Crônicas

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Feliz 2011, com ou sem lentilha!


Esse período gestativo entre o Natal e o Réveillon é de pura inanição, entretanto, me oferta uma agradável sensação de ociosidade e introspecção alheia...

Introspecção alheia? Isso mesmo!

Começo a questionar a relação de “causa vs efeito” que não se moldam a lógica e ao bom senso (vulgo superstição). Confesso que, além de não entender ao certo essas crendices, me irrita um pouco a prática delas...

Pra que serve? Por que é feito?

E o xeque mate crucial da minha tese: Deu resultado?

Oras, se a história de pular sete ondas tem como base de fundamento histórica a justificativa que o mar remove as impurezas da pessoa, pular as ondas então seria algo totalmente equivocado uma vez que pular as ondinhas confabula (na prática) o afugento ou repulsa que se tem das próprias ondas, correto?

... Sem apuros técnicos, a pessoa (então) deveria mergulhar de cabeça na água e lavar-se de corpo e alma nas águas salgadas do mar.

Porém, faço uma ressalva à minha brilhante ideia: ao mergulhar, certifique-se sobre a existência dos OSBI (Objetos Submersos Bem Identificados), nessa época do ano, as pessoas possuem o hábito suíno de oferecer “coisas” a Iemanjá, tipo: arranjos de flores, garrafas de champagne, bijouterias e velas... Numa dessas, você pode enfiar a cabeça em um desses utensílios e acordar no hospital achando que foi re-batizado pela própria Iemanjá.

Engraçado é analisar o egoísmo alheio na hora de uma dádiva. Seguindo o dito popular que tudo que você faz vem em dobro, não culpe a Deus pelo fracasso do teu ano sendo que na hora da divina devoção, você ofereceu Cidra, flor de cemitério e bijouteria para Iemanjá. Eu pelo menos nunca vi neguinho doar Moet Chandon, Velvet Cliquot ou jóias da H-Stern... Não faria mais sentido?

E eu não paro por aqui. Existem outras manias que eu considero arbitrárias a racionalidade humana:

Acompanhar a vida de famosos no fim do ano... Dá pra acreditar?

Dá!

Vou utilizar novamente minha tese difundida em 3 estágios de indagação:

Pra que? Por que é feito? Deu resultado?

Seu intelecto vai adquirir notáveis avanços em seu QI se você souber onde o Totó (Tony Ramos) vai passar o Réveillon? Vai ficar mais rico se souber o que a Gisele Itié fez no momento das tão esperadas doze badaladas? Vai ficar mais sexy se souber quem foi o famoso que esteve em cima do trio elétrico nas ruas calorosas de Salvador?

Não........................... Né?

No quesito mania, temos uma infindável variedade de crendices e contos do vigário:

Passar inteiro de branco, como se estivesse fantasiado de Garpazinho ou de boneco de Marshmellow dos Caça Fantasmas. Usar cueca ou calcinha amarela. Chupar sementes de romã. Colocar dinheiro no tênis. Folha de louro no bolso...

Usar lençóis novos na primeira noite do ano? E nas 364 noites restantes?

Já perceberam isso? Existem mais regras no ritual do ano novo do que em uma repartição pública!

Minha avó já dizia pra minha mãe: “Não coma aves no fim do ano, elas ciscam pra trás e isso traz má sorte”... Começo a entender o motivo de ver tanta mocinha de nano saia na balada (em pleno inverno) beijando tudo que tem calça jeans e tênis pela frente.

Quanto ao conselho mesozóico acima. Posso comer carne de ornitorrinco, de fuinha ou de dragão de Komôdo?

Simpatias à parte... Acho que a emoção e a efervescência do ano novo devem-se mesmo às manias que nós brasileiros possuímos na hora da virada...

Ser neurótico não é opção de ninguém, mas nós sempre inventamos inúmeras opções para justificar as nossas neuroses.

Feliz 2011... Com ou sem lentilha!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Efêmera transição


Muda-se a cor dos cabelos, muda-se o tamanho das calças e até mesmo o seu comprimento...

Muda-se a marca da pasta de dente (no meu caso, obrigatoriamente, porque deixaram de fabricar a signal de listras vermelhas)... Muda-se de casa, de apartamento, de carro, de peguete, de marido, de celular, de país... Enfim...

Muda-se a tolerância, a ponderação, a libido, o foco das críticas, a aplicação e a dedicação... Muda-se também o formato das nossas canelas, comprometidas com as topadas pela vida afora.

Mudam-se quem acreditamos ser e tentamos incansavelmente mudar as pessoas que acreditam no que somos...

... Por que insistimos em pilotar a mudança alheia?

Enfim... Muita coisa muda e muda muita coisa, mas mudar nem sempre tem a ver com migrar e evoluir.

Migra-se os julgamentos, os trejeitos, as manias e os hábitos. Muitas vezes repassadas para os filhos ou absorvidos pelas pessoas de convivência diária (esposa, marido, roommate etc...), migra-se de XP para Windows 7 (se fodeu quem fez isso) e migra-se também a vontade de estar perto de quem está junto, para quem ainda está distante desejando estar próximo o mais próximo possível...

Migra-se de blog, de conta do Outlook, de Orkut para o Facebook, de MSN para salas de cinema, de Telecine para HBO, de comoção para frustração... Vixi, tanta coisa.

Mudar é mó barato, mas mudar também é um combo (nem sempre você ta afim de comer a batatinha frita, mas pede por conta da promoção), tipo CD de coletânea: você compra por conta de duas ou três faixas dentro de uma gama infindável de porcarias. Aqui, o pacote que acompanha uma possível mudança é intitulado de crítica ou rejeição.

As pessoas reparam, comentam e apontam, como se o espelho delas fossem você.

Há distorções e discordâncias até mesmo na coloração de uma piscina, mas não deve haver limitações na hora de tomar decisões: Pegue gosto pelas mudanças, mas nem pense em mudar sua forma de rir de lado, de sorrir com os olhos ou até mesmo de falar suas gírias... Pessoas que mudam sua essência vivem pegando fila (e com bala de troco).

Quer uma dica?

Junte no mesmo pensamento a mudança, a migração e a evolução. Pronto: Você acaba de se tornar um ser humano híbrido e extremamente funcional!

Bom, é isso...

Ahá? Você deve estar se perguntando: “Ué, cadê a evolução?”

Para isso devo traçar uma analogia simples e rudimentar sobre “evolução e involução”:

Lembra da Liga da Justiça? O Super Gêmeos com o seu anel estavam sempre evoluindo, inovando, diferentemente dos heróis de hoje: Lady Gaga, Justin Bieber, Restart, Dilma, Fiuk, Tiririca...

Entendeu?

Feliz ano novo para todos que compreendem a evolução como forma de involução e para todos que evoluem á medida que presenciam (de camarote) a involução pós-moderna dos seres de hoje.

Um brinde ao equilíbrio da nossa essência!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Possível / Provável / Remoto


De todas as coisas possíveis que poderiam ocorrer em minha vida, o improvável aconteceu: Me apaixonei!

E nesse estado interplanetário causado pela paixão me equivoquei: Imaginava que viveria um conto de fábulas e que minhas noites seriam regradas a vinhos importados, guardanapos de linho e uma simbiótica sinfonia no colchão...

Com essa expectativa projetada falsamente pela minha empolgação eu notei que adocei exageradamente a vida a dois e amarguei demais a minha vida. Paixão improvável sobrepujando um amor provável: rancor, frustração e dor!

Agora fui tomada por uma inquietante e torpe vontade de ficar só. Perdi o encanto!

Botar fé no amor moderno? Nem São Tomé com binóculo infravermelho acreditaria!

Rompimentos que desafiam a lógica e o bom senso, e só; ou você já viu o amor possuir sabedoria e racionalidade? O amor é ilusionista (ele engana você) e só envelhece pela falta de intensidade.

“Possível” é depender dos desígnios da sorte. “Impossível” é contar com a possibilidade de uma remota reviravolta. Esse é o mau do ser humano: acreditar nas pessoas como acreditamos em nós mesmos.

Probabilidades prováveis e possíveis:

O alcance dos nossos sonhos deveria ter o alcance dos nossos dedos, assim o improvável sairia de cena. Entretanto, haveria graça sem a rejeição do improvável? Tudo que vira provável perde a graça porque deixa de ser imprevisível para se tornar calculista... Convenhamos, mulher gosta de coisa fácil?

Vem cá, é possível namorar em regime semi-aberto? Isso é remoto, mas não impossível.

É gostoso ficar só. Aquela sensação libertina de chegar em casa, deitar de calça jeans e sutiã, meter o pé no sofá e calar-se enquanto procura alguma asneira na TV a cabo... Quero uma solidão pra chamar de minha e um machão pra ligar quando certas necessidades vencerem meu ócio de ficar no sofá... Delivery emocional, auto estima diz “uau”.

Mas tudo isso se sucedeu há muito tempo, assim, remotamente, e tudo não passou de um ardiloso improviso, afinal, a vida aqui é provisória, indefinida e transitória. Não comemorarei bodas com ninguém, mas chegarei ao final dessa jornada com um sorriso pelo que improvisei.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Catástrospectiva 2010


A tão derradeira data está se aproximando, o final do ano está chegando e com ele preservamos alguns conceitos capitalistas e ortodoxos como às idas frenéticas e desesperadoras as lojas, mas antes, quero abrir alguns parênteses:

No decorrer de um ano ininterrupto, muita coisa fica no inacabado, justamente para renovarmos esse ciclo e transferir o desafio para uma próxima fase... Assim como em um jogo de Playtation, vencemos alguns obstáculos, ultrapassamos algumas fases e gostaríamos imensamente de conseguir vidas extras, porque diante de tanta banda 3G e tantos notebooks, viver hoje uma vida só tá osso (como diz o maloqueiro do meu vizinho).

No entanto, diante de tantas tantas tantas coisas que rolam em 365 dias (hoje, mais precisamente, 351), uma única e insignificante atitude é capaz de tamanha meditação: a substituição do calendário de cozinha.

Esse revezamento sem revezo vem adquirindo muitos reveses ultimamente. A cada substituição para um ano vindouro, ficam as cenas e as imagens do passado na 3ª pessoa do singular e do plural (esqueça seus ganhos, dividendos e somatórios) vamos falar da vida que se passa por trás de uma TV de plasma:

Imaginar o conteúdo da Retrospectiva desse ano é tão previsível e pragmático quanto às enchentes que ocorrem nos meses de janeiro (garanto que minha metáfora será pauta de mais uma Retrospectiva).

Imbuído do meu humor negro, enumerei algumas catástrofes que fizeram parte das pautas do Datena, das páginas sangrentas do “Notícias Populares” e que em alguns dias estarão na Retrospectiva 2010. Aqui, eu intitulo pomposamente de “Catástrospectiva 2010”, mas você pode também entender como um “Pout pourri da desgraça”, “Top 10 das bestas do Apocalipse” ou “Medley do Capeta”, como preferir.

Começando pelo despreparo dos nossos governantes e autoridades em evitar acidentes, temos a tragédia de Angra dos Reis que evidenciou a ingenuidade das pessoas em desafiar os desígnios da natureza.

Falando em desígnios da natureza, o terremoto do Haiti consternou mundialmente etnias, povos e culturas em um movimento solidário para com um país que já era um exponencial de pobreza e um espelho pra quem reclama desnecessariamente da vida:

Tá chateadinho porque seu celular não funciona? Tá bravinho porque a internet do escritório caiu e você precisava passar uma planilha para o seu chefe? Vá para o Haiti!

No quesito matança e chacina, o Jason vai precisar de mais filmes “Sexta Feira 13” para retomar o trono, ocupado pelo nosso retumbante Brasil: O caso Bruno, o caso Mércia, o cartunista Glauco e o filho, a mãe que matou oito bebês, o julgamento dos Nardoni, enfim, uma seleção do terror moderno, muito pior que Jig Saw, Michael Myers e Freddy Kruegger juntos!

O genocídio brutal e inescrupuloso do homem perante a fauna aquática também encabeça a lista das catástrofes, como o vazamento de óleo no Golfo do México. Condenação? Alguns milhões de dólares de multa. Reparação? Reconstituição? Restauração?

A desorganização também invadiu a nossa melhor e mais visionária matéria prima: O futebol. Com uma seleção totalmente bisonha, o Brasil fez feio na Copa do Mundo, coisa pra Dunga nenhum botar defeito!

Musicalmente falando, o mundo se encaminha na velocidade do som rumo a 2012. Bandas e cantores que desafiam o bom senso e envergonham nossos tímpanos eclodem misteriosamente e, quando notamos, já ocupam a mídia com jabás e hipnotizam a massa burra e acéfala da nossa sociedade...

... Banda Restart, Hori, Strike, Cine, Fiuk, Lady Gaga, Justin Bieber mostram que para o mau gosto musical não existe limite, nem para o mau gosto conceitual. Pegue os Ursinhos Carinhosos e os Teletubbies e compare, é de graça!

Pra finalizar, ainda temos Tiririca e Dilma Roussef fechando as cortinas negras do nosso Creep Show 2010.

Será que vem mais merda até o badalar da meia noite do dia 31 de dezembro? Melhor não subestimar a Lei de Murphy. Lembre-se que quando você acha que alcançou o fundo do poço, descobre que no fundo do poço existe um porão...

Fim do primeiro ato!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Perdas e danos


Como se exibisse seus ensinamentos aprendidos na Escola Acadêmica de Coreografia de Moscou, tratou de adentrar pelas pontas dos pés em seu apartamento (em momentos de aperto descobrimos dotes impensáveis), ele nunca tinha ido a Moscou, muito menos feito balé...

No outro hemisfério do apartamento, ela (uma cônjuge inocente) sucumbia em sono pesado.

Voltamos o olhar para ele (réu não confesso), que já havia transformado suas destoadas conjugais em hábitos bilaterais. Sua impávida confiança lhe oferecia tranqüilidade, uma tranqüilidade constante, porém efêmera...

O costume advém da prática constante e da falta de punição causada pelo elemento surpresa, nesse caso, tratado de um caso amoroso... Lembremos que a ocasião sempre faz o espertalhão.

De súbito, ao passar por todos os cômodos, se deparou com uma cena terrivelmente assustadora: ela aguardava-o sentada (abraçada com seus joelhos e com a cabeça levemente inclinada para baixo)...

Vocês lembram quando eu disse no início do texto que ela dormia em sono profundo? Mentira! Era só pra dar emoção a essa intrépida relação.

Cochichando educadamente ela fez a pergunta clássica dos contos de traição:

- Onde estava?
- Trabalhando.
- Até essa hora? Fazendo o que?
- Nada!
- “Nada” é uma palavra esperando tradução, especifique-se!
- “Esperar” é uma palavra esperando compreensão. Vou dormir!
- Aqui você não deita! Vá deitar esse corpo usado junto de quem te usou!

Absorto e calado diante do flagra, deu meia volta, fitou efusivamente a porta e se encaminhou rumo à rua.

- O que vou fazer agora?

Um curta metragem passava em sua mente à medida que olhava para trás e via a luz do abajur acessa do quarto deles (agora só dela).

- O que ela está pensando em fazer?

Antes, o proibido garantia 80% da diversão, mas e agora? Com a outra sabendo da outra? O modismo engessa a emoção, e aquele frio na barriga com medo de serem descobertos deixará de apimentar a promiscuidade que os dois tinham, a coisa vai perder o brilho, vai desbotar e... Falir!

Em breve, veremos mais um caso (sobre um caso) de relação remota ávida pela entrada de terceiros...

Qualquer conduta conjugal inadequada e culposa também tem incidência e reincidência. Vale à pena remoer suas ações em razão da causa que provocou a dissolução da sua sociedade conjugal? Hoje ela delicia-se com a vida livre, leve e solta que ele a fez enxergar.

Ele (por sua vez) procura fragmentos no passado à espera por respostas. Em meio ao descaso com o acaso do seu antigo caso ele relembra:

“Ontem à noite, a noite estava bem fria... Tudo queimava e nada aquecia. Hoje vivo apertado, quebrando minha coluna num sofá cama num pombal de 50mt2 no centro da cidade”. Perdi a honra e o conforto num pacote só!

“Ontem à noite, à noite tava fria, e só ficou mais fria pela escolha que eu fiz. Vivemos de escolhas e hoje eu sou a renúncia da escolha que um dia deixou de me tratar como escolha!”!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Filho bastardo


“Não te avisto e mesmo assim você me causa um efeito avassalador e enigmático. Sou um aprendiz e um mero protagonista diante das tuas percepções”, disse a visão ao olfato.

Olfato, de fato!

Reconheço que existem regras tocantes no tocante ao toque e que as regras de atração são indefinidas em suas infinitas opções, mas noto injustamente uma injustiça... (Calma, eu chego lá).

Na fala, estabelecemos limites, mesmo que efêmeros por conta do momento. No olhar acontece o primeiro beijo, o lampejo de um presságio, agradável ou não...

No toque, reinventamos e inventamos os gestos, onipresentes diante da vastidão de um universo.

Em nossa audição, captamos a melodia incrível de tudo que criamos e de tudo que foi criado, não por nós, mas sim por quem desenvolveu toda essa parafernália intensa e complexa chamada de Planeta Terra. Nós só adaptamos algumas coisinhas a mais.

O olfato é o filho bastardo dos sentidos. Valorizamos a arte e a importância da comunicação visual, nos sensibilizamos com a música, com os sons da natureza e esquecemos-nos de valorizar o que respiramos.... Esquecemos ingenuamente que podemos sobreviver sem ver e ouvir, mas, e se o ar acabar?

Diariamente respiramos milhões de partículas de informações, mas não damos sua devida importância porque a mídia nos envolve diariamente com os outros sentidos.

Sua língua pode ser afiada como uma espada samurai (Hattori Hanzo, a minha preferida) e seu olhar pode ser tão devastador quanto uma bomba atômica, porém, se você não tiver o olfato para despertar suas reações, você será uma pessoa indiferente ao passado e inerente ao presente.

O olfato é o elo da lembrança com as memórias mais preciosas da vida, mas poucas vezes é reconhecido!

Tudo bem tudo bem, você vai me chamar de exagerado (não nego, sou libriano), mas convenhamos, as empresas precisam investir mais no aroma, as indústrias precisam desenvolver novas experiências, coisas jamais vistas, ou sentidas, ou cheiradas (propriamente ditas).

Já imaginaram um Pen drive com seus arquivos aromatizados? O que dizer então de uma música em especial com o cheiro daquela pessoa que protagonizou aquela canção com você? E fotografias com cheiro? E o seu Iphone com uma mensagem de texto aromatizada da pessoa?

(Voltei pra esse mundo).

Olfato, de fato!

O aroma é o circuito mais curto pra se chegar ao desejo. Sabiam disso? Quantas vezes você ficou feito louco na rua olhando para todos os lados em busca do estimulante de suas lembranças? Vulgo perfume “dele”, ou “dela”?

Perfumes caros: Usados apenas em ocasiões estrategicamente bem sucedidas!

Um brinde a nossa memória olfativa!!! Chega das lembranças comuns e tradicionais, é muito gostoso imaginar através do aroma, conseguimos até mudar o cenário, o figurino e até mesmo o protagonista...

Sei que é difícil tirar nota azul no boletim do amor, mas não podemos equalizar a força dos sentidos ou o gosto só tem gosto na ponta da língua? Ou ao abrir das pálpebras? Ou ao ouvir eu te amo?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Distância próxima


Quem disse que pra estar por perto é preciso estar perto?

Noites longas... Vidas curtas...

Imensurável mensurar uma distância, não temos esse poder. Nós homens nos limitamos a sentir as emoções de um presente e os arrependimentos de um passado... As projeções de um futuro são irrisórias e incertas.

E se o homem não pode comprovar aquilo que não está ao seu alcance (mesmo com todo esse avanço tecnológico existente) e mesmo sabendo que a exploração do universo representa ainda uma insignificância diante da sua grandiosidade ou mesmo em sua amplitude...

... O que diria então a saudade que sinto por você?

Caminho em um extenuante deserto cujo horizonte é insólito e improfícuo. Diante do sol, sinto o corpo padecer em suor e lágrimas, o sol provoca sede, entretanto a sede de te amar me faria melhor do que qualquer outra substância.

Entre uma duna e outra, a brisa te trouxe para minha visão... Vejo seu reflexo como um espelho d´agua, sorrindo, uma imagem holográfica. Entre as piscadelas dos meus olhos você desaparece repentinamente... A minha angústia resplandece em anseios e o desespero toma conta de mim.

Acordo!

Abro os olhos lacrimejados, corpo quente (alguns cento e poucos graus Fahrenheit), ainda sem consciência exata do que houve... Na penumbra não enxergo nada, acendo a luz e caio na real: era somente um sonho!

Algumas pessoas próximas a mim dizem que têem medo de perder a pessoa que amam até em sonho. Eu não tenho mais esse medo porque a realidade está longe de retomar o seu ciclo habitual; perdi você em vida e hoje vivo um pesadelo. Sonhar com você ainda é um saldo, uma anestesia geral.

Ontem passei em frente a sua casa, você estava na janela, debruçada, olhando para o nada. Você não me viu, talvez pelo temporal que desabava diante dos teus olhos. Pensei em gritar teu nome, mas de nada adiantaria... Você olhava para o nada e o nada se resumia a tudo que eu pensava sobre nós...

A vida é assim, desequlibrada em seu equilíbrio. Enquanto uns acham que um punhado é tudo, outros que possuem muito mais que um punhado, acham que não possuem nada.
Ambição ou insatisfação? Talvez ingratidão.

Quem disse que pra estar por perto é preciso estar perto?

Estou longe de você, distante... Nem sei onde você está agora. Sua rotina virou novidade pra mim na medida em que não faço mais parte do seu cotidiano. Eu também me tornei uma novidade pra você? E já que voltamos a ser inéditos um para o outro, que tal recomeçar o início de outro recomeço? Vida nova, novas expectativas, novos objetivos, novas metas, enfim, tudo novo...

Atitudes? Hmmmm, não creio! Pessoas mudam de endereço, mudam de pasta de dente, mudam de celular, mudam até de peso, mas não mudam por simples vontade alheia.

Gerei um impasse. Retomamos o fim desse final, sem retorno, sem prefácio, somente o desfecho.

Porém, quando não podemos realizar, nos contentamos em imaginar. Imaginar como seria se o tempo do verbo “era” ainda pudesse ser conjugado como “é”.

Minha imaginação voa mais rápido que a velocidade da luz, por isso eu me pergunto:

Quem disse que pra estar por perto é preciso estar perto?

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Apetites embotados


A ociosidade da ansiedade embota o ânimo. Exemplos invadem meus dedos que disparam as teclas das quais vocês recebem, digamos, de uma forma meio tóxica e nada poética. As toxinas fazem parte de qualquer configuração emocional. Os robôs do futuro estarão imunes a isso?

A ansiedade é a progenitora da ociosidade? Acho que sim, mas ainda sim possui uma relatividade ímpar, veja:

Esperar um farol abrir num sábado ensolarado indo ao parque do Ibirapuera não possui a mesma sensação que comer um Petit Gateau, mas também não te tira da sua zona de conforto, o farol vai abrir rapidamente e você seguirá o rumo que escolheu traçar no sábado.

Porém, entretanto, mas, quase tanto...

Esperar o farol da Av. Bandeirantes abrir numa segunda feira chuvosa e você mega atrasado é tão ardiloso quanto passar o Réveillon na serra. Um porre!

Abrimos nossa caixa de emails 20, 30 vezes por dia. Spams sobram, piadinhas e correntes então, mas e o bendito email que você tanto aguarda? Nada!

Apressar o tempo é perder tempo. Ganhar tempo é balancear suas expectativas. Escrever é fácil, dosar o apetite é que é o mais difícil!

Sua vontade nunca superou sua capacidade em realizar algo?

Não existe neutralidade para o ócio. Ele parece zombar da nossa cara frente a uma situação adversa. Bom seria se nossas emoções viessem dentro de frascos elaborados em farmácias de manipulação. Quer amar? Pegue uma receita a base de glicose e mel e visite a manipulação. Não quer se envolver? Transcreva algo com altas doses de racionalidade e pronto! Perfeito não?

Automedicação para a emoção é o fim da comoção!

Isso já nem me desanima mais, uma vez que não verei esse avanço científico nessa vida, o fato é que as emoções sentidas não são sentidas solitariamente, existe um complô, uma conspiração!

Acho que vou até uma farmácia de manipulação e ver se já tem algo relacionado à “Competência em inapetência”. Seria interessante controlar meus apetites, minhas vontades e meus desejos também, me expor menos, me impor mais...... Existe anorexia no amor? Não? Que pena!

Já que não existe anorexia no amor, talvez pudéssemos desenvolver um tipo mais avançado de bulimia, seria o fim dos nossos problemas e o fim dos terapeutas também!

Enquanto pensava no desfecho desse texto, fui pesquisar na Internet alguma simpatia para curar a ansiedade. Resultado: Not found!

Querendo ou não, assim como muita coisa que carrego comigo num pacote de “qualidades e defeitos de fábrica”, vou ter que conviver com essa sensação difusa e inexplicável chamada de ansiedade, mesmo assim, eu ainda repenso e reavalio minhas condições nesse ecossistema...

Pensando bem, eu acho que eu não sou tão ansioso assim, o mundo é que vive em “slow motion”...

Ou você vai me dizer que espera numa boa a espuma da Coca-Cola descer pra você encher o copo?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O universo inverso do amor


Inúmeros são os enganos que se cometem ao buscar um significado lógico para esse sentimento inquietante e insaciável que é o amor. Insaciável? Acho que não! O amor é saciável; só necessita de uma cama de casal, um acolchoado morno no inverno, um prato a mais no café da manhã e alguns afagos moderados como mostrar que tal pessoa é importante em nossa vida (blá blá blá)...

... E claro. Precisa de dois personagens proativos e aplicados em aprender com ele!

O amor não é insaciável, porém, os seus hospedeiros sim! Nós somos os parasitas do amor! Necessitamos e buscamos diariamente essa demonstração de afeto, de importância e de contágio. Sim, o amor é um vírus benigno, embora tenha muita gente tratando-o como nocivo.

O amor tem a semelhança de um protetor solar. A única diferença é que o protetor solar tem a finalidade de bloquear os raios ultravioletas do Sol, já o amor tem a finalidade de nos proteger contra aquela falta obsoleta chamada solidão. Por isso a busca incessante pelo amor.

Não é gostoso ter alguém que seja o lado certo do teu lado errado?

A palavra amor presta-se dezenas de significados na gramática. Mediante a tais significados, criaram-se vários conceitos e hoje em dia o amor presta-se (de um modo geral) ao envolvimento de frases de botequim, exaustivas e tolinhas em prol da banalização desse sentimento tão intrigante.

“Cansei, o amor que me encontre!” Engano seu! O amor não vai te procurar até porque ele não precisa de você, é você quem precisa dele. Lembra da lei da oferta e procura que você aprendeu nas aulas do curso de comércio exterior ou de vendas? Então, tem fila em busca do amor, mas o amor é o convidado VIP da festa e não fica na fila por ninguém!

“Em busca do amor”. Nem os filmes da sessão da tarde usam mais esse clichê. Acho cômico as pessoas que usam essa frase; passam a vida a reclamar seja por um amor que não vai voltar, seja por uma paixão que não quer se doar, mas quando tropeçam no amor, se estremecem de pavor: “vou ou não vou?”, ah, faça-me o favor!

“Eu não vivo sem você!” Oras, quantos anos você tem? 18, 25, 30? Se desde na incubadora você já estava apaixonado pela forma em que ela chorava e batia seus pezinhos tudo bem, é aceitável, fora isso, sim, você consegue viver sem ela!

“Amar é a ocupação de quem não tem medo”. Depende, o amor é ocupação para quem vive de amor. Exemplo? Pois bem: Os administradores de conteúdo dos sites de cartões virtuais, faxineira de motel, cantor de serenata, mestre de cerimônias de casamento... (garanto que você nunca pensou dessa forma, hein?)

“Encontrei a paz e o descanso em seu amor”. Que isso? O cara se apaixonou por alguma dona de funerária? O amor é uma espécie de intranquilidade tranqüila: O coração cansa, não descansa, não bate só apanha... Palpita no ineditismo e desacelera no comodismo. A inquietude faz o mundo girar e o amor faz a vida acontecer... A inquietude – A vida – O Amor... Essas palavras combinam na mesma frase e na mesma vida de alguém também!

Amor, um destino sem roteiro.

Ninguém sabe sobre o amanhã para o amor, apenas sabemos sobre um esperançoso quem sabe.

É bom ter um amor pra chamar de seu, é bom ter um amor pra chamar de meu, mas, acima de qualquer coisa que esteja por cima, é bom ter um amor parecido com um aventureiro que esticou o braço em busca de uma carona...

E, conversa vai conversa vem, quem sabe em meio a essa longa estrada a gente não resolva segui-la de mãos dadas?

Você era a falta que faltava para me completar nessa viagem desprendida de itinerário. Obrigado pela companhia querido amor!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sexualmente disponíveis

“Solteira sim. Sozinha nunca!” – Essa frase totalmente austera e narcísica é a culpada de toda essa lambança que estão fazendo com o amor.

Por quê?

Embora a frase seja totalmente contemporânea, esse conceito abriu novas perspectivas para uma situação que a cada dia vem sendo mais praticada por baladeiros, boêmios, galanteadores, casadas, semifixas e até estudantes de metafísica... O sexo casual!

Descasualmente conhecido como sexo casual, o sexo casual vem sendo usado como subterfúgio do amor shakespeariano. É um tipo de sexo bem malandro porque ele sabe a facilidade que oferta a todos os seus contribuintes e ainda por cima apresenta um saldo: Pode dar namoro, por que não? Se for bom que mal tem?

Sexo casual não permite hipocrisia, rejeita joguinhos fúteis e vendas meticulosas (sim, porque as pessoas sempre se vendem). Sexo casual é na lata! Limpo! Sincero! Objetivo!

Mas e o amor? Bem, o amor é aquele processo letárgico, tão lento quanto o deslocamento das geleiras do Ártico, tão lento quanto o caminhar de um Jabuti ou de uma tartaruga gigante da Ilha dos Galápagos... Haja paciência, tempo, gasolina e cartão de crédito.

Há de se ter paciência para conquistar seu grande amor com sapiência!

Não existe aquela ideologia sentimentalista de “perdas e danos” no sexo casual, a não ser se sua intenção seja conquistar o parceiro, aí sim você pode literalmente se estrepar.

Sexo casual não é pra quem tem dificuldade em envolvimento, é justamente pra quem tem facilidade em se aproximar, afinal de contas, pense no julgo técnico da coisa: você vai se deitar com um estranho, vindo de uma pós-balada, de uma pós-mesa de bar ou até mesmo após uma pós-graduação, nos botequinhos da facul. Pense na vantagem: O pós de hoje poderá ser o pós de amanhã, assim, posteriormente...

Porém, enganam-se as pessoas que pensam que o sexo casual é coisa da Geisy Arruda ou da Mulher Pêra... Esse troço é um pouquinho mais antigo (os leitores balzaquianos não me deixam mentir), hehe.

Retrospecto descasual:

O Tcháca Tcháca na Butcháca começou mais ou menos na época do Popetchen Poperô, entendeu? Em meados do final dos anos 80 e início dos 90... Época em que a vergonha não tinha vergonha de aparecer: Calças semi bag enfiada dentro do tênis cano alto, camisetas largas... Saint-tropez, calças bailarina e muita (mas muita) melissinha e babucha... Que castigo!

Nessa época o cara ainda ralava um pouco no approach e o caminho para os lençóis de um quarto de motel precisava de mais sagacidade e mais palavras, frases bajuladoras e muito “Sex On The Beach” goela abaixo...

Hoje a coisa toda se descambou para o “leva e trás”, “arrasta e leva” ou “chega e pega”, como você preferir... Causando repúdio e aversão a esse novo tipo de relação.

Aí que mora a indagação:

Relação ou felação, superficialidade ou imparcialidade? O fato é que se não fosse os excessos e os abusos levados ao pé da letra para determinadas modas que se jogam em nossas vidas, o sexo casual poderia ser um pouquinho melhor aproveitado ao invés de se tornar esse hedonismo sustentável...

Sei que isso soa caxias, mas ainda acho nobre conquistar uma mulher levando em consideração as etapas desenvolvidas por nós mesmos, as quais hoje estão cada dia mais caindo no abismo do ostracismo...

Sexo casual: Um paradigma que precisa ser quebrado ou um novo formato que precisa ser respeitado?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Chocolate? Que nada, o lance é comer palmito!

Nem em pensamento eu seria capaz de subjugar as suas criações divinas (Ó todo poderoso), mas por que o senhor foi inventar um cacaueiro?

Essa tentadora criação exerce sua importância ao longo de toda a cadeia evolutiva humana: Dos Astecas a Romeu e Julieta...

Romeu e Julieta? Sim! Registros recentemente descobertos indicam que Romeu comeu uma trufa recheada de veneno e morreu após uma terrível caganeira.

É por isso que eu prefiro palmito!

Dos tempos vividos em preto e branco para os tempos em que as mulheres se casam de branco. Casar para muitos é o reflexo contínuo do relaxamento: Os casados (cansados da vida boêmia de solteiro) se unem rumo a Blockbuster... Enquanto o maridão vai à sessão de comédia alugar o filme “A Dieta do Palhaço”, a esposa se dirige a sessão das guloseimas para encher a cestinha de tranqueiras e, mais tarde, a pança de calorias.

Resultado final: O lindo casal transformou o seu “lar doce lar” na Fantástica Fábrica de Chocolate!

Por isso eu prefiro palmito!

O chocolate satisfaz duas preferências inatas no ser humano: o ócio e a frustração, explicadas a seguir:

Ócio - A TV a cabo tá sem conteúdo, o Twitter não tem ninguém, você cansou de montar sua mini fazenda no Orkut e a insônia não te deixa dormir, o que você faz? Come um chocolate!

Você passou em frente a uma loja da “Amor aos Pedaços” e se deparou com uma saborosa cena: Uma estonteante mulher degustando uma torta de mousse de chocolate. Você chega à sua casa e associa aquela imagem terrivelmente irresistível ao seu paladar. O que você faz? Sai à procura do bendito chocolate... E de uma estonteante mulher, claro!

Frustração – Você cansou de dormir na diagonal por não ter alguém especial, levou um pé na bunda justo no dia da sua promoção profissional e gostaria de ter tudo, mas descobriu que aquela pessoa que você achou que seria tudo não é nada do que você esperava. Bingo! Chocolate na veia!
Vale ressaltar um dado curioso: Para as mulheres, o chocolate, mesmo com os riscos de ganhar dígitos na balança, ainda é melhor que sexo, simplesmente porque mesmo mole ele ainda dá prazer. Para os homens, tanto faz como tanto fez... Nós homens sempre pensamos numa maneira de burlar o “couvert” e ir direto para sobremesa...

O palmito e sua rejeição na mídia...

Todo mundo sabe o que é palmito certo? Errado! Todo mundo sabe o que é chocolate, isso sim! Não existe criança que come palmito, só gente fresca e metida a “naturalzinha”... Isso é fato!

Mais rejeitado que a Mulher Pêra, o palmito nunca foi um produto desejado pela sociedade. Ultimamente seu status vem adquirindo fama pelos balzaquianos em potencial dedicados a manter a forma porque o palmito é um produto saudável... E só!

(Abrindo uma ressalva)

“Vou te mostrar que é de chocolate, de chocolate que o amor é feito. De chocolate, choc choc chocolate bate o meu coração”. Xuxa, onde você estava com a cabeça?

Voltando ao assunto, segundo sociólogos, a falta de investimento e visibilidade no palmito é o grande fato sinalizador da sua abstinência na sociedade e do seu fraco poder de penetração nos pontos de maior comercialização... Nem música o coitado tem!

Alguém já viu um “Combo Palmito” no Burger King? E um Mac Palmito? Já chegou ao cinema e viu o Cinemark vender um saco de rodelas de palmito ao invés das lendárias pipocas? Pois é, nem eu!

Mesmo assim, eu (ainda sim) prefiro palmito!

De qualquer forma, como não irei convencer meus leitores a se renderem aos caprichos do palmito segue um pequeno aviso:

Cuidado com a maldição do cacau hein?

Se você passar essa mensagem adiante para 30 amigos, você perderá 10 quilos, se duvidar do poder do cacau e não repassar essa mensagem, você vai ganhar 50 quilos até a meia noite de hoje, vai ficar pançuda, com uma bunda de 3 hectares e não vai casar nunca mais!

Viu só? Vamos todos aderir ao cilindro branco!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Quem sabe um dia esse dia esteja longe


Um dia pensei em parar de beber. Foram os piores 5 minutos da minha vida... Psicografados abaixo em resumidas nuvens de pensamento (tipo quando o gato Garfield pensa).

04:59...

Cansei dessa tipologia noturna e totalmente fugaz chamada “balada”. Um monte de gente embriagada brincando de quem é quem num mundo de faz de conta: beija beija, pega pega, come come... Parece brincadeira de criança, mas não é!

Zumbilândia – Interessante avaliarmos a patologia pós-balada; passamos o dia vegetando, sem conexão com o mundo real, acordamos tarde, monossilábicos, hipnotizados pela ressaca que corrompe o nosso fígado... Caminhamos em pêndulo, sem vontade de fazer coisa alguma.

Ah sim, compreendo. A balada é uma necessidade vital na vida do jovem... Do jovem! Chega um momento em que precisamos reavaliar nossas prioridades e compreendermos nosso real propósito, aqui, nessa vida.

03:00...

Por isso vou parar de beber!

02:01...

Aqui, pensando comigo, tento com todas as forças separar a bebida da balada, isso não existe! A bebida é o combustível da balada, é a mola propulsora para a descontração e para a concentração também, por que não? Você entra no ambiente, avalia o cenário, e foca em algum alvo... Beber é ser estrategista. É planejar a forma da abordagem, pegar coragem e chegar junto!

A bebida é o nosso lubrificante social, por isso a balada pra quem não bebeu funciona assim ó:

- A fila tá gigante, um baita calor lá dentro, a balada tem mais gente do que a festa de final de ano da Av. Paulista.

- O cara pisou no teu pé e nem desculpas você ouviu, a meninota esbarrou em você e nem um sorriso te deu.

- O suor alimenta a sua vontade de ir embora, tua inquietação te impulsiona a imaginar sua cama e a TV ligada naquele canal de vendas de jóias (que te faz dormir em 5 minutos).

- Decisão tomada, outro obstáculo: A fila! Gigantesca e imponente, rindo do teu desespero e debochando da tua impaciência.

Você zerou na balada? Óbvio que sim!

0:59...

Mas beber tem o que eu chamo de SCC (Sintoma / Causa / Conseqüência):

- Sintoma: Você torna-se vulnerável a qualquer estereótipo e passa achar que tudo é interessante ao seu redor, abandona os seus critérios e o bom gosto passa a ser um mero conceito imaginário.

- Causa: Com a bebedeira, vem a carência afetiva desse mundo virtual que você vive. Suscetível a fazer besteria, você encosta na primeira que olhou para você.

- Conseqüência: O “day after” é o juízo final da sua bebedeira! Ao abrir as pálpebras os outros sentidos dão o veredito: Gosto amargo na boca, desgosto pelo que está vendo deitado bem do seu lado, dissabor pelo cheiro e torcendo pra que ela seja surda e não ouça você saindo de fininho!

0:00...

Bom, os piores 5 minutos da minha vida se foram e percebi que a campainha tocou e a realidade acabou de chegar, toda convidativa e bem na minha frente, dizendo:

- Vamos tomar um Sauvignon amor?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Profissão: Conquistador


“Fujo ou me entrego”? Essa talvez seja uma das principais indagações que rondam sua cabeça ao se deparar com um galanteador de primeira categoria, mas a dúvida não pára por aí: Será que foi o sorriso pretensiosamente despretensioso? Ou será que foi a forma incrível que ele me abordou diante da geladeira do supermercado?

Talvez a principal arma do arsenal dele seja realmente o elemento surpresa; a frase de efeito circunstancial elaborada de “bate-pronto” de acordo com o cenário; Uma pergunta irreverente entre a estagnação quase que perpétua de um farol vermelho; um conselho consternado durante sua série na academia, ou até mesmo (pasmem) em uma fila extenuante de banco...

Existe receita? Talvez! Quem sabe uma pitada de audácia, com uma leve dose de astúcia e uma grande porção de Inteligência... Sim! Talvez você tenha encontrado o cafajeste que faltava para apimentar a sua vida, ou para esquecer aquele ex-peguete que não te deu o devido valor e/ou ainda aquecer a sua auto-estima nos lençóis...

Talvez a percepção pelo desconhecido e o convite ao desafio sejam as mais fascinantes experiências para o mulherengo inveterado... Talvez.

Mas, que tal eliminarmos desse texto o advérbio de incerteza?

O fato é que “Já não se fazem mais galinhas como antigamente”. É isso mesmo! Os garanhões de hoje se adequaram vertiginosamente às mudanças do mundo moderno e com isso, alguns comportamentos simplesmente sucumbiram ao modismo desse século.

Amante à moda antiga. Amante de uma figa!

Don Juan foi e ainda é considerado um lendário libertino promíscuo e se tornou até sinônimo para quem tem a variedade como tempero de sua libido. Entretanto, quem conhece a história sabe que ele foi arrastado para o inferno como pagamento de suas penitências. Um castigo que faz até com que os mais desalinhados tenham fé que a promiscuidade não compensa!

Já vou avisando que as penitências para quem trai são bem piores que o limbo do inferno: Homem que trai o pipi cai, homem que chifra o saco incha e sim; homem que a cerca pula, fica sozinho na rua da amargura!

O que não tem remédio remediamos, mas será que o que tem cura, curamos?

Unanimemente as mulheres afirmam que mulherengo é que nem batedeira velha, não tem conserto. Entretanto e por muito tanto, na contramão disso, as táticas masculinas possuem objetivos mais concisos, nada de “cercar o frango”, como diz a gíria masculina. Não obstante a isso, temos um “plus” em toda essa história: vemos as mulheres cada vez mais independentes, esclarecidas e diretas, devorando muito galã por aí.

Deixe de ser quadrado e assuma o seu lado redondo! As pegadoras não podem ser mais taxadas de galinha ou piranha, isso é démodé e nem a sua avó pensa mais assim!

Mas então como definimos essa situação? E essa correlação entre garanhões e esclarecidas, entre cafas e periguetes? Existe uma bifurcação nessa mão dupla?

Já que vivemos em um mundo totalmente desapegado com a realidade e cada vez mais íntimo com a virtualidade, vale à pena amplificar nossos conceitos e abandonar aqueles antigos adágios...

Na-na-ni-na-não! Não é pra sair feito um serial kisser catando todo mundo a rodo, também não é para levantar uma taça de Don Perignon e fazer um brinde ao desapego, não é isso... Siga os comerciais metódicos da televisão e simplesmente aprecie com moderação!

Nada de exageros, mas...

... Se você deseja ser um autêntico garanhão durante a vida toda, lembre-se que o preço da fama estará bem longe do Jardim do Éden e de seus pomares de lindas mulheres, e muito próximo do paradeiro de Don Juan com um calor de rachar o cano.

Lembra da pergunta inicial desse texto que vive pipocando em sua cabeça? Agora tá mais fácil vai?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Se tocar não atenda

Toca o telefone...
- Alô?
- Sr Márcio Takata?
- Ele mesmo. Quem deseja?
- Aqui é o Joelson Santos Silva, tudo bem Sr Márcio Takata?
- Tudo bem!

(Começa o atropelo)

- Então, eu “to” ligando pra “oferecê” o mais novo serviço em tecnologia do mercado de telecomunicações. A Mimo Telecomunicações oferece ao senhor uma caralhada de minutos (desculpa, minutos ilimitados) para o senhor “saí” trocando ideia a vontade e sem gastar um real, quer dizer, gastar o senhor vai, mas é bem pouco. Entendeu?

- E sabe como? Entendeu?
- Eu explico!
- A Mimo é a primeira empresa de “Telecomunicação” 100% brazuca e já estamos com mais de 201 licitações aprovadas pela Anatel para as futuras instalações de torres de comunicação para oferecermos a melhor qualidade e o melhor atendimento em telefonia celular... Entendeu?

- Ou seja, do Oiapoque ao Chuí o senhor vai falar sem ser interrompido pelo gaguinho!? Entendeu? Hahahhaha, sacou? Gaguinho: “A-a-a lô? Tu-tu tudo b-b-bem? A lig-lig ligação tá tá pi-picotando”.” Entendeu?

- Ou seja, é a Mimo mimando o senhor com ofertas explosivas e vantagens progressivas.
- Ah? Eu não mencionei as ofertas progressivas?
- As ofertas progressivas “é” um pacote de promoções elaborado pelos parceiros da Mimo como: a Polishop, a Car System, a Telepik e as Botas 7 léguas (pra sua empregada não escorregar junto com o rodo), um item extremamente necessário porque o Sr sabia que hoje os acidentes de trabalho são passíveis de processos caríssimos?

- Mudando de operadora o senhor ganha “no vasco” um V3 novíssimo com tocador de MP3, um produto exclusivo da Polishop, um alarme da Car System, uma multifuncional Telepik, um par de Botas 7 léguas e um Cd do Latino.

- “Qué” mais? Fala sério!

- Olha lá hein? O senhor não vai achar promoção melhor que essa. É “suave”!

- Sr Márcio Takata? Sr Márcio Takata? Alô? Alô?

(Márcio retorna...)

- Oi, desculpe precisei atender o vendedor de Yakult aqui na porta. Você poderia explicar-me tudo de novo?

