Crônicas

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E lá vamos nós... De novo!


Agora que a euforia desenfreada do Natal passou, é chegada à hora de bombardear as lojas à procura do tamanho exato da blusinha que você ganhou da sua avó que não te via há 1 ano e por isso comprou um número duas vezes menor...

Isso serve também para aqueles que ganharam Ipods com defeito, smartphones e televisores de plasma. Já notaram como dá trabalho ganhar produtos tecnológicos? Sempre tem um ao estilo Kinder Ovo, acompanhado de uma surpresinha desagradável.

Virando a página, chegamos a outro tipo de euforia desenfreada: o ano novo. A diferença de um para o outro é muito nítida: a euforia capitalista do Natal abre espaço para a euforia geográfica da virada do ano.

É espantoso ver como as pessoas se afugentam da sua cidade para subir a serra. O brasileiro se veste de otimismo e se pinta de esperança e “borá” pegar a estrada! As mãos, antes lotadas de sacolas de lojas, agora seguram malas, bolsas e mochilas, lotando carros, vãs e a rodoviária do Tietê.

O cansaço dá lugar à endorfina em fração de segundos, tão dinâmico quanto aos jogos de roleta nos cassinos; aonde vamos da euforia à tristeza em apenas uma jogada. Aqui, na ordem inversa, vamos de São Paulo ao Guarujá em 4 horas ou mais! Vamos enfrentar fila, trânsito, falta de água, padaria lotada, tudo em prol das sete ondinhas...

Mas será que o ano novo é realmente novo? Ou trata-se apenas de uma fantasia encravada há milhares de anos em nossa cultura?

Somos anestesiados por um encantamento de ação rápida, que dura, exatamente 1 minuto (o tempo da virada do relógio). Esse mesmo relógio segue adiante, e as nossas atitudes também.

Desejar paz? Isso eu faço todos os dias! Desejar sucesso? Isso eu também desejo a todos que eu conheço! Não preciso ter uma data “x” para externar os meus desejos.

O relógio segue adiante: a simpatia, a benevolência, o rancor e a mágoa vão continuar nas mesmas pessoas. Os gestos, as atitudes e as ações também continuarão nos mesmos corações, ano após ano.

O que tá dentro do coração não possui hora agendada, não há troca de turno, não tem dia e nem horário de exposição, por isso é intangível, por isso é sentimento!

Avaliar situações, rever conceitos e analisar atitudes sempre são levadas em conta nesse breve minuto de translação, entretanto, as mudanças não precisam esperar o êxtase desse minuto ludibriante, porque dia 2 de janeiro tudo volta ao normal.

Mude antes!

Fugindo do habituado em nosso cenário social, eu prefiro terminar o ano seguindo o incentivo de uma canção que não exige dia nem data para ser levada em consideração:

“I'm starting with the man in the mirror. I'm asking him to change his ways. And no message could have been any clearer: If you wanna make the world, a better place,take a look at yourself and then make that...”
CHANGE!

Morreu um homem, nasceu um mito. Esse é o tipo de lição que se leva adiante, não somente na virada do ano, mas sim, enquanto estivermos vivos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Brincadeira de criança feita por gente grande


Após centenas de cláusulas e mais cláusulas complicadas, finalmente os líderes mundiais chegaram a um acordo na Conferência de Copenhague: “Vamos passear e conhecer a cidade mais limpa da Europa?!”

O futuro climático do nosso planeta está nas mãos de manifestantes ativistas, ambientalistas e do esforçado Greenpeace. Isso é pouco! Precisamos de um milagre!

As chamadas grandes economias (17 países potencialmente industrializados) são representados por governantes predatórios com suas políticas ditatoriais voltadas ao aquecimento econômico, e global, obviamente. O clima realmente esquentou no Cop 15; ninguém fez questão de ceder e todos olharam somente para os vossos umbigos!

O Cop 15 foi um programa promissor, com nome de missão, tipo aquelas em que o agente James Bond está cansado de resolver, mas logo se transformou no clássico “Missão Impossível”, refilmado com o feio e horroroso Tom Cruise.

Fadada ao descaso e consequentemente ao fracasso, o COP 15 foi mais uma tentativa em vão de abrir a mente dos capitalistas para o “bem comum”, um bem que possui um valor de extrema valia, mas que não enche os cofres dos bichos papões da economia mundial.

Lamentamos o fracasso do Cop 15 e nos envergonhamos por isso! A natureza perdeu mais uma, mas daqui uns 50 anos, quem vai perder feio será a humanidade!

Além de nome de missão impossível, o COP 15 me faz lembrar sobre uma clássica situação entre as crianças que moram em apartamentos:

No momento recreacