não haveria saudade, intimidade, autocrítica, nem mesmo a lascívia presente entre quatros paredes.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reconhecendo sombras



Passamos uma significativa parte da nossa vida conhecendo e tentando entender as pessoas e sabotamos inconscientemente o nosso direito de nos conhecer melhor...



Passamos outra parte buscando soluções pelo mundo para nossos conflitos quando na verdade existe dentro de nós um mundo de soluções...


Ser dono de si é fácil, complicado é ser o inquilino e conhecer em harmonia este grandioso “território”...


Entre minhas confissões hipotéticas e minhas indagações estancadas, eu fico com a sabedoria abaixo:


"Sou a única pessoa no mundo que eu realmente queria conhecer bem" - O. Wilde

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Relativa intersecção



Segure uma panela fervendo por 20 segundos e veja a eternidade que este tempo dura... Agora passe 4 horas com a pessoa que você gosta e veja o quão rápido voa este período...




Moral da história: As nossas ciências particulares estão para a química assim como a física está para os nossos anseios e desejos.



A teoria da relatividade é sensacional!

domingo, 7 de outubro de 2012

Te interessa? A mim não, obrigado!



O que interessa para a mente humana saber que horas a Ivete Sangalo acordou para votar? Ou mais: Aonde a Angélica votou e se ela estava de havaianas ou bata?

Por que interessa tanto para o senso comum saber em quem a Dilma votou? Me diga: Isso mudará o seu micro universo? Porque o macro universo já apodreceu faz tempo.

Por que interessa saber o que a Soninha comeu de café da manhã? Ou onde os “propensos famosos” estão votando? Para mim nada, já para os portais da internet...

O que interessa – para você – se ainda preserva um propósito para a sua vida – se haverá segundo turno ou não? Seus hábitos serão os mesmos – inclusive – o de postar nas redes sociais frases fabricadas sobre políticos, eleição e Brasil. Oras, por que ainda vota neles?

Na boa? Não me importo com o que sobra da vida das outras pessoas, mas enquanto nos preocuparmos com Soninhas, Carminhas, Big Brothers e Fazendas, os Lewandowskis estão aí, absolvendo e tocando a baderna.

Lembre-se que eles existem graças a sua curiosidade em se importar mais com o time que vai cair no Brasileirão ou as cenas da novela da globo do que no rumo que o seu país anda tomando.

Eis um dogma que não deveria sair de moda nunca: Somos herdeiros de nós mesmos!

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Felicidades ao mestre



"Vivemos pelo que acreditamos. Nosso limite está nisso. Portanto, se cremos no que é ilimitado, sem limites viveremos."




"Quando existe o sentimento de fraternidade, de solidariedade, de altruísmo nos corações dos homens, estes abrem mão dos interesses pessoais a favor da justiça e do bem-estar comum."



"A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros."



"Todo efeito tem uma causa. Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. O poder da causa inteligente está na razão da grandeza do efeito."




Felicidades ao mestre!

Allan Kardec (Lyon, 03 de outubro de 1804 - Paris, 31 de março de 1869)

O simples é incrível!



"As pessoas que são incríveis em nossas vidas, são incríveis porque nos ofertam valores incríveis, nas horas e nos momentos em que mais necessitamos... Elas se tornam simplesmente incríveis ofertando atitudes incrivelmente simples; isso faz toda uma diferença."


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Poetizando cafés


No Facebook dou meu check in:

“Sentado no lounge macio e convidativo de uma cafeteria.”

Existe personificação mais clarividente de um escritor? Fixo. Concentrado. Pensativo... E solitário.

Me vejo só em minha própria companhia, mas em um ambiente lotado de perguntas. Me vejo pleno em minhas apreensões, mas endorfinado em minhas epifanias... Nos termos usuais, seria um bipolar, mas me acho ousado para descrever minhas narrações alegóricas.

Em tempo: Bipolar é um termo afanado da psicologia e banalizado pela sociedade para amenizar a falta de caráter de uma pessoa.

Sim, eu sou uma parábola no sentido geométrico: Uma curva plana cujos pontos distam igualmente de um ponto fixo (vulgo foco) e de uma reta fixa (vulgo diretriz).

Nessa ilustração eu colocaria um acostamento, uma barraca de água de côco, algumas bifurcações e claro, o lounge confortável que me encontro.

Escrevo porque ainda acredito em algo revolucionário. Escrevo porque ainda acredito que as palavras mudarão o mundo - ideologia? Não, insistência. Parafraseando Jabor: Escrever é não esconder a nossa loucura.

Em um mundo que não vale o mundo que tem e em uma sociedade onde pessoas não merecem pessoas benfeitoras (raras exceções), a gente ludibria as horas, confabula momentos, memoriza saudades atuais e joga tudo num tablet.

O coração de um escritor possui o mesmo domicílio que o de um analista de sistemas, de um açougueiro ou de uma paisagista, mas o inquilino não pode mudar nunca. Precisamos de uma paixão, sempre!

Ah, uma paixão.

Uma teologia que se faz mitologia. Um anjo escamoteado de mulher. Uma correlação entre os sentidos e os neurônios.

Pura infusão literária entre as palavras que dou vida e as emoções que brotam de mim, graças a ela, a minha inspiração.

E o que eu irei escrever agora?

Vou pedir outro café com leite e convidar a emoção para participar do clima... Ela é a minha tutora em tudo o que faço.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Os anjos renegados inventaram as baratas



Vida de incorpóreo não é fácil. Já imaginaram o caminho penoso que um ser desencarnado passa até chegar à condição homérica de “anjo”?


Os anjos são seres ativos na edificação do reino dos céus, entretanto (e sempre existe um tanto) sempre tem um indivíduo com a mente desenganada, um desvirtuado que cansou do ministério branco e preferiu as baladas da superfície mundana.

A história é longa e inadequada para uma página de Word, mas a história que se segue abaixo vai mexer com os seus principais temores... ... ...

Ser um anjo não é fácil. Supervisionar a adoração celestial não é fácil. Morar em casa também não é!

Convivemos com um emaranhado - a contragosto - de situações e condições inconvenientes:

O vizinho nunca tem o gosto musical alinhado ao seu. A poluição sonora da cidade é bem mais sonora vista daqui debaixo (comparada ao 15° andar de um edifício). Falta liberdade de expressão, falta liberdade para reclamar, e até para amar...

Toda semana enfrentamos uma infindável gama de religiões a nossa porta, se dependesse do desejo de todos, eu já teria me tornado um politeísta nato! Isso sem contar nos pedintes; se você ajuda uma vez, terá um casamento eterno com ele.

Falta atmosfera para expor o que se pensa porque somos monitorados full time pela intersecção arquitetônica de uma casa (as paredes são finas e o ouvinte dispensa o uso do copo grudado na parede). Morar em casa é viver dentro de um Reality Show sem o tão almejado paredão.

Não que eu queira morar em um Mosteiro (o celibato me cansaria), mas também não quero morar no centro de Kabul...

Indiferenças a parte, o pior sempre fica para o final de qualquer linha de defesa: Sobram baratas!

Baratas!

Meu Deus, baratas!

Os anjos renegados inventaram as baratas e nós – novatos aprendizes no campo espiritual – inventamos o inábil repelente (eu pelo menos desconheço um repelente que chegue próximo a uma barata sem ela correr 20 mts antes mesmo dele atingir a atmosfera).

As baratas (Usain Bolts da vida) – assim como os anjos renegados – satirizam nosso despreparo e a nossa inabilidade para afugentar sua própria criação... Nosso repelente é mais lento que uma tartaruga com overdose de Rivotril...

Mas, além deste grupo de insetos cosmopolita, existe a família e os parentes: intrépidos e incansáveis seres na arte de aporrinhar...

Parente não é serpente, porque serpente não dá em cidade grande. Parente é barata, isso sim, e super desenvolvida, com poderes que vão além das forças da natureza:

A família (ao contrário da barata) não escolhe horário, temperatura, nem clima. Invade sua vida, se intromete em sua agenda, questiona seus compromissos, profetiza o seu futuro, palpíta em suas decisões e o que é pior:

Não temos a ação bactericida de um inseticida.

Deus abençoe o fone de ouvido!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Somos covardes na arte de amar



Buscamos avidamente o amor em todas as nossas suposições mundanas, mas não queremos o seu ônus.


Ônus = Sofrimento.

Se o sofrimento de quem gosta é doloroso feito uma punção, imaginem a reclusão de quem foge do amor? Nenhum sofrimento é lacônico porque o que é ruim nunca possui a brevidade de um suspiro e sim a longevidade de um arrependimento.

Voltemos ao que queremos:

Queremos passear de mãos dadas confabulando um ensolarado caminho repleto de girassóis em coreografia com o vento, mas não, não queremos mudanças drásticas de temperatura.

Pensamos e desejamos que o outro possa ser o paraíso, mas não encaramos a relatividade instável da vida. Cabulamos as aulas de física e ignoramos a influência dos gênios da história (Issac Newton e Albert Einstein).

Queremos demonstrar afeto, gratidão, heroísmo, companheirismo, preocupação, suavidade, mimos, mas não queremos o julgamento dessas ações.

Queremos surpreender sempre. Agradar sempre. Impressionar sempre, mas esquecemos que é necessário manter uma média na dosagem, porque tudo que é exagerado se torna exaustivo e previsível.

Somos ilusionistas, mas não queremos nos surpreender com algo que não gostamos – daí - interpretamos...

E com isso desenvolvemos o pecado mais letal do amor: a projeção. Quem projeta tem o seu futuro endividado de juros... Os juros das injúrias.

A gente acha que amar é se explicar quando na verdade é se confundir, ter dúvidas, incertezas, frio na espinha e suor gelado na palma da mão.

E na contramão disso:

Entendemos que para o essencial não existe certo ou errado, existe amor. Mas temos receio de se permitir, de se entregar e de se expor, principalmente se já passamos por algo amorosamente indigesto.

E quem nunca passou?

Nos bastidores da vida, somos todos carentes, mas protegemos a todo custo a popularidade desse sentimento porque confundimos carência com fragilidade e acreditamos na modelagem de algum idiota que se deu bem sem demonstrar carência. Pura PNL!

Quem ama não muda de vida justamente para não ensaiar os erros com outros coadjuvantes. Quem ama se veste de coragem e enfrenta a própria vida.

O sofrimento é cego sem o amor e o amor é manco sem o sofrimento. Escolhas e renúncias vitais angustiando nosso cotidiano, simples assim.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A liberdade de sentir saudade


A liberdade de sentir saudade, ou seria a liberdade de sentir vontade?


Saudade e vontade se complementam, mas não se protocolam; não se rotulam porque não podem viver em um círculo vicioso. Aqui o relacionamento possui uma única regra, e não pode ser violada: Saudade e vontade são cíclicas!

Saudade e vontade – assim – untadas na mesma panela podem ofertar um êxtase e uma indigestão ao mesmo tempo. Isso porque cada indivíduo possui um cérebro, um DNA e claro, um paladar diferente...

Saudade e vontade é aquela coisa que faz com que sintamos o que o outro sente naquele momento? Não, isso é empatia.

Somos meros aprendizes diante dela, imaculados novatos aprendendo a voar, entretanto, se amputamos a nossa vontade em sentir a própria vontade de sentir saudade, sucumbimos diante da solidão.

Note:

Solidão, saudade e vontade complementam um quarto de dormir. A solidão é o nosso espelho, a saudade é a nossa penteadeira repleta de cosméticos mirabolantes remoendo nossas memórias de quando desfrutávamos desses acessórios no passado e agora, ofertando uma nova oportunidade a si mesmo.

E a vontade?

Bem, a vontade reflete a arrumação da cama. Enamorados transformam a arrumação da cama em uma verdadeira pintura de Caravaggio, ao passo que pessoas sequeladas por uma saudade mal saem da cama...

Saudade é intervalo. Vontade, recomeço!

Assim como cenas de um próximo capítulo, reavaliamos se o último encontro foi vindouro. Se arrancou suspiros, a saudade vem como um infarto fulminante, se os capítulos anteriores não foram dignos de “audiência”, aqui jaz mais uma alma nos aposentos mofados da solidão. A vontade é um estado intrinsecamente baseado em atitudes e realizações.

Em tempo: “Audiência” aqui é sentimento. É algo imaterial, impalpável, intangível. Provido de boas ações, gracejos e da tenra felicidade de se sentir “mais presente” na presença daquela presença.

Manual de instrução não cabe na vida de ninguém, mas algumas fórmulas até que podem ser bem aproveitadas: Intensidade + realização = saudade x vontade... Mas atenção: O resultado não é uma ciência exata, ele depende somente do teu livre arbítrio.

E se a manutenção em nós é essencial para o crescimento e a vigília individual é fundamental para o nosso amadurecimento, vale adotar uma nova regrinha:

Para a saudade e a realização darem certo, é necessário um desnivelamento do tamanho de uma régua de 30 cm. Se passar disso o ar já fica rarefeito.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Gerenciando pensamentos. Planejando atitudes



Ninguém tem uma vida percorrida em linhas retas. Ninguém caminha num plano favorável por mais de duas semanas sem uma altimetria sequer... Precisamos desviar de muita coisa, menos da nossa personalidade.


A minha vida não é diferente. Eu sou mais um organismo sistêmico, complexo e confuso descobrindo que posso optar pela simplicidade ao invés da artificialidade.

Se recuo em minhas ambições, me sinto um produto de consumo juvenil, o “vendacional” colorido artificialmente. Se retomo minhas verdades, assumo minhas vontades e renegocio contratempos, aí sim, eu sou feliz!

Gerenciando meus pensamentos.

Percorremos um caminho sempre em busca de um propósito ou protegendo um propósito que elegemos como propósito durante o percurso – antes – porém – era uma mera possibilidade.

Aí está o fator chave: Possibilidades.

Com as possibilidades, mudamos, quando mudamos sem perder a identidade, evoluímos. Para evoluir é necessário sepultar manias que se enraizavam despercebidamente dentro de nós (como uma espécie de trepadeira).

Para evoluir, é preciso enterrar!

Há um tempo atrás enterrei o último “André” que me importunava. Irritava ver seus devaneios desvirtuados, suas manias comodistas e principalmente a sua mania de brincar com o seu coração (departamento que precisa essencialmente de um gestor).

Planejando atitudes.

Se um detetive não vive de casualidades, um coração não pode viver de deduções. Ambos precisam de evidências!

Quando planejamos, expomos as nossas frustrações e na fragilidade de um resquício de carência, sucumbimos!

Entretanto, como toda e qualquer Multinacional, nosso pensamento precisa ser gerenciado, agrupando ideias, levantando questões, alinhando dúvidas até chegar onde se quer...

Para isso, não existe cenário, existem circunstâncias. Não precisamos deitar num divã para entender que tudo que precisamos é espairecer para buscar a nossa epifania sentimental.

Durante esta entropia, eis que surge aquele propósito (lá do começo da estrada), lhe dando vazão a uma razão e fazendo você sobrepujar suas antigas versões sem usar coloramento artificial.

A clarividência dessas revelações é tão sublime. É uma sensação tão prazerosa vencer um desafio, principalmente quando este desafio é você mesmo.

Eu me posiciono a favor da espontaneidade, saboreando meus sabores e dissabores em silêncio ou no deleite do meu anonimato.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sim, nós fazemos terapia!



“A terapia é a maneira ocupacional mais eloquente que um homem encontra para se apegar aos apelos da realidade e manter o impulso dos desejos em um cativeiro provisório.” – André Luiz, assumindo a responsabilidade em palpitar.

Em um sentido poético, dizer para uma mulher que você faz terapia é um plus marcante dentro do seu CIC (Currículo Intencional de Conquista); é uma espécie de artifício necessário, mas que para o recrutado, é inocuamente desnecessário... Ou despercebido de interesse uma vez que somos míopes em diagnosticar uma conquista vinda do lado feminino.

De fato, para mim isso pouco importa. Estou lá, despindo a minha realidade feita uma dançarina de cabaret, sem o adultério dos que se comprometem a assisti-la, porém com muito critério para quem me analisa.

A terapia é algo indulgente. Jamais demonstrei em toda a minha vida essa disposição favorável em me conhecer, já transformei a minha vida em um Holocausto para conhecer algumas pessoas (e não as conheci) e justo comigo eu não tive essa sensibilidade em perceber que quem mais precisava ser reconhecido por mim era eu mesmo.

Adentrar em uma análise é fácil, difícil é você aceitar que a análise precisa adentrar e abrir portas impensáveis em você ou portas que você nem mesmo às reconhecia como portas, no máximo janelinhas de banheiro...

Entendeu? Não? Tudo bem, você está no caminho certo; terapia não se entende, se divaga, se questiona, se explana, se diverte...

Ahhhh, como é bom se beneficiar das dúvidas, contar suas inquietações sem receio de ser julgado ou criticado, revelar - sem eira nem beira - a sua cara de abestado quando fala sobre o seu novo amor... Enfim...

Sim, nós fazemos terapia!

O contingente de vaidosos, ufanistas e desamparados está aumentando dentro de uma sala de terapia, mas ainda são relativamente poucos os que se comprometem a atenuar seus problemas e erros em si mesmos, e não no Iphone que nunca funciona, no cachorro do vizinho que late toda hora em que você se dispõe a ver televisão ou no incrédulo egoísta que anda a dez por hora no trânsito.

Sim, nós fazemos terapia!

A arte de afirmar sua essência e admitir suas deficiências, de assumir que nunca foi um dogmatista, que jamais abusou do silêncio e que nunca realizou o “morno” para se definir e – ao mesmo tempo – entender que jamais foi com você o que deveria ter sido com o outro sem se amedrontar com uma rejeição são pontos edificantes em uma descoberta... A minha, por exemplo.

Em um resumo bem resumido, a terapia para um homem vai muito além de probleminhas cartesianos como chorar no escuro, aqui, as lágrimas ocorrem em plena luz do dia, sem remoer amarguras do passado e sem o impacto decorrente de uma vida em carreira solo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Driblando alarmes


Após o sofrimento causado pela última invasão eu me precavi: Instalei alarmes, cercas elétricas, sensores, portas com sistema de segurança por códigos acoplados ao meu smartphone, enfim, investi em alta tecnologia para evitar que uma metida a “Ethan Hunt” se infiltrasse em minha zona de privacidade...


Imaginei que com tanta tecnologia assim, eu seria intocável... Pensei em toda e qualquer possibilidade tangível invasora, mas esqueci na intangibilidade do amor.

Fui imprudente com uma das forças mais humanas da nossa vida mundana. Menosprezei um adversário onipotente e subjuguei a força transcendental do mesmo... Como pude apreciar tanta tecnologia e depreciar tanta benfeitoria?

Falhei!

Ela foi uma exímia expert no assunto. Sequer um alarme foi disparado, uma pegada, um ruído, uma digital qualquer... Absolutamente nada, nada que fosse palpável. Ela pegou pesado com o elemento surpresa: A invisibilidade.

Seria ela a Sheila da Caverna do Dragão se perfazendo do seu capuz mágico e da arte de desaparecer e aparecer diante de tanto protecionismo?

No entanto isso me serviu de aprendizado para uma futura revisão de conceitos: O amor incorpora os 3 estados básicos da matéria: Flutuamos entre partículas de C02 (gasoso). Nos derretemos com uma mensagem de afeto inesperada (líquido) e unificamos desejos, vontades e volúpias tão aglutinadas quanto uma molécula (físico).

E o bobo aqui pensando somente na parte que cabia a minha visão. Fui tão ingênuo e previsível, fatores que me levaram a esquecer as peças que pregam uma atração...

Já havia abandonado a condição de oferecer expectativas. Já havia dado as costas para algumas idealizações, já havia desencanado do apreço, do zelo e da solidão compartilhada, enfim... Vivia uma utopia insólita e praticamente sem metas. Uma espécie de rejeição preventiva.

Mas hoje, bem, hoje o enredo se inverteu totalmente. Sou um réu confesso da minha incompetência e da falta de aptidão das minhas defesas ideológicas.

E hoje ele aqui, invadindo meus pensamentos sem nem mais me pedir permissão ou – num plano educacional – sem me pedir “com licença?”

E hoje ele aqui, se alimentando das recordações deixadas pela sua última visita (Nota-se que suposta acusação de “invasão” deu lugar a uma permanente e sutil titularidade cordial.)

E hoje eu aqui. Assumindo a total rendição ao feitiço! Desativei os alarmes e virei o “switch” para outra direção, mas a função da proteção continua a mesma, afinal de contas, aprendemos que o anonimato para certas coisas ainda é a melhor defesa que podemos ter.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Síndrome do doador incurável


Há algum tempo me toquei que não sou o executivo das minhas emoções. Sou frouxo demais para contrariar as solicitações do meu coração. Fui contratado para socializar a massa cefálica ao órgão pulsante, mas falhei por completo nessa atividade.


A única coisa que fui designado a fazer, fraquejei diante da minha incompetência... Ao menos não faltou profissionalismo; desenvolvi inúmeros treinamentos entre eles no intuito ilusório de causar algum entrelace (nem que fosse um simples happy hour), entretanto o speech de um era a repulsa do outro.

Falhei!

Sou uma figura providencial para dizimar brigas, discussões e frases indigestas, porém, nessa proteção paternal eu me rendo e entrego tudo, inclusive o que não se deve entregar.

Barganho coisas que não me apetecem: Você troca essa discussão por uma noite temática? Você troca essa briga tola por aquele jantar que você sempre pediu? Você não trocaria esse rostinho fechado por uma massagem?

Me esforço sem o aval da minha consciência e sem o escambo da minha qualidade emocional e assino um contrato de risco entre o sucesso e a frustração.

Brigo inconscientemente (em uma espécie de guerra fria) entre minhas vontades e a ocasionalidade delas... Detesto meus exageros!

Vivo a briga dos outros. Participo do sofrimento alheio. Me consterno com o fracasso do vizinho. Sinto uma emoção de pai sem nunca ter sido um. Pulo de alegria com a felicidade do outro...

Se por um lado me acanho em dizer isso (porque ponho em risco a minha fragilidade), me acalento em ser claro e lógico feito placa de trânsito; não castro minhas vontades, não amputo meus desejos e vivo intensamente a minha vida e a vida que faz parte da minha vida.

Sim. Eu sinto um orgulho platônico e homérico no que faço. Porque quando faço, faço com tamanha entrega que não penso na troca, não penso no retorno, muito menos no saldo que isso me trará um dia.

Por que faço o que faço? Porque me sinto pleno, copioso, enriquecido. Sinto que sou um ser vocacionado para tal, uma espécie de objetividade cármica... Assim tento me descrever.

Entretanto, o ilusionismo é o revés de todas essas ações magistrais:

Nunca sabemos à hora de parar... Nunca sabemos o momento exato para refutar uma doação, porque muitas vezes este equilíbrio é exatamente inexato: Se doamos demais, enjoamos o receptor. Se doamos a conta gotas, deixamos de ser quem realmente somos para viver uma peça teatral repleta de joguinhos compensatórios.

Não vejo uma dosagem homeopática na doação. Não se doa somente um pé do par de um tênis, assim como não se doa metade do meu ímpeto em fazer aquela pessoa que eu tanto gosto vibrar e sair pulando pela rua.

No entanto (e para tudo existe um tanto), existe a conjunção idêntica entre interesses, e os seres que compactuam desses interesses contrariando a tese de que os opostos se atraem.

Muito por sinal, peço permissão ao autor para reformular essa frase:

Os opostos não se atraem, o que atrai os opostos são as bagagens do passado que nos condicionaram a acreditar na compatibilidade desses opostos. Pura resistência ao acaso.

Sim. Eu corro riscos, eu me disponibilizo demais, eu me mostro em demasia, mas eu não saboto a essência do meu ser, porque eu acredito na existência mútua de um ser corajoso e audacioso como eu.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Desejos e propósitos


Eu me permito me desencontrar só para buscar o propósito de me encontrar subalternando-me com as ciladas da vida. Amei, desamei, desandei e me reciclei para amar novamente...

... O cíclico sempre me encantou.

Tenho meus tombos como uma passagem amnésica. Trato-os com certa habilidade, classificando-os como o início de um recomeço; um novo ponto de partida...

E assim a fé renasce.

E assim a fé emerge. Revivida por novas inteligências que entram em nossa vida sem aviso prévio – que bom que é assim – porque assim revigoram-se também os novos desejos.

Desejos sobrepujados por tombos... Desejos que estavam imaculadamente tímidos porque talvez não lhes restasse esperança de escrever uma nova história... Desejos aptos a entrar em cena, aguardando avidamente pelo retorno da imersão do protagonista.

O teatro da vida tem suas conjecturas um tanto que abrasivas e inversas ao que pensamos sobre o lógico ou ético. Isso porque não compreendemos o fato de recrutar um coadjuvante e o mesmo naufragar com toda uma produção. Burrice? Estupidez? Não, perfil inadequado para a peça.

Mas ao contrário de uma peça fictícia (com ingresso a venda e comercial na TV), não enterramos o protagonista, ressuscitamos antigos propósitos (talvez até os anteriores) para aplicá-los novamente, só que dessa vez, com novos desejos diante de um propenso engajamento de perfil.

O perfil é um conglomerado de valores que compõem a extensão dos nossos propósitos.

O desejo é encontrar alguém que preencha os mesmos propósitos simplesmente porque o protagonista nunca abandona sua peça, ele a vive contracenando com novos coadjuvantes, dando vazão a novas possibilidades e assegurando que o show não pode parar.

Antes de ressuscitar os seus desejos, tenha sempre em mente a convicção dos teus propósitos.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Imprevisibilidade é afrodisíaco


Vem cá: Se pudesse escolher isso como se fosse um combo, pelo o que você optaria?


O equilíbrio instável de um amor pragmático ou o desequilíbrio estável de uma paixão constante?

Ambos. Se houver simpatia e se rolar empatia, já é um quase/amor – agora – se houver coisas que refutam a sua vontade, aí sim fica perfeito!

Há de se ter irregularidade!

Não existe nada mais enfadonho que ter a certeza das certezas plenas. Saber – indubitavelmente – que a pessoa que você ama estará inteiramente a seu dispor (feito seguradora ou posto de saúde), não, não tem tonificação. É opaco!

A segurança (em suas devidas moderações conceituais) deve ter aquele gostinho provisório de coisa passageira, tipo cheiro de pamonha, cheiro de gasolina, cheiro de bolo...

Veja a ordem inversa:

Você não suportaria passar o dia inteiro num posto de gasolina, ou talvez dentro de uma cozinha industrial comendo literalmente bolos pelo nariz, nem tampouco com a cara enfiada numa carrocinha de pamonha com aquele bafo de milho na cara. Correto?

Então porque conviver com a exatidão das certezas? O amor não é uma sequencia de instruções, não é um sistema binário de códigos e também não sobrevive nas contas sistemáticas de uma planilha de excell.

Amante em tempo integral cansa. Tem que haver uma irritabilidade, uma desvirtuada, uma discordância (sem exageros capitais).

Não se define. Não se personifica. Não se psicografa o amor! O despretensioso é sempre mais gostoso porque todo previsível se torna um pessimismo ensaiado!

Também não se barganha o amor. Não se negocia encontros com amigos. Não se equaliza insatisfações, mas só há insatisfação porque há projeção. Desligue o projetor e assista, simplesmente assista.

Se ele mesmo – o amor - não é nada científico em suas ficções, por que nós humanos temos que ser uma obra previsível? Já não nos basta às diretrizes cruciais e implacáveis chamadas de “começo/meio/fim”?

Por isso é bom ser imprevisível, só para desequilibrar o exato e oferecer umas doses de emoção ao inexato.

De normal o amor não tem absolutamente nada: Surge imprevisivelmente. Acontece em meio a uma discussão. Aparece despropositadamente. Fortalece através de um infortúnio qualquer. Enobrece até mesmo por conta do ex amor do seu amor...

Enfim, o amor é uma criança teimosa e endiabrada; Quando você o sacramenta com “um fim de papo” ele ressurge, quando você o idealiza como imbatível, ele acaba... Por isso é bom refutar, questionar e contestar, mas nunca, em hipótese alguma, se anular.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Verdades inconvenientes



Ao bater minha canela no escuro (entrando silenciosamente em minha casa), tive uma epifania:


“Meus relacionamentos não ultrapassam 1 ano!”

Durante todas as minhas incursões amorosas cometi as mesmas derrapadas: Rescindi alguns valores. Alfabetizei os meus desejos e cataloguei as minhas companheiras em uma espécie de concubinato.

Meus relacionamentos começavam “shakesperianamente”, mas o desfecho era sempre o Holocausto. Transformei minha cama em um divã?

Foi tudo vertigem? O encontro previsível da canela com a quina da mesinha da sala foi surpreendente, despertei para as minhas verdades e me libertei daquilo que há 5 minutos atrás era inacessível – agora - indelével.

Acho que faltou convivência comigo mesmo. Momentos mais tenros e mais aproveitados com o vazio das coisas, ou a inanição do “nada”. Abdiquei o uso da solidão para saborear o gosto da obtenção por resultados imediatos. Puro receio em ser infeliz! Queria sempre ter certeza das coisas e hoje a minha única certeza se remete as dúvidas saborosas de viver sem estar em uma redoma, um invólucro onde só existiam gestos e afeições suaves.

Abandonei minha paciência no altar, não que eu tivesse um estoque pós-apocalipse, mas deveria ter mantido-a em cativeiro nos momentos de incompreensão.

Mas hoje estou bem, sobrevivi ao genocídio amoroso e a execução primária de atitudes nada secundárias.

Estou aqui! Apto e oferecido a viver uma saborosa ilusão, a ilusão de que ainda existam pessoas aptas a não fazer o que fiz com as minhas verdades inconvenientes.

É... Talvez a vida seja um trabalhoso e imenso quebra cabeças onde me monto e me remonto a cada descoberta de me perder de novo nesse equilíbrio instável chamado de vontade.

Obrigado canela, por ter sido muito mais que uma simples sinalizadora de obstáculos no escuro.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Liberdade: O anticorrosivo do tempo


Agora que enxerguei o que me espera, vou na onda, vou correndo, vou de bike, vou de táxi, mas hoje me revelo e me afirmo: Não sei domar a fera, fujo dela.


Agora que descobri a obra que sou, vejo que meus parágrafos vão além, vejo que posso escrever por qualquer bem e vejo que minha vida não se anula nos pontos finais. Eu sou uma constante reticência tropeçando em vírgulas.

Sempre usei as palavras para algo alegre, e noto que a loucura possui uma inócua parcela de tristeza. Anulei minha adolescência por trabalhar obrigatoriamente em uma peça teatral de longa data e com inúmeras apresentações. Representei um roteiro que me prendeu em um desfiladeiro... Ou seria um atoleiro?

Vivi – sem saber – uma trama.

Agora que enxerguei o deslumbramento da liberdade, sinto forças para saltar e agarrar o sol, mesmo que ainda sinta uma incômoda atrofia nas pernas. Sinto que o cérebro se exercitou, fez ioga, fez pilates, fez até pole dancing e tá louco de vontade pra viver o ritmo. O ritmo da liberdade.

Decolo de braços abertos para uma viagem insólita! É o fim dos joguinhos psicológicos.

Agora que enxerguei a permissão descubro que não existe tempo ideal, e sim ideologia no tempo. A ilusão sai de cena, o desgosto – a contragosto – se manda do palco e a privação dá lugar as minhas permissões. Eu me permito ser feliz!

O sentido da vida não está dentro de uma gaveta, no entanto, em meio a esta surpreendente revelação, encontro minha essência escondida atrás da minha falta de coragem (como uma criança encolhida num canto escuro de um quarto à espera da punição do pai).

Agora que a miopia foi curada, vejo um limbo de aporrinhações estratégicas voltadas para um benefício egoísta...

Ficou pra trás! Junto com suas caretices repressoras de mãe protetora. Ainda vai levar um tempo, mas o primeiro passo foi dado, mesmo que este passo seja um simples esboço do meu desenho rebuscado. Se viver é uma arte, quero somente cores vivas e latentes para pintar o meu caminho.

E nessa revelação existencial que até então inexistia, ainda me espanto, ainda estou tonto, ainda me aterrorizo com o passado de meias verdades e de completas mentiras. Essa peça teatral não permitia ensaios; era por a roupa, entender o cenário, ler o script e foda-se o resto.

Hoje a meia verdade me abraça. Abandonei a cegueira momentânea de anos para lutar pelo meu fim. A outra metade da verdade eu divido em algumas partes – modestas – porque todos nós temos as nossas verdades. A minha é igual a sua e igual a do advogado que defende o bandido no tribunal.

E de caso com o acaso eu traço minha timeline:

Se o prefácio é amargo, lutemos por um doce fim.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Encontrando com o desencontro



O que embala um homem em sua formação?


O poder financeiro “e ilusório” do primeiro emprego? A coleção libidinal das conquistas deflagradas em micro contos ressaltados nas mesas de bar com os amigos recém formados? O primeiro carro? A primeira desilusão?

Muita coisa me vem à mente.

E o que embala um homem em deformação?

Certo dia – exaurido das minhas aptidões sentimentais – marquei um encontro comigo mesmo...

... E não fui!

Refleti sobre o meu juízo e a reflexão desse resultado me deixou em cativeiro: Simplesmente não fui!

Embora as “dancinhas sociais” sejam obrigatórias para preservar o bom comportamento (coisas do tipo: avisar se vai desmarcar, atrasar e taus), eu fui indecoroso e insensível comigo mesmo, nem “sms” mandei cancelando o tão esperado, porém maluco, encontro.

Fui frio, calculista, metódico.

Não deixei recado na caixa postal. Não preguei “post it” na geladeira muito menos avisei via inbox pelo Facebook.

Talvez a intenção fosse realmente gerar uma repulsa, um arrependimento pelo convite, sei lá... Quando a gente quer desmarcar um encontro sem criar futuras expectativas o que fazemos? Mostramos o nosso lado ogro, o inverso da nossa aparência. Mostramos o nosso “coeficiente deficiente” em prol da nossa paz em não receber outro convite.

Estranho esse meu destino, me privando de ser eu mesmo comigo mesmo.

Logo eu que posso ser qualquer coisa, mas na maior parte do tempo sou consumido pelas dúvidas e pelas intenções das minhas extensões em tentar ser algo mais apropriado para os outros.

Me reinvento ou me reciclo? Eis a questão!

A expectativa de menino amadurecida na eclosão de um homem, assim se faz a dança da vida propriamente dita: Evitamos magoar, evitamos arquivar e ás vezes, evitamos a felicidade. Anulamos o risco com medo dele não passar de um simples risco e com isso, riscamos da nossa agenda sentimental muita coisa boa que esperava reencarnar.

Perguntas? Tenho uma para cada poro da minha pele.

Aqui, cabe a mais recente:

Será que se eu tivesse ido ao meu encontro eu teria sido feliz? Teria mudado algo? Teria feito a diferença?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Sou filho único"



“Sou filho único” – Não diga essa frase nos primeiros encontros com uma mulher. Em hipótese alguma. É o fim do feitiço!

Não existe lealdade em segredar isso para a moça logo nas primeiras intersecções... Devemos protelar essa confissão assim como se protela a ida ao dentista (por falta de tempo e por recordar a dor incessante da última visita).

Aqui, numa ordem inversa, a dor vem imediatamente após a ingênua confissão, sacramentada como um veredicto final de carceragem, sem regime semi-aberto.

Dizer que é filho único no início de uma pretendida relação é permanecer na fila do desemprego no amor. Se você procura ser recrutado: Omita!

Devemos evitar constrangimentos desnecessários no começo a fim de evitar o término da idealização pelo que se está buscando. Você pretende conquistá-la pelos motivos que o cativaram? Então não afugente a moça por razões que ela não espera ouvir de você... Não agora.

Aaaahh, a conquista...

A conquista – desde os primórdios mais remotos – sempre foi anestésica; os primatas arrebatavam suas pretendentes com um golpe de tacape e depois as arrastavam até suas cavernas pelos cabelos – convenhamos – um ato gentil para aquela época. Hoje o vereador Netinho de Paula faz igual, só que com métodos diferentes – a inovação a serviço do homem... E do ogro.

Retomando o assunto em pauta, a conquista – novamente anestésica – não permite devaneios inúteis, não aceita a clemência das falhas ou derrapadas, muito menos tolera o indigesto – nesse caso – que você é filho único... A conquista vive do encantado, do visto pelo não visto, do imaginário e do ponto G da mulher, que – para engano seu – situa-se nos tímpanos e não aonde você viu no programa da Sue Johanson.

Enfim...

Evite comparações! Ela pode chegar atrasada ao encontro. Ela pode falar do ex namorado (só para preencher as intersecções). Ela pode criticar e dar foras. Ela pode escolher o local para jantar e ela pode ser filha única também... Mulheres possuem este “free pass” sobre nós. Nem pense em mudar essa ordem!

O filho único não sofre de preconceito. Ele sofre por um ato de nobreza, justamente por ser único... Ele sofre por um estigma hipotético dos opressores que imaginam que ao se relacionarem com um filho único, darão continuidade aos mimos do papai ou da mamãe numa espécie de troca de bastão... Mas você sabe que não é bem assim!

Ah, os filhos únicos: taxados de esquisitos na 1ª série, invejados da 4ª à 5ª série e depois intitulados unanimemente de “mimadinhos” até sei lá quando...

Reinar absoluto entre pai e mãe nos dá uma condição de “pessoas complicadas’, mas a gente dribla o rótulo, engana o protocolo e faz aquela noite valer a pena com sorrisos e um destemperado jogo de cintura, mesmo se no primeiro encontro a sinceridade falar mais alto que a malandragem.

“Sou filho único” – Ooops!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Ser feliz é para loucos



Acho a maior graça; pessoas que são felizes por ambição, não por necessidade. É esquisito pensar assim, mas é uma maneira assertiva de roteirizar a felicidade como a própria felicidade, uma beleza esquisita e dissoluta...


Dissoluta sim, para aqueles que forçam a perpetuação da felicidade imaginando um conto de fadas efusivo e edificante, a felicidade ludibria, envolve e trapaceia.

A felicidade não mora na Rua da Felicidade, e também não provém da Rua da Amargura... Emolduram-na em contos, em filmes “sessão da tarde”, em frases via inbox, em mensagens de texto, mas é pura dramaturgia, ficção nada científica...

A felicidade é sentida por dementes que nunca fizeram terapia. Por audaciosos que nunca saltaram de um precipício e por poetas que sequer leram Saramago... A felicidade não é um estado provisório para os loucos, por isso ela dá um puta barato!

Geralmente a felicidade surge para as pessoas que abandonam o pátio, a boneca, o playmobil, a mesmice alheia... Surge pra quem investe após uma topada mesmo sabendo que os riscos de outra topada são eminentes. É arriscar sem projetar expectativas pelo deslumbramento inicial.

A felicidade não aceita palpiteiros, a não ser que os palpiteiros sejam loucos como você, aí sim vejo sentido, do contrário, são pessoas tentando te convencer que o que você diz ser felicidade não é a sua felicidade. Oras, é a de quem então?

A felicidade é uma insanidade desprovida de temas, rótulos e dizeres protocolares. Quem é feliz de verdade cabula qualquer ordem organizacional, mas é displicente com a sua própria felicidade, afinal de contas, burlar etapas de uma felicidade é apressar um futuro possivelmente promissor.

Para os loucos, a felicidade não possui rendimentos subjetivos, porque ninguém equaciona réplicas, ninguém contabiliza derrapadas, ninguém dá o troco com a mesma moeda e ninguém compete pra ver quem é melhor numa discussão.

Não existe revanchismo para a felicidade, existe a clarividência, a transparência e ninguém sofre da SPT (Síndrome de Personagem Teatral).

Ser feliz não é pra poucos, é para loucos!

Entretanto (porque para tudo existe um tanto), há de se entender que se pretendemos eleger um coadjuvante para ensaiar a nossa felicidade, que essa pessoa não seja um diagnóstico, nem tampouco um prognóstico, que ela seja insana, atrevida e com apetite em ser feliz.

Felicidade é assim: Estar feliz para um dia fazer feliz!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O sumiço nos interessa



O problema da dispersão masculina é provocar a culpa na mulher. Transar e sumir sem deixar sequer um “post it” no painel da cama dizendo se foi “bom ou não” não é legal... Homens que fazem isso degeneram qualquer organismo sentimental puro e imaculado.

“Por que ele sumiu? Foi alguma espécie de sorteio e eu fui a azarada? Foi por ego só para ter o gostinho de me ver correr atrás? Já sei, fui boazinha demais com ele. Libertei minhas verdades, me despi de qualquer máscara e deu no que deu: Ele sumiu!”

O sumiço de um homem para com uma mulher adultera qualquer sentimento bom que – ainda – existia dentro da moça.

O sumiço se sente, mas se teoriza também. As mulheres aplicam a matemática no acontecimento ocorrido:

Quer ver?

Somamos a lábia do canalha, multiplicada às intersecções daquela mesa de bar e depois a indecência naquela cama de motel. Dividimos por algumas derrapadas que ele deu ao tentar disfarçar o telefone que tocou inesperadamente, subtraindo com a bendita frase pós-coito “preciso ir”. Pronto: Acabo de descobrir que saí com um mentiroso, babaca e filho da puta!

Passam-se os dias e vem a clarividência dos fatos:

“Aprendi que não existe tempo ideal. Ele acontece meio sem jeito, com gente que leva jeito pra curtir uma noite, ou um longo dia de domingo pós sábado libidinal.”

Aprender é uma teoria ostensiva da prática. Praticamos em abundância “achando” que ficaremos imunes as teorias que se aplicam, justificando isso ou aquilo, os “porquês”, as razões, enfim... O sumiço nos obriga a crescer e a encarar o mundo masculino por outras realidades (não somente pela realidade que se vende por aí).

Isso é ótimo, entretanto, sumir ainda é bem mais trágico e verossímil que o motivo declarado e jogado na cara. Em meio à verdade do sumiço, preferimos a mentira do motivo. Mentir reconforta, anestesia o caos emocional, evita encarar o espelho e se questionar.

Mentir evita passar o fim de semana inteiro chafurdada no edredon com chá de camomila no criado mudo e uma série de desabafos convertidos em sms para as amigas.

Somos menos adultas quando recebemos um motivo, por mais “fake” que ele seja (e você sabe disso), mas prefere ouvir a verdade, nesse caso, a mentira... Porque se fosse à verdade, seria o sumiço.

Tolos os homens que se vangloriam no dia seguinte ao transar por transar com uma mulher deveriam repensar no suposto “mérito”...

Enquanto eles amplificam o sexo colocando-o em uma condição de estrelato, nós aprendemos a desfrutar do momento silenciosamente, evitando passar constrangimentos em divulgar o que merece ficar no anonimato.

Sim, anonimato sim, porque homens dessa estirpe não merecem Ibope, merecem a incógnita do silêncio e a dúvida se ele mandou bem ou não.

O sumiço nos interessa sim, mas a incerteza da nossa indiferença coloca qualquer machão em estado de alerta... E isso é tão gostoso...

Faça o teste!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Old habits die hard

Meia noite abandono o alvoroço dos aposentos mundanos e me arrasto para meu apartamento. Rompo o silêncio fidedigno dessa atmosfera de trevas e ar rarefeito. O silêncio, porém, era traduzido em uma comunicação inseparável entre a geladeira e a máquina de lavar que agora cochichavam com a televisão que acabei de ligar.

Com a TV ligada interrompo o barulho da geladeira para pegar algo que acompanhe a minha sede e o meu “tour” pelos canais da Sky. Um certo programa me faz relembrar o episódio de hoje:

Me pego em uma profunda hipnose:

"Gosto – ás vezes - de proclamar o meu egoísmo de combinar e não ir, ligar e depois não atender, prometer e não cumprir tudo, entretanto, me confronto entre meus delírios e meus mistérios, entre meus dilemas morais e promíscuos. Não há certo ou errado, não há carência sem pessoas e não há desafios sem segredos.

Sou um segredo desvendado em uma confidência individual; Um misterioso sem ser mentiroso.”

No território da moralidade, sou encarado em diversos graus de desaprovação; desmonto algumas noções, desaponto muitas mulheres e incito o lado corajoso das mesmas: Emboto, inspiro, desafio, provoco, mas, após a conquista; me disperso.

“Ser o que querem eis a questão!”

Ao deitar em meu sofá, minha posição corpórea me remete às sessões de terapia – sempre as quintas feiras – dia propício para me beneficiar das minhas dúvidas e inaugurar as próximas aventuras do fim de semana em uma espécie de “sitcom” norte americana.

Ao deitar em meu sofá, coloco em evidência a interação entre minha imaginação e a minha atuação, o que para um solteiro convicto, isso se intitula: “solidão”.

Solidão - para nós - é o estado amórfico entre a singularidade convicta e as vitórias invictas das manobras elaboradas espontaneamente.

As relações modernas são plásticas. Por que se desiludir com uma pessoa se podemos se iludir com uma zona sul inteira?

“Em algum lugar da zona sul tem alguém totalmente a ver com a minha totalidade.” - Entorpeço a minha esperança por este encontro vivendo uma vida açucaradamente destemperada.

Isso quer dizer que eu sou diferente? Não, isso quer dizer que eu sou incompatível com as projeções precipitadas que fazem de mim. Por que tanta pressa? Pra que anular uma etapa? Qual o sentido de burlar um caminho ou reter um estágio?

O amor não é um trem apressado que desobedece aos sinais de parada. O amor é uma ciência exata:

Equação:

Olhares cruzados com algumas traduções + Frases bem feitas + Elogios neutros + Improvisos x Sala de cinema + Jantares = Beijos e afagos.

Viu? O amor é uma ciência exata. As pessoas que são exatamente inexatas.



Inspired by the motion Picture "Alfie, o sedutor". Sounddtrack by Mick Jagger - Old habits die hard.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Vai saber...

Tudo começa mediante uma programação pré-estabelecida por uma razão; um convite de uma amiga, um aniversário do amigo da amiga da vizinha da sua prima, a despedida do amigo de trabalho, a despedida da vida dissoluta da amiga rumo ao casório, enfim...

Vai saber...

Você avalia suas condições hormonais e verifica se a sua integridade física poderá ser ameaçada pelo seu árduo dia de trabalho... Após isso, você chega à sua casa e se entrega a uma deliciosa ducha imaginando como será ela... ... ... A sua noite!

Vai saber...

Ligações realizadas, comunicação estabelecida; bora por essa beleza toda nos holofotes da vida...

O trânsito incomoda, mas você não se entrega. Chega à porta, fila... Sorte: Você encontra aquele amigo que não via há tempos e que só agora sabe que ele literalmente “manda e desmanda” na balada. Pronto, sordidamente você e suas amigas ultrapassam outras retardatárias na fila.

Bolsa na chapelaria, cartão de consumo na calça jeans, vamos mapear o ambiente... Opa! O seu sistema “night vision smart picture” captou uma bela imagem... Você, audaciosa e levemente oferecida, se aproxima da imagem - olhares cruzados e uma mensagem de “deixa pra depois” vinda do seu cérebro informada pela sua vaidade.

Aqui o pecado é fresco, mas a paciência é madura.

Vai saber...

Cotovelos no bar, uma tequila! Risadas entre as amigas, olhares de sim e uma sutil coreografia: Copinho na mão e cabeças inclinadas para cima... Copos batidos no balcão do bar e outro pedido: desce mais uma!

Precisamos beber pra saber... Vai saber!

Ao som daquela música que te faz enlouquecer você cai na pista e segue a risca a sua conquista. Ele, nota sua presença pelo movimento dos seus quadris dançando alucinadamente, gira o pescoço e se aproxima de você...

Passou reto? Certeza?

Vai saber...

Exibicionistas etílicos são os que mais encontramos na balada. Na certa faltou coragem...

Vai saber...

As horas seguiram disciplinadamente com o seu avanço, os olhares não foram mais desejáveis, uma amiga sumiu, a outra passou mal e a bebedeira ocupou a diversão...

É... Os tempos mudaram, a conquista se tornou obsoleta na balada comandada por um bando de machos “serial kissers” que se atrapalham para conversar mais do que 15 minutos com uma lady...

Vai saber...

A tolerância possui enjôos que o próprio Engov desconhece.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Vida que se faz vida

Vida que se faz vida; na concepção suprema: nascimento, o início, o prefácio, a consagração da espécie lutando bravamente contra as atitudes da própria espécie existente. Sim, o futuro desse presente depende desse tal de “agora” que todos falam, mas que muitos não fazem nada... Resignação e acomodação com a própria vida.

A espécie de hoje não aprendeu a se adaptar com a terceira lei de Newton: Ação “e” reação e com isso vivemos a lei da natureza: Prevenção “ou” reabilitação...

Em tempo: Nota-se a benevolência da natureza para com nós, uma espécie prepotente e degradante. Ironicamente podemos usufruir do nosso uso gramatical ao comparar o eminente “e” com o misericordioso “ou” na frase citada acima.

Quem nasce a partir desse instante, tem como adiante, enfrentar o inconstante; deslumbrante, por vezes desafiante.

... E quem destoa e não é determinante nessa vida, jaz em um epitáfio intitulado: petulante!

Desvaloriza, resmunga, reclama e não tem seus cinco sentidos voltados para o mais eloqüente valor humano: O amor ao próximo.

Amar quem não nos pertence significa se graduar com as experiências que nem sempre são assinadas e outorgadas por nós, e sim pelo vizinho.

Tudo é uma questão de posicionamento. Já se imaginou algum dia sem as pernas? Já se imaginou algum dia na fila de um SUS com um filho enfermo nos braços? Já imaginou o controle emocional que este indivíduo tem quando olha para você, de notebook e Blackberry na mão, sorridente?

Não teria ele o direito de pensar: “Por que eu e não ele?”

A vida se fez assim para alguns. A vida se faz assim para outros. A personificação quase que congênita e real do equilíbrio humano embutida no dia a dia em um relato contrastual chamado de vida!

Vida que se faz vida!

O contraste social, emocional e físico são aspectos irrefutáveis no convívio humano. Tão implacável quanto à própria morte e tão desejável quanto à própria vida alheia. Quantas vezes você já não se pegou em transe querendo ter a vida de outro alguém?

Difícil tolerar a tristeza, a rejeição, o momento de inquietação. Todo mundo quer a felicidade, entretanto todo mundo se ilude ao pensar que viemos para essa vida para sermos felizes como um conto de fadas... Até os mais felizes já foram infelizes um dia!

Ser infeliz é uma questão de manobrar as estratégias do destino... Quem respeita a infelicidade se vangloria e se resguarda da própria felicidade. A Felicidade é um estado efêmero, assim como a infelicidade. Ambos são fugazes. Nada nessa vida é permanente, graças a Deus, não?

E nessa roleta russa de vantagens e de fracassos, a gente vive! Vive com a insatisfação pessoal ao se deparar com o espelho. Vive a incompreensão de uma pessoa querida que nos deixou tão inesperadamente. Vive a intolerância de ver tanta gente má se dando bem na vida... Enfim, vivemos por viver, porque a vida se fez assim...

Quem está vivo, está vivo por algum sentido, por algum motivo, por algum significado e com esse significado tão relevante, interagimos juntos com outros significados que podem ser insignificantes graças ao seu teor de insignificância alheia... Voltamos ao caderante ou ao prepotente.

Já notaram como viver é fascinante, cíclico e reciclavelmente belo?

Viver é um ciclo, por isso devemos fazer a diferença na vida de alguém. Emprestando nossos ouvidos, doando nosso amor.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Aquele par que virou ímpar

Meu micro universo novamente possui gavetas vazias aptas por novas roupas. Os porta-retratos iniciaram uma nova dieta (aguardando o prefácio de mais uma nova história).

Neste ambiente - outrora poluído por tantas presenças - reina uma paisagem semi inaugural, convidativa, hospitaleira. Me cativa essa transição de “amontoação vs desocupação”, dá pra desmedir o tamanho da minha carência e do meu alívio auditivo das vozes que habitavam ilicitamente os meus ouvidos.

Amor e felicidade são ambulantes que perambulam pela mesma calçada e pelo mesmo ambiente, mas não significa que moram juntos ou que ataram um relacionamento, são no máximo roommates!

E diante dessa profusão de imagens e odores eu desconstruo os mitos de uma vida tradicional e construo os medos de uma vida passional. Solidão ás vezes é uma amiga que não tem semancol pra levantar e ir embora.

É fácil gostar do que é fácil: Não brigar nem pelo último pedaço de torta holandesa que sobrou na geladeira; não discutir por coisas pequenas, não se exaltar pelos hábitos alheios, entender as razões, compreender as vontades mesmo não sendo você a vontade, enfim... Gostar do que é fácil é muito fácil.

E neste ambiente não testemunho mais a minha saudade. Puxei o fio da tomada e me desliguei provisoriamente, até ficar ligado em outra desventura; Como é gostoso abraçar as almofadas. Como é gostoso dormir com os travesseiros espalhados pelo colchão e como é bom chegar e não ter a emoção de ter alguém te esperando...

Veja o lado lúdico do amor:

Um quebra cabeças só pode ser preenchido e desvendado a sua arte com peças diferentes. Um cubo mágico possui dezenas de cores, mas as cores iguais preenchendo os lados tornam o objeto muito mais atraente, entretanto, brincar de “resta um” faz com que aquele par se torne ímpar.

Mesmo assim, ainda é melhor do que viver a meticulosidade e a estratégia arquitetada de um jogo de xadrez.

O amor pode ser um jogo prazeroso, mas nunca um jogo de compensações.

quinta-feira, 1 de março de 2012

De grife a pano de chão

Sabe aquela camiseta que você ama de paixão e que gostaria de ter mais de duas só para revezar com os dias da semana? Ela te faz um bem irracional e incógnito... Exerce um poder inexplicável sobre a sua autoestima; você fica mais cheio de si e mais confiante até mesmo para com as suas relações sociais...

Porém, seguindo o dress code tradicional, você não tem uma cópia desta “camiseta mágica”, então você, entorpecido pela energia positiva que ela oferece ao seu Alter Ego, começa a usá-la com freqüência, dia sim, dois dias não...

De repente, sua vivacidade começa a desbotar feito um livro aberto exposto ao sol. Foram tantos “lava/seca/passa” que ela não resistiu: Sua gola esgarçou, sua manga alargou e um pequeno furo jaz logo abaixo da sua estampa – em um local malditamente visível... E comentado.

No âmbito desesperador de continuá-la a usá-la, você restringe este relacionamento a quatro paredes, mas, com o poder degradante do tempo, aquele pequeno furo se torna um rasgo e você obrigatoriamente a transforma em um pano pra lavar seu carro, sua moto ou a sua bicicleta.

Você depositou tanto amor naquela mistura de poliéster com algodão que agora perdeu toda a sua avaliação como indivíduo perante o mundo que você vive...

Expressada em afeto, aquela camiseta incitava em você uma pessoa sorridente, confiante, e que agora vivia em campo neutro, sorrindo à conta gotas, hipotecando suas vontades, fazendo prestação da felicidade... Um ser opaco, eu diria.

Para centenas de pessoas, a baixa estima provém do excesso de peso, do poder aquisitivo desnivelado, da falta de emprego. Para você, o desafio maior é a rejeição pela punição traduzida na relação tempo e uso da camiseta que, de um dia para o outro, lhe abandonou.

O tempo desgasta, mas o tempo também contrasta e, com o amor próprio ameaçado, você vai pra rua à procura de uma nova vitrine, uma nova concepção e porque não de uma nova inquietação?

Afinal de contas, aquela camiseta vivenciou uma história com você, mas já passou, virou pano de chão e outras novas histórias precisam dar vazão a todo este conjunto de sensações, reações e intempéries que somente um ser racional possui.

Ser você depende somente de você. Não é isso que prega os mandamentos do senso comum?

Assim como a camiseta, o amor um dia desbota e precisamos estar oferecidamente ávidos para uma nova história, um novo recomeço e com uma nova camiseta para sair com este futuro grande amor.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Penhorando corações

Diante do grande crescimento econômico do Brasil surgem muitas dúvidas sobre a possibilidade de penhoras e bens que podem sofrer com essa medida judicial...

Se existem dúvidas, existem dívidas, certo? Ou você já viu rico tendo dúvida? Na dúvida, ele compra! Simples assim.

Se existem dúvidas, existem dívidas e existem as dúvidas novamente:

- “O que irei fazer?”

- “Como devo proceder”

- “A quem devo procurar?”

- “O que devo vender?”

Ahá? Sua última dúvida é o fim das suas dívidas... Pense bem: Por que não penhorar o seu coração?

A primeira pergunta que te faço é:

Você ama alguém? Ou melhor: Você ama alguém que te corresponde?

Se a resposta for sim, visite outro blog, se for não, atente-se ao texto abaixo:

Antes de mais nada não ouse pedir qualquer tipo de ajuda ao cérebro – ele sempre te aconselhou a fazer o certo e você sempre permaneceu com o errado, quer dizer a “errada” – de “pessoa errada”, entendeu?

Também não ouse pensar em outros métodos de baixo recurso financeiro como rifas, barganhas e escambos... Você está negociando uma televisão de tudo ou o seu coração? Rifa é coisa de pobre!

Mesmo assim você ainda se pergunta:

Seria o coração um dispositivo legal para a prática de uma possível execução judicial?

Claro que sim!

Por que o coração não pode ser um bem alienável? Por que não? Se podemos doá-lo para dar vida a vida de outro ser, por que não podemos negociá-lo para o nosso bom viver?

Eu, por exemplo, trocaria facilmente o meu coração por um fígado, uma vez que encho muito mais a cara com a vida boêmia que me apaixonando ou me dedicando para alguém.

Tentei fazer isso no Ebay, mas o interessado queria uma contraproposta onde entrariam órgãos que não ouso mencionar aqui.

A ideia é ótima, mas infelizmente não existe nenhum procedimento executivo no tocante à minha invenção, sugiro então uma demonstração pública dos nossos sentimentos para com este novo tipo de exercício.

Ué, não existe tanta marcha sem vergonha como a marcha da maconha? Bora fazer a marcha da penhora!

Chega de SPC. Chega de SERASA. Chega de Finaza e chega de depender do Carnê do Baú pra sair da merda!

Você nunca desiste de acreditar nas pessoas? Cansou de cultivar ilusões? Insiste em cometer os mesmos erros? Vive se expondo fragilmente?

Penhore suas emoções e abandone esse órgão abestado e palpitante que só te traz desilusão. Junte-se a nós e penhore o seu coração!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Palco em preto e branco


É praticamente impossível não entoar as músicas de Whitney Houston quando um momento inesquecível me vem à mente. As memórias precisam necessariamente de uma bela e retumbante sonoplastia de fundo, assim como a ansiedade necessita do desespero, assim como um livro precisa de um bom prefácio. Ouvir Whitney é fascinante!

Em suas letras, palavras indefectíveis que mesclam o realismo dos nossos desejos com o romantismo dos nossos sonhos mais contidos, diante de uma saudade incontida.

Na melodia, ela trazia - e continuará trazendo - a realização do amor de uma forma simplista, sem formalidades e amplamente acessível. Uma forma rara e quase híbrida de conjugar o verbo amar.

Imagine encontrar em um mesmo conjunto, os pensamentos de Shakespeare, as intenções de Don Juan e a percepção literária de Charles Dickens? É praticamente isso!

Seria óbvio dizer que ela colocava o coração a amostra quando cantava. Nunca vi tamanha devoção, sentimentalismo e entrega diante de um microfone. Uma autoconfiança invejável em suas obras, apresentação e performance.

Pela rejeição da partida, uma sensação inconsolável de perda. Pela ordem natural da vida, uma compreensão obrigatória e cíclica da nossa jornada nesse plano... Difícil desatar os nós de uma perda e, nesse interlúdio, torcemos pelo tempo suavizar os fatos “Step by step / Day by Day”... Como dizia uma de suas canções.

Se um dia eu fizer um balanço das horas, dias e anos que me valeram à pena, certamente Whitney estará compondo minha trilha sonora... Enquanto o “juízo final” não se aproxima, vou abrandando meus tímpanos com essa voz inigualável e retumbante.

Enfim, uma estrela a contemplar a constelação de lendas musicais que nos abandona precocemente, entretanto, nos deixa um legado infindável de lindas canções, presente este que somente as gerações passadas vislumbram tamanho bom gosto.

"And when melodies are gone, in you i hear a song... I look to you.” Whitney Houston.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Os juros das injúrias

As pessoas precisam se comparar às outras; se faz necessário quando se deixa escapar uma oportunidade promissora de fazer sorrir.

Pagamos caro pelas atitudes impensadas, geridas pelo impulso e pela vontade intrépida de puxar o fio da tomada. Queremos a qualquer custo mudar de estação ou sair de sintonia.

Entramos em uma espécie de hipotermia sentimental.

Não existe nada de impudico no arrependimento. Terreno infértil e hostil para qualquer germinação de sapiência. Nesses casos julgam-se juvenis e infantis os mandamentos do coração; o cérebro aconselha o contrário, porém segue adiante só para ter o gostinho de dizer lá na frente: “Viu? Eu te avisei para não fazer isso!”.

Entretanto, entre o prefácio e o fim de uma história sempre existe o elo conjecturamente chamado de “meio”... E nesse anestésico e confuso intervalo, um universo de pechinchas se joga diante dos nossos pés do qual eu divido em quatro estágios de ação:

Ocupação: Barganhamos o descontentamento pela quantidade. Saímos em busca de entretenimento e interação. Tudo é válido para corrigir ou ludibriar o estado provisório do sentimento.

Instabilidade: Saudade não é arrependimento, é atrevimento. Tentamos nos envolver e ocupar o espaço de outrem com pessoas não tão notórias, justamente para nos perdoarmos nos defeitos alheios.

Subjeção: Após essa longa viagem à Disneylândia, voltamos à realidade; a temerosa rotina, tão imperdoável quanto à lei da gravidade. Nos confrontamos internamente numa espécie de guerra fria entre a razão e a emoção. O réu ocupando o banco da vítima, a vítima inocentando o acusado, o réu outorgando pelo juiz, enfim... Um emaranhado confuso de ordens e de posicionamento. Resta saber quem é quem nesse balaio todo, o coração e o cérebro trocam de personagem até mesmo na própria cena.

Quietação: Passado a confusão vocacional entre a razão e a emoção, vem à calmaria e o entrelaçamento consensual; ocupamos nossa vida com as desocupações rotineiras, retomamos a paz e a guerra fria entra em recesso temporário – sim - temporário, logo mais voltamos a investir projetando uma resolução e um firmamento amoroso antes da chegada da 3ª idade.

De qualquer forma, antes de outro investimento e, passado essa epopéia de sensações, conflitos e alívios, nos deparamos com uma clarividência indivisível e reveladora:

Não existem réus, culpados ou juízes, somos vítimas de nós mesmos.