(Aí blá blá blá blá blá blá blá blá blá... Ti ti ti ti ti ti ti ti ti, Márcio disse a ele):

- Como é mesmo o seu nome?
- Joelson Santos Silva.
- Pois bem, eu quero assinar um plano com vocês. O que devo fazer?
- Pois bem, eu vou “precisá” dos dados do senhor.
- Serve os dados da JEATC?
- O que seria isso senhor?
- “Jesus Eu ainda Tenho Cura”. É o programa de reabilitação social onde me encontro. Como estou em liberdade condicional preciso pedir a assistente para lhe passar os dados.
- Joelson? Me diga uma coisa, como já sei desativar alarmes, será que você poderia me dar de presente da Polishop as facas Ginsu? To precisando esquartejar o vigia noturno.
- Alô? Joelson? Joelson?
- Tu tu tu tu tu tu......

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Decifráveis... Pero no mucho.


É mais fácil entender o seqüenciamento genético do homem de Neandertal, ou até mesmo decifrar bula de remédio do que entender o que esses seres inebriantes do sexo feminino pensam...

“Esbarrei inusitadamente com ela na fila do cinema (ela, a minha ex peguete), e, inusitadamente, ela soltou a pergunta:

- Oi, tudo bem? Como você está? Veio acompanhado?
- Sim, minha namorada está na fila comprando pipoca.
- Ah sim, pipoca... Então tá, já to indo embora.
- Já? Indo embora do cinema?
- Não não, do shopping. Bom, seja feliz com ela!

“Seja feliz com ela???” Como é possível emanar uma frase dessas da boca dela? Como uma pessoa pode desejar à outra pessoa a felicidade sabendo que a felicidade da outra pode ser a sua infelicidade?”

Casos assim são comuns feitos IPVA ou IPTU. Quem disse que você nasceu pra entender o que se passa em uma mulher? Se não entende, compreenda... Ame!

As mulheres são mesmo um pacote de incertezas. Talvez um combo de mistérios ou até mesmo um kinder ovo de surpresas, vai saber... Escolha qualquer alternativa dessas e siga a vida, assim, sem achar que pode adivinhar o que está por vir... “Suponha”, no máximo.

E é aí que mora o perigo, suposições nos levam para um campo desconhecido onde não sabemos dar a direção para o próximo passo... Um passo em falso e você pode cair numa
armadilha de urso ou avistar uma linda lagoa com vitórias-régias e o reflexo do sol a resplandecê-la...

É pura loteria!

Mulher, mulher, mulheres...

Em minutos me pego a pensar em uma sensação de fragilidade e inocência em uma bela e enigmática fusão de contrastes. Pensando bem, de ingênuas elas não têm é nada... Isso sim!

Mulher é uma ideia que criamos em nossa cachola... São de vidro, são de Vênus, são de porcelana, são de histórias e ultimamente (muitas) são de borracha, mas, acima de tudo, são intuitivas, abrangentes, devotas e inseguras sem razão, influenciadas por um punhado de sentimentos, por um monte de sonhos e por um bando de bobão bancando o machão...

Mandam, desmandam, deliberam e despacham!

E o que dizer então desse lance de sexto-sentido? Sexto-sentido pra mim não faz nenhum sentido, mas eu tenho medo quando minha mãe diz com o sol rachando: “André, leva um agasalho que vai fazer frio”, e não é que faz?

Como elas adivinham (entre suas amigas) aquela amiga que dá em cima de você? Afe, sai pra lá “ôh coisa” divina!

É, amigos homens...

Mulher não tem definição, mas a primeira atitude que ela dá ao te conhecer é justamente uma definição!

Enquanto tentamos chegar a uma conclusão sobre o “certo ou errado”, elas concluem sobre o “pior ou melhor”.

Mulheres são definidas, assim, indefinidamente!

Nada é exato em uma mulher. Mulher é a exatidão do inexato! Tempos atrás, elas eram previsíveis e facilmente decifradas em beijos e abraços. Hoje, tudo se inverteu e o não óbvio passou a ser algo divertido e prazeroso quando o assunto é “conquistar um homem”.

E o que fazemos? Como entendemos? Por onde começamos?

Oras, comece por amá-las! (Já não disse isso?)

Mulher, mulher, mulheres...

Sonhar, amar e sofrer... Essas palavras sempre complementarão o texto de uma mulher... Seja ele um livro de penteadeira, seja ele um Best-seller!

E, aproveitando a metáfora, mulheres são assim: Compostas por alguma fragilidade, algumas centenas de parágrafos e muitas, mas muitas reticências ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Mulheres são infinitas, e o mais infinito disso é amá-las infinitamente!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Brincar de viver

Há pessoas que brincam de tudo na vida. Há pessoas que brincam na hora errada e com o instrumento errado também: não brinque com o meu coração senão encho tua boca de sabão!

Há pessoas que brincam de vasculhar a vida alheia através de uma brincadeira pentelha chamada de Orkut. Há pessoas que brincam de matar o tempo divagando num blog, soltando a mente e pensando numa forma de entreter a gente!

Há pessoas que brincam de críticos de cinema e passam a vida falando mal das pessoas. Dedicam um tempão aos inimigos e se esquecem do bem maior que são os amigos.

Vamos todos cirandar, todos pensam em receber, poucos pensam em doar!

A puberdade passou e mesmo assim algumas brincadeiras não se desgrudaram da gente. Hoje, demos um “up grade” nessa diversão oitentista chamada de “passa e não devolve” e introduzimos um pouco do que a gente vem aprendendo com essa nova sociedade: egoísmo, egocentrismo, orgulho e soberba... Centenas pensam em tirar vantagem de algo, dezenas pensam em doar sem visar nada em troca!

O entusiástico “beijo, abraço ou aperto de mão” também foi remodelado para a nossa cultura moderna. Hoje, o “pega, leva e transa” é a nova sensação das baladas, bares e mídias sociais... Um brinde ao desapego!

As brincadeiras em sua escala evolutiva:

Na infância brincamos de bombeiro, cabra cega e de médico. Na adolescência brincamos com o destino e com as vantagens em não se desgastar pra nada. Na fase adulta brincamos de pais e filhos e a se descabelar com a pensão que iremos pagar!

E os namoricos de ontem? Sofá da sala esperando os pais dormirem; ficar trancado no quarto com os livros sobre abertos em cima da cama; passar uma aula inteira brincando de perguntas e respostas no caderno “dela”, bilhetinhos, olhares, olhares e mais olhares... O beijo era um processo que não se desesperava e aguardava passivamente o momento exato.

E os namoricos de hoje? Tudo atravessa o mesmo farol, como se fosse um contingente de carros engatilhados. Esqueçam as etapas difundidas nas décadas passadas. Hoje o beijo antecede um olhar e antecede até mesmo a curiosidade em saber o nome antes de qualquer ato... E pra “valer à pena”, é preciso terminar em cima de uma cama, sem eira, nem beira e rindo feito uma hiena da própria bebedeira!

Alguns namoricos saem até do anonimato, motivo? Alguma fatalidade por ciúmes ou possessão... Tá virando moda, bater, sequestrar e matar a namorada ou mesmo jogar o filho pela janela por ciúmes... Enfim, o “pega pega” de hoje virou um “pega pega” bem pegajoso! Sai pra lá cola de sapateiro!

É.... O dia das bruxas assolou nossa sociedade “cheia de si”, mas há de se enxergar a ingenuidade por detrás do tolo, há de se ver a beleza por detrás do feio e há de se revelar as pessoas ao mundo que estamos destruindo... Sem máscaras e sem fantoches. Deixem as marionetes em casa e ponham a cara pra bater ou pra sorrir!

(Pensando...... Lembrando..... Relembrando)

E a saudade que dá de tocar a campainha e sair correndo? De brincar de polícia e ladrão? Telefone sem fio? Queimada e batata quente?

Volta anos 80, volta! Mas volta e faça um empréstimo para o presente, solicitando alguns recursos que hoje já não sabemos mais viver sem eles: celular, internet, GPS e TV a Cabo!

Reformulando meu pedido acima. Que tal negociar uma barganha com o presente senhor passado? Traga de volta a inocência, o tempo ocioso, o bilhete feito a mão e a carta entregue pelo correio... Empreste ao nosso presente as brincadeiras dos anos 80 e a calmaria que se tratava um amor, sem burlar nenhuma fase da sua germinação!

Quem nunca quis ser um super herói? Andar pelos edifícios, sentar nas nuvens, atravessar galáxias e descobrir (quem sabe) um amor de outro mundo?

Enfim, vamos brincar de viver? Porque to vendo muita gente aí pensando só na sobrevivência!

domingo, 31 de outubro de 2010

Contos modernos do Halloween


A imortalidade sempre foi um fascínio para a mortalidade (e para os nerds também). Antigos testamentos remontam o encanto e a obsessão do homem pela vida contínua através do tempo. Entretanto, a ciência possui muito mais perguntas do que respostas: É possível o prolongamento da vida humana? É possível existir uma forma de vida interminável?

Opa, claro que é!

Junte o superorganismo de uma barata, a invencibilidade de Chuck Norris, a teimosia de viver de uma tartaruga da Ilha dos Galápagos, o DNA da Elza Soares e a força de um besouro rinoceronte (que ergue cerda de 850 vezes seu próprio peso) e pronto: Você acabou de criar o seu personagem para estrelar um filme de terror...

Esqueçam os exaustivos: Rambo, Highlander, Conan, James Bond, Macgyver, Mestre Yoda, Harry Potter, dentre milhares... Esses sobrevivem à nossa tolerância, não é o caso desse texto.

Não é difícil identificá-los, difícil mesmo é catalogar quem vem em primeiro, mas vamos por partes (como Jack, o Estripador):

O mais lendário é o temível Conde Drácula. Personagem fictício que deu origem à obra literária do oportunista Bram Stoker, escrito em 1897. Esse personagem foi inspirado num príncipe maluco chamado Vlad Tepes, que empalava seus inimigos e depois bebia o sangue deles... Ele morreu há séculos, mas desde o dia 05 de janeiro de 1969 está encarnado no corpo de Marilyn Manson.

Em tempo: Diz à lenda que as árvores em que o Conde Dracul empalava seus adversários se chamava Nilami, daí surgiu a groselha Milani (Nilami ao contrário). Sucesso de vendas nos anos 80! Garanto que sua mãe a colocava dentro da sua lancheira junto com bisnaguinha...

Do colégio oitentista que te obrigava a usar uniforme azul e tênis iate branco para os gritos histéricos na cozinha de uma casa qualquer...

Para mim, os filmes de terror começaram com o psicopata Michael Meyers. O serial killer é obcecado em fazer strognoff com o bucho da irmã. Passou 15 anos em um sanatório e sobreviveu a vários atentados: Coquetel Molotov; tiros; mesadas; vasadas; pratadas; facadas (Facas Ginsu) e bombas de efeito moral como “Fala que eu te escuto”; “Brasil Urgente” e “A Fazenda”.

Tão feio quanto o Fofão e tão assustador quanto a Cuca, o meu segundo da lista se chama Freddy Krueger... O cara é macabro e sarcástico (mata dando risada).

Eu pergunto a vocês: Quem nunca sonhou com esse personagem que atire o primeiro travesseiro! O cara era freak total!

Na onda do “morra e deixe voltar” temos o implacável e afetado Jason Worhees. O cara é um perfeito genocida e já sofreu todos os acidentes imaginários dos filmes de “A Face da Morte”. Confira:

Dossiê do Jason (By Wikipédia):

Cases de sucesso: Pendurou 85 corpos em árvores ou em tetos / Matou suas vítimas com arpões, facões, lanças, estrangulações, decapitações e afogamentos num total de 285 pessoas (número aproximado – Fonte: Mortis Populi).

Vaciladas: Foi esfaqueado 106 vezes / Levou 20 machadadas / Teve seus dois olhos perfurados / Perdeu 4 dedos da mão / Teve o pescoço quebrado e foi eletrocutado, esmagado, decepado, queimado, afogado e explodido.

Explodido? Isso mesmo! O problema é que depois da explosão, Jason teve seus restos mortais jogado num lago onde uma empresa (ilegalmente) jogava seus dejetos tóxicos no lago. A empresa era a Loctite e a substância tóxica era a Super Bond. Entendeu o processo?

A Reuters já vazou na Net que a escritora Stephenie Meyer vai fazer um livro sobre Jason, intitulado: “Jason, um morto vivo totalmente “treze” vivendo em plena sexta feira 13.”

Infelizmente, o espaço não permite me aprofundar em mais personagens (vou deixar para os próximos Dias das Bruxas). Entretanto, vale mensurar os “chupa cabras” do mundo moderno:

- Britney Spears careca: Qualquer semelhança com o Tio Chico da Família Adams é mera coincidência.

- Lady Gaga pós-coito matinal com o “Ale Ale Alejandro, Ale Ale Alejandro” (Fernando ou Roberto): Deu pra imaginar aquela esquelética acordando? Não imagine, é insônia na certa! Nem rivotril ou lexotan vai resolver!

- Marina do Partido Verde: Imagino a sua humilde infância: Mamadeira de tapioca, farinha de rosca e calango com amendocrem. Eu sou feio, mas ela nasceu virada!

Voltando ao foco, a pergunta que não quer calar continua sem calar:

Como eles sobrevivem? O que os tornam indestrutíveis? Talvez uma quantidade anormal de silício orgânico no organismo? Clonaram o Raul Gil, o Sílvio Santos ou o Mandela? Descobriram como reparar o código genético da Dercy Gonçalves?

O mistério continua, entretanto, o mais divertido mesmo é no dia 31 de outubro chamar os amigos, invadir a locadora e alugar todos esses filmes, porque para nossos personagens favoritos, a vida eterna é meramente atemporal...

Happy Halloween, com poucos doces e muitas travessuras!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Guarde o seu sorriso para mim


Se passar o tempo das luas de saturno organizando os anéis de saturno pra gente se reencontrar, você vai guardar o seu sorriso para mim?

Mesmo se o nosso amor calcular injustamente as horas por meses, os dias por anos e cada pequeno vão desse hiato se transformar em uma eternidade... Você irá guardar o seu sorriso para mim?

Quando as contradições, a ansiedade, a necessidade e a ausência se transformarem na mais fiel das presenças e a esperança se ajoelhar sem forças, você vai guardar o seu sorriso para mim?

Será que se a vida alterar o seu rumo, o seu destino e a sua causa e efeito forem obsoletas diante da nossa vontade de estar junto, você vai guardar o seu sorriso para mim?

Os homens e o seu universo inverso:

Guardo seu sorriso em fotografias, numa pasta dentro do meu note e dentro dos “meus documentos”. Um mundo de harmonia compactada em 2 mega!

Guardo seu sorriso quando meu dia cai dentro da noite e, mesmo num poço fundo e sem luz, teu sorriso resplandece.

Guardo seu sorriso quando viro o corredor de um supermercado e me esbarro com alguém usando o seu perfume. Encaro discretamente a pessoa, analiso, comparo, mas você permanece incomparável, indivisível, unânime.......... Única!

Sim, eu guardo seu sorriso em pequenos fragmentos da minha vida, nas grandes conquistas e nas inevitáveis perdas, como (por exemplo) a perda do seu sorriso físico e material.

Compreendo respeitosamente a importância das promessas, mas acredito que beijos não são contratos e abraços não são cláusulas. As promessas prometidas e não cumpridas saem de cena e dão vazão a outras promessas prometidas no lugar das promessas partidas ao meio.

As promessas são cíclicas!

A vida necessita de renovação. Faça o mesmo que eu e busque inovação em outro sorriso!

Se a nossa vida individual já é inclemente, inexorável e implacável, o que dizer de uma vida vivida no coletivo? Não quero descarregar meus erros e imperfeições em você, vou viver no singular porque o plural desbotou e deixou de ser cintilante e vibrante... Perdemos a combinação, a fórmula da aceitação e da adequação.

E o que resta? Desculpas! Desculpas atrás de desculpas e que culminam sempre em uma desculpa final.

Você me desculpa? Conseguiria me desculpar por não querê-la mais? Desculpa o que lhe escrevo agora?

Ouço uma voz soprando em meu ouvido as palavras que aqui se materializam. Me chame de covarde, me rotule de medroso, mas o medo advém de uma experiência de desamparo, fragilidade e seqüelas. Resgata antigos fantasmas e nesse momento, esses fantasmas invadiram meu ser. Não consigo mais te fazer ser o que você sempre foi comigo!

... E, entre o contentamento de tê-la e o descontentamento de perdê-la, eu fico com o risco do desconhecido, com a emoção incerta do inédito. Vou tentar a sorte mesmo sabendo que o amor odeia jogos e não passeia com o acaso.

E de caso com o acaso eu não caso. Fico sozinho caminhando passo a passo, agora, sem o compasso dos teus passos.

Fique bem, porque a bem da verdade eu sempre te quis bem!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Felicidade não tem atestado de existência


Provavelmente você já tenha visto ou lido a trilogia de “O Senhor dos Anéis”, ou visto apenas um dos filmes e se cansou de tanta fantasia, ou não viu nenhum, mas já deve ter lido-o nas indicações de filmes da Veja, em algum guia de cinema da época ou mesmo em comentários da crítica cinematográfica... Pois bem:

É fácil recordar que um certo anel é o apêndice dessa obra literária cuja venda ultrapassou as 150 milhões de cópias vendidas. Pois bem:

Vamos focar nesse anel tão cobiçado e tão desejado por várias sociedades e por vários povos. O mesmo anel é motivo de separatismo entre amigos, desavenças entre povos e cobiça pelo seu poder infindável... Assim é o filme, resumidamente, bem resumidamente.

Das telas de uma sala retangular de cinema para o cotidiano angular dos seres pensantes. Se fôssemos (paradoxalmente) dar uma alcunha particular para este anel, eu (pelo menos) o intitularia de “felicidade”.

Ahhhh, doce intrépida e fugaz felicidade... Passamos a vida a te ambicionar pelos confins dos quatro cantos desse mundo redondo... Inclusive já somos iludidos por você desde criancinhas, programadas para aceitar somente você e nada mais. Uma vivência típica de filmes romancistas cuja frase final culmina em “e viveram felizes para sempre”.

Somos bilhões de “Frodos” em busca do anel ilusoriamente fantasiado de felicidade!

Em busca desse desejo imoderado, muitos correm contra o tempo, outros muitos ficam no aguardo desse momento triunfal e poucos saem de suas aldeias, descalços, com a esperança numa mochila velha e a perseverança num cantil de água.

Os que correm contra o tempo fazem como os fatídicos râmsters de laboratório correndo dentro de uma gaiola sem chegar a lugar algum; os que ficam no aguardo, aguardam tanto o momento esperado que esse momento passa, volta e repassa novamente que tais pessoas nem se deram conta que a vida passou tão rapidamente. De tanto esperar, viu a vida passar e a morte chegar...

Os mochileiros munidos de coragem desbravam a densa e enigmática vida e transformam a zona de conforto em renúncia de desconforto. Pra que ficar nessa vidinha cotidiana de “levanta, trabalha e estuda”? O legal é correr atrás de aventura e, não digo as aventuras medievais dessa inebriante trilogia, mas sim da nossa Torre de Babel...

Quer ver?

Mande o seu terapeuta se lascar! Retruque sem eira e nem beira as injúrias que o teu chefe tanto proclama contra você! Aumente o fone do teu ouvido num limite que você simplesmente possa se desligar dessa poluição sonora, maldita e mundana!

Não economize! Utilize todo o seu estoque de “vai à merda” e “vai se foder”, afinal de contas, pra que armazenar? Xingamentos não são commodities, são prestações de serviços e se você foi destratado ou desvalorizado, mande mesmo para aquele lugar.

Amplifique-se! Agigante-se! Simplifique-se!

Diferente de “O Senhor dos Anéis”, quem faz a ficção somos nós, tolos ingênuos que acreditamos num milagre. Viva a realidade, a ficção vem da realização da própria realidade, senão, pra que sonhamos acordados?

Liberte-se das manias e hábitos sustentados por protocolos medíocres e banais da nossa sociedade, a maioria é propensa a acreditar que Deus é o plano de fundo: se fracassamos culpamos Deus e se vencemos damos graças a ele? Equilibre-se em seus julgamentos!

Reverencie a ele quando abrir seus olhos de manhã. Cultue sua capacidade de absorção, de aceitação, de capacitação e sua eloqüência de rejeitar algo com nobreza e educação.
Sorria! Hoje a internet não caiu, o trânsito fluiu, a academia rendeu e a preguiça se escafedeu!

Manifeste gratidão! Sua atitude foi reconhecida, seu trabalho foi agraciado e sua namorada te idolatrou por isso!

Agradeça ao DJ também! Que tocou uma música que você não ouvia há anos e que te fez reviver cenas que você nem lembrava mais, você sorriu e dançou a noite inteira, dando as boas vindas a mais um dia de aventuras e de inquietação.

Moral da história: A vida? É assim, fácil de se viver!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Meditando primaveras


É no cair da noite, mais precisamente quando a madrugada despenca mudando todo um cenário que você ressurge...

Ressurge em migalhas de pensamentos, em fragmentos da minha memória já desiludida com as traquinagens da vida... Ressurge assim, distraidamente, como bate o coração...

... E o meu coração percorre anos luz de ternura em busca de novos esbarrões, novas sensações sentidas ou precedidas de sensações já sentidas, afinal de contas, o amor não é renovação?

Quanto mais vivo menos eu me queixo. Nada tive nessa vida que não merecesse: Dos murmúrios às lamentações; dos fracassos aos abraços; dos suspiros aos retiros; do desespero ao aconchego...

Essa madrugada (sem título aparente) é o cenário “dramático/perfeito” para este momento. São horas angustiantes onde o sono nem sequer passou pela janela do meu quarto, enquanto isso eu me sinto farto, cansado, angustiado... Escrevo teu nome numa folha de papel almaço. Rasgo ou amasso? Não consigo me conter e passo a madrugada tentando não te esquecer!

Gastei 30 mil reais em terapia e me acontece isso?

E nessa minha epifania sentimental rudimentada, vejo que o que acaba um relacionamento são as expectativas irreais e as perspectivas surreais que criamos em torno dele e em torno de seus personagens. Abafamos os problemas, mas de vez em quando eles emergem como se fossem baleias a procura de ar...

A superação sempre levantou o dedo dizendo “presente” nas aulas calorosas e insólitas do verbo “relacionar”.

Bastou a superação "faltar" um dia e tudo acabou. Assim é o amor pra quem o renegou:

Um dia sem o teu amor:

A presença imaterial surge como uma força descomunal, quase que física da pessoa que abandonamos. Do estado penoso da separação para o estado culposo da anulação...

Sim, anulação sim! Eu me abreviei depois que ela partiu, eu parecia um boneco de playmobil ao lado dela, só sorria! Hoje? Pois o “hoje” em breve será um amanhã e que depois será um depois, pra depois ficar em nosso álbum de recordações, eu e ela, nós dois!

Uma semana sem o teu amor:

A chuva desaba lá fora, aqui dentro só piora, porque foi nesta hora (há 1 ano, 6 meses e 15 dias) que nos conhecemos. Chovia lá fora e num breve momento de poesia, teu beijo me fez esquecer a chuva que caía.

Um mês sem o teu amor:

Ao seu lado, meu calendário da solidão vivia em pleno feriado. Hoje tomei coragem, fui até a cozinha e virei essa página que agora já não mais me pertence. É preciso tentar caminhar, dia a pós dia, assim, distraidamente, como bate o coração.

Preciso doar este espelho aqui do corredor, porque as saudades que ainda sinto por você refletem nesse espelho, que um dia foi tão reluzente por sua presença, mas hoje reflete o fantasma da tua ausência.

Um ano sem o teu amor:

Ainda me pego a dizer palavras mágicas no vazio desse quarto. Uma vontade incontida de querer amar, um desejo irrefreável de querer se doar ou uma tentativa espiritual de te fazer voltar? Talvez sim, talvez não, vai ver que esse talvez se fez em um simples talvez!

Muitas coisas nós não aprendemos dentro de casa, mas sim com a nossa intrépida curiosidade pelo desconhecido, por isso sigo a vida me esbarrando com estranhos conhecidos e divertidos desconhecidos...

Sofre-se mais vezes pela morte de uma ilusão ou pela perda de uma realidade? Melhor estar com a pessoa certa com os motivos errados ou estar com a pessoa errada com os motivos certos?

Sob o signo de virgem caminho entre as folhas da primavera de setembro em busca de outro esbarrão, afinal de contas, encarno o amor como uma eterna renovação.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Discussão com uma ereção


Isso não é receita de urologista nem papo de psicanalista. O fato é que não existe discussão com uma ereção!

Não existe legitimidade em discutir com a nossa segunda “parte” pensante da nossa magnífica e perfeita estrutura corporal. Quando o cérebro (de baixo) resolve assumir o diálogo sai de baixo, ou melhor, sai de cima... Não tem acordo entre o “vizinho” de cima com o “vizinho” de baixo, as cabeças só interagem entre si até a segunda página...

Os primórdios da discussão...

Discussões são processos intelectuais primitivos e tão antigos quanto o Plínio Arruda, entretanto, há de se ressaltar que, ainda na época em que o arco íris era em preto e branco, a ereção já ocupava o posto de “discussão sem conversa”.

Em tempo: Discussão sem conversa é um debate sem equilíbrio ou hospitalidades, é um bate boca onde se tripudia sempre quem tem a razão, quer dizer, a ereção, nem que para isso o oprimido tenha que defender sua tese com gritos, histerias, choros ou até mesmo se ajoelhando... Só pra tirar uma casquinha e satisfazer sua vontade de baixo e o seu ego de cima.

Os primórdios da discussão entre o sexo oposto...

Desde as primeiras fêmeas, nós homens (na época, sapos) brigávamos sobre qualquer assunto: lagoas, futuros girinos, acasalamento etc...

À medida que as pererécas evoluíram e pararam de saltar, as discussões ganharam um maior dinamismo e hoje discutimos por vários motivos tolos:

- Nem com a luz acessa você não reparou que ela fez luzes no cabelo.
- Ser cantada, cantada, cantada e depois desaparecer sem deixar rastros.
- Entrar no MSN e não responder quando ela te chama.
- Não responder as mensagens de texto.
- Cochichar entre amigos homens.

Se você deseja quebrar o pau, siga um dos tópicos acima!

Nós machos, aceitamos as discussões, os debates e as incógnitas de um relacionamento, nós só questionamos tudo isso em apenas um ponto:

Pra que discutir a relação na hora de uma ereção? Isso não é hora para exageros emocionais ou crises existenciais. Poxa, cadê a etiqueta feminina que vocês tanto falam e defendem? Discutir relação na hora do sexo é uma total falta de educação, uma puta sacanagem!

O psiquiatra Paulo Fodêncio Ramos explica que uma DR (ao contrário do que pensam) estimula a harmonia entre o casal e é um profundo encontro com seu próprio eu.

“É possível (inclusive) discutir a relação durante o sexo. O sexo pode e deve estar presente em todos os âmbitos de sua vida, mesmo não fazendo sexo é bom fazer sexo, entenderam? Veja o seguinte exemplo: a Marta Suplicy deixou de ser sexóloga, mas ainda continua fodendo o povo!”, completa o psiquiatra.

Alguém perguntou se eu quero uma DR? Puta abreviação barata, parece nome de DST, isso sim! Nós homens lutamos pela RS... Se você não entendeu aperte a tecla SAP do seu note: RS = Relação Sexual.

Felizes eram meus avôs e meus pais que não discutiam relação, era na base do vai ou racha! Hoje, a ordem funciona inversamente, primeiro racha e depois vai.... Vai para uma terapia de casal, psiquiatra, psicanalista, pai de santo... Benditos sejam!

E agora você deve estar se perguntando: existe coisa pior que uma DR na hora errada?

Claro que existe!

Existe a NSN (namorada sem noção). Aquele que quando você está todo empenhado ela lhe pergunta: “- Amor? Você tirou o frango do congelador?”

Nessas horas da vontade de ser um HSN (homem sem noção) e retrucar dizendo:

“Amor? Por que sua xerequinha tá soltando pum?”

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Desgaste de um contraste


Ação poetizada em versos contados pelo próprio ator:

“Os contrastes que vejo em minha televisão já não me encantam de emoção.
Sou dominado, possuído e alterado pela indignação.

Posso fazer algo? Até essa linha não!

Novelas, reality shows, seriados, filmes? Os contrastes que vejo saem da minha televisão e tropeçam e uma abrupta indagação: Ter ou não ter? Eis a questão!

Em um mundo onde se reverencia o busto mais empinado, o carro todo importado, será que não cabe um pouquinho de compaixão nesse hiato chamado de espaço?

Posso fazer algo? Talvez não!

Um passeio de moto, um farol fechado, um olhar abalado, um pirulito ofertado e esse mesmo olhar, antes embriagado de desamparo, sorriu emocionado...

Ela sorriu e eu chorei em desgaste, desgaste pela desigualdade desse contraste: Enquanto uns reclamam da vida farta, outros proclamam por uma vida grata!

A vida e a arte da mutação imediata. Pintamos quadros felizes em nossa mente infeliz, porque ser feliz não é desejar ter o que nunca quis, é ser o que nunca se pensou ser.
Ter e não ser, ser e não ter? Eis a questão!

Hoje, inesperadamente, o frio cortou meu rosto e gelou minhas lágrimas que caíam por tanto desgosto. Vivo nessa sociedade muito além do meu contragosto, porque hoje vejo uma máscara ao invés de um rosto.

Hoje, inusitadamente e por breves minutos, eu me coloquei em outro espaço, no mesmo tempo e em outro cenário que para muitos (em seus edredons e em seus computadores) são inimagináveis pra se imaginar. Me diga: Em uma única vez você já pensou em ajudar?

Em meio a essa fusão contraditória de disfunções contrastuais eu me pergunto:

Posso fazer algo? Por que não?

Vidas passageiras e almas companheiras, acaloradas e unidas por uma ação que um dia me fará feliz; talvez em outra jornada, ou na concepção de uma vindoura alvorada...”

Ação contada cruamente pelo próprio ator:

Hoje, um dia comum com ações costumeiras exceto pelo que descreverei abaixo.

Noite fria, vou ao parque em busca de aquecimento ofertado pelas corridas rotineiras no Ibirapuera.

Retornando para casa, vejo uma cena e recebo um presente. Na verdade eu fui com a intenção de dar um presente...

... Ao dar um simples pirulito para uma criança que comia uma pizza no chão juntamente com suas duas irmãs e sua mãe, recebi um ato inusitado e muito educado: a menininha correu em minha direção para me dar um abraço...

Ela sorria com os olhos! Eu chorei com a alma!

O gesto tão nobre daquela menina de rua me congelou e me aqueceu. Fui chorando pra casa, catei uma sacola e coloquei tudo que via pela frente: chocolates, guaranás, dezenas de balas e por que não pirulitos? Eu queria ganhar mais um sorriso daquela garotinha que não passava dos seis anos de idade.

E ganhei!

Agora, sentado de frente para o meu computador eu me pergunto:

Posso fazer algo?

De certa forma eu fiz, eu fiz uma menininha feliz!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mundo árido



Em um mundo árido, poucas coisas sobrevivem e resistem às intempéries das oscilações desse universo... É preciso se ajustar.

“Ajustar”... Um verbo peculiarmente individualista, ou egocêntrico, como queira. O verbo ajustar me remete a pensar em adequação, combinação e por aí vai, entretanto, a maioria das pessoas só se “ajustam” ao bel prazer do seu próprio prazer, obviamente. Taí a defesa da minha tese sobre individualidade ajustável.

Individualidade ajustável? Impossível! Cada um tem um jeito único de ser único, porém, um jeito diferente pra cada conjugação verbal: teclar, falar ao celular, ignorar, choramingar, agradar, etc etc etc, menos se ajustar....

“Ajustar”... Em um mundo árido, somos forçados a encarar esse ajuste a todo e qualquer preço, uma vez que nesse mundo a nossa catequese é baseada no conceito "levanta, sacode a poeira e dá volta por cima". Malabarista é pouco pra se equilibrar. Faça algum curso na NASA ou sobre a força G.

Em um mundo árido, por mais que não exista um alicerce sólido e constante, ainda assim, é possível se equilibrar diante das chacoalhadas e dos solavancos súbitos e repentinos... Agora, e o terreno do amor? O terreno amoroso é uma autêntica e encarnada pista de patinação, uma olhada pro lado e “pumba”, você trombou em alguém ou bateu com a bunda no chão.

Passamos uma vida inteira atrás de outra vida; queremos e sentimos a necessidade de ser feliz e fazer feliz... Alguém pra pegar na mão, pra dizer mais sim do que não e pra pedir e aceitar o perdão, por que não? O amor que você nega é o rancor que você carrega!

Por isso é bom ser bom. Por isso que nossa alma gêmea não foi feita pra casar, ela foi feita pra se ajustar!

Nossa escolarização não nos ensina sobre as pradarias ensolaradas do amor, é preciso fazer as malas e se aventurar, entretanto, o que se aprende na sala de aula nos orienta a nos localizarmos nesse mundo árido e tentarmos (pelo menos) a seguir um caminho...

Uma coisa é certa. Quem é artista nessa vida ludibria o sofrimento, dá rasteira na angústia, dribla como ninguém os estorvos da raça humana e enxerga além do que vê... Os artistas se sobressaem desse “mundo ajustável” porque são proprietários de um bem absoluto e excêntrico: a arte!

A arte em enxergar a beleza do desengonçado, arte em pintar um lindo céu azul em plena tempestade, arte em ver um bebê brincar com bolhas de sabão, arte em saborear pausadamente um pão de forma quentinho, arte em traduzir expressões para uma folha de papel almaço... Arte pela vida simples, pelo reconhecimento e pelo companheirismo!

Avaliar a arte pelas bordas: Pequenos privilégios despercebidos aos olhos dos insolentes e arrogantes que só possuem a arte de complicar as coisas.

Pra que esperar um milagre homérico vir dos céus se podemos alcançar o bem estar platônico aqui mesmo, da terra?

Qualquer um pode ser artista!

Sofrimento e harmonia formulam o quadro da vida. O milagre e a magia consistem em enxergar as pequenas nuances desse quadro tão minucioso e detalhista e entender que na arte é possível encontrar o inabalável equilíbrio da vida.

Para fins didáticos, tudo precisa de uma nomenclatura, e eu nomeio isso de amor, a arte do amor!

Seja um artista!

Transforme esse mundo árido em uma obra de arte feito a tinta. Só não use tinta a guache ok?

Luvas e pincel na mão?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Calma, tome mais um café


O tempo passou rápido! Pra onde vão os dias que passo? Será que vão para o mesmo lugar dos passos que dou no meu dia a dia?

Sei pra onde meus passos me levam, mas já passei pelo passado que passou... Passei por tantas vidas, mas não estacionei em nenhuma. Simplesmente olhei, admirei e passei. Afinal de contas, pra que parar em uma história se eu posso passar por centenas?

Ter pressa é normal! Anormal é ter pressa em coisas que tecnicamente deveríamos ter calma: Noivar sem planejar, gastar antes de receber, dedicar-se sem amar e ferrar quem diz te amar, ter pressa em chegar e pressa em sair, enfim...

Passo ou repasso?

Nessa eu passo!

Ah se o ontem ainda fosse amanhã e se o amanhã ainda fosse daqui a um ano...

O tempo não pára! Os aniversários e as emoções também, pro nosso bem, ainda bem. Já pensou se o nosso coração parasse antes da hora? Mas que hora? O coração não tem hora, só os relógios que tem as horas e suas horas a mais, onde nós, tolos ingênuos, corremos diariamente pra ganhar uns míseros minutos a mais em nosso tempo!

Olho no espelho e me perco no tempo, quando me acho, me assusto e de bate pronto lanço minhas ofensas: Seu espelho diabólico filho de uma mãe! Por que você fez isso comigo? O que foi que eu fiz? Sempre paguei minhas contas sem atraso! Nunca, mas nunca dei sequer um mísero cheque sem fundo, nem bala Juquinha tinha coragem de roubar no mercado...

O que foi que eu fiz pra você me transformar nisso? Meu pai me enganou a vida toda! Sempre me dizia que meu pipi ia crescer até os 21 anos, mas nunca me disse que um dia ele iria diminuir vergonhosamente e, no lugar desse encolhimento, um virtuoso aumento em minhas orelhas.

Caráca?! Eu pareço um mamute! Orelha grande, nariz grande, pesando toneladas e o que é pior: vivendo com uma elefanta do meu lado.

Não, não! Eu não estou brigando com você, não não, isso é um desabafo, espelho, espelho meu!

Bom, eu me recuso a brigar pra saber se estou brigando com você! Só não posso contar mais com a sua bondade, até 10 anos atrás sentia que você me dava um retorno carismático, me dizendo as coisas que sempre quis ouvir... Hoje você me dá esse transtorno.

Pensando bem, sempre te quis bem! Nesse julgamento existem cúmplices e não posso atribuir todo o meu pesar nas tuas costas. Será que o tempo sofre da coluna?

De certa forma sempre vivi com pressa e sem tempo pra nada. A falta de tempo não me dava tempo pra ter tempo de fazer as coisas que hoje sinto falta. O tempo nos dá tempo de sobra pra sentir saudade, irrevogavelmente!

Perdi tempo tentando encontrar a perfeição nas pessoas que passaram por mim e hoje vejo a perfeição do tempo em me fazer sentir tão arrependido... Perdi tempo com o tempo: engoli ao invés de mastigar! Dei uma simples olhadela quando era para admirar profundamente! Puxei pelo braço quando era pra pegar pela mão! Pulei quando era pra engatinhar!

Será que ainda vou poder dormir até tarde, acordar e simplesmente contemplar o teto?

Será que ainda vou poder assistir a filmes antigos e relembrar dos atores nas épocas de sua juventude? Todo mundo tem um filme em especial. Se você sorriu agora é porque você também tem um!

Será que poderei ouvir aquela música que, em particular, me transporta para um mundo totalmente diferente desse que habito?

Posso deitar na grama de um parque qualquer, esticar os braços e as pernas sem pensar em absolutamente nada?

Posso dizer ao meu amor que ele sempre foi um amor comigo e que os momentos em que mais sorri nessa vida, ele era o motivo?

Querido tempo, ainda tenho tempo pra tudo isso?

Então eu ainda sou feliz!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Dizer "não" parece que dói

Pode até ser indecoroso, ultrajante, indelicado e grosseiro, mas na contramão de tantos impropérios (mais tarde) você perceberá que era bem melhor ter sido transparente e ter dito “não” do que deixar que a pessoa adivinhe...

Semancol não vende em farmácia e nem tem receita pra manipular, mas cá entre nós, sejamos sinceros: Ser sincero é a maior sinceridade que você pode oferecer, em breves palavras, fala logo não cacete!

Esqueça esses livros imbecis e pragmáticos de auto-ajuda. Só existe uma maneira de dizer não, basta juntar a letra “n”, a letra “a” e a letra “o”, para apimentar e encorpar a receita acrescente um til em cima do “a”, pronto! Está pronto! Você disse um não e pronto!

Doeu?

Em você não, na pessoa sim!

Entretanto, e depois de um certo tanto, a pessoa que levou o “não” vai se adaptando, se acostumando e também vai aprendendo com ele, por que não? Levar um “não” nos arremessa para uma nova realidade e para novas oportunidades também...

A despeito do que observo por aí, vou soltar uma pergunta por aqui:

Por que as pessoas ainda têm dificuldade em dizer não?

Capricho? Vaidade? Malandragem? Coragem?

Mesmo desconhecendo a razão da falta de um “não”, sim, eu não vou me calar e vou dizer pequenas nuances que premeditam um não, mesmo antes de você pensar em receber um “não”:

No universo corporativo, a terminologia da secretária em dizer “ele (a) está em reunião” é a mesma coisa que dizer “não, ele não quer te atender”. Simples não? Mas aí você se questiona: Não era mais fácil dizer: “não, ele (a) não quer atendê-lo no momento” ou “ele (a) não está interessado em seu serviço”?

Causa e efeito: deixar de dizer um “não” na esfera corporativa acarreta em perdas, danos e ganhos:

- Perde o imbecil que mal sabe o que você tinha em mãos para oferecê-lo.
- Danifica o indício de um relacionamento, e o mundo empresarial vive de networking.
- Ganha a Anatel porque você perde minutos preciosos toda vez que a bendita da “secretina” te enrola.

Capricho, vaidade, malandragem e coragem...

Essas quatro teorias formulam uma empreitada negativa na relação amorosa dos seres pensantes (somente nos seres pensantes) porque o Discovery Channel é o âmbito onde mais se levam “foras e patadas” e nem por isso os animais desistem de suas fêmeas. É por isso que o leão é o dono majoritário da savana: se leva uma patada, vai logo xavecando outra leoa.

Quanto aos seres que pensam que pensam, dizer “não” é sinônimo de medo, receio, dó e malandragem:

- Medo do que vai ouvir.
- Receio do que estará por vir.
- Dó e pena por simples compaixão (só compaixão mesmo).
- Malandragem em “preservar” o interessado para quem sabe, naqueles dias sombrios e frios, utilizar o otário ou otária de alguma forma.

Até nas mídias sociais vemos o medo de dizer não:

No MSN as pessoas bloqueiam o fulano, mas não são capazes de deletá-lo. O Twitter é uma exceção porque você simplesmente para de seguir o sujeito e no Facebook ninguém tá nem aí pra isso...

Quer tirar aquela pessoinha do teu escopo de amigos do Orkut? Tira logo ué! Por que o medo de dizer a si mesmo: “Não, não quero essa pessoa na minha página”? Recebe torpedos mais do que a Marinha e tem medo de falar logo a real? Não tem pena da pessoa gastando horrores no celular?

Dizer “não” administra o tempo da humanidade, dos hemisférios, do universo e da órbita hipócrita que você gravita!

Lembre-se: as pessoas não são panquecas pra você ficar enrolando-as, diga logo um não e quem sabe um dia, receberá o perdão por ter dito não!

E não, essa crônica não é endereçada a ninguém!

O intuito é mostrar que o “sim” e o “não” são conceitos interligados entre si e coexistem em nosso meio para serem utilizados... Então por que dizer sempre e somente o sim?

domingo, 3 de outubro de 2010

Sunday? Só se tiver calda quente!

É possível unir na mesma oração as palavras nostalgia, mesmice, improdutividade e monotonia? Claro que é, basta viver um dia de domingo!

Domingo é um dia uniforme repleto de uniformidades em sua essência; basta avaliar as atividades e os hábitos que a humanidade desenvolveu ao longo da sua existência na terra...

Os povos pagãos pagavam pau para seus Deuses, mas a constância empoçada desse dia começou por culpa do cristianismo, que decretou que o domingo seria o dia do descanso, ainda bem, porque na contra mão dessa escolha vinham os adventistas que achavam que o sábado deveria ser o dia do descanso.

Alguém já imaginou o sábado com cara de domingo? Justo o sábado? Bom, pra gente xarope, nem xarope cura! Ainda bem que o cristianismo venceu mais uma!

Agora, vem cá, me diga uma coisa: Por que o descanso cansa?

Atividades curriculares e extra curriculares de um domingo:

Solteiros...

- Acordar de ressaca (o despertador é a enxaqueca). Ligar o note e acessar todas as possíveis redes sociais (interação matinal). Almoçar (arroz com frango e salada de maionese ou macarronada). Passar a tarde confabulando sobre a noite (desejos e sonhos).

Casados, unificados ou juntados...

Embora a maioria do comércio esteja fechado, domingo é dia de passar com a “filial”. (desculpem a brincadeira) não poderia deixá-la passar em branco.

Bom, vamos lá... Casados, unificados ou juntados...

- Acordar cedo, pegar os filhos (se tiver) e passear no parque do Ibirapuera com a família. Pegar fila nas churrascarias ou ver o frango assado ficar rodando na padaria. Almoçar na sogra, suportar piadinhas, tolerar comentários e se fingir de otário.

- Cochilar à tarde, assistir o futebol na Globo, ir da sala à cozinha 100 vezes feito um bobo (hibernar mais um pouco) ou passear no Shopping e manter o estresse dos dias comuns de trabalho (trânsito e dificuldade em estacionar, falar, andar e comprar). Chegar cansado, rodar os canais fechados, ver o tempo passar calado, bodiado.

Adendo: Dependendo da classe social: Passear no Playcenter. Trabalhar no call Center, organizar churrasco na laje, fazer racha com carro tunado com boné virado pra traz como traje (afe, que ultraje) ou: Passar o dia inteiro dentro de um parque, gritando, berrando, sujando e farofando.

Ao contrário da peça “Trair e coçar é só começar”, aos domingos respeitamos três fundamentos: “Dormir e babar é só pra constar”. Nos dias de domingo, difícil mesmo é saber quem é o criador e quem é a criatura.

Liguei para a criatividade no domingo, mas só deu caixa postal!

Até o vestuário é o mesmo (calça jeans, tênis e camiseta), basicamente o básico para um dia amplamente básico.

E o ABC do nosso abecedário? As 25 letras se ajoelham e reverenciam apenas uma: ZzzzZzzzZzzzzZzz...

Porém, muito porém, o pior está sempre por vir meu bem:

Domingo de eleição é o pior porre que um bêbado pode ter, aliás, isso me serve apenas como efeito de paráfrase uma vez que somos coibidos até para beber na madrugada de domingo.

Oras bolas, se escolheram um presidente que adora uma cana, por que se eu beber na balada eu posso ir em cana? Exemplos não vêm de cima? O Brasil deve ser o único país onde a lei da gravidade exerce sua força opostamente: As cagadas aqui não descem para o esgoto, elas sobem por conta de um escroto.

Pensando bem, ficar sóbrio no domingo pode até não ser a solução, mas e a ressaca da segunda feira?

Por isso que pra mim eu prefiro Sunday, mas só tiver calda quente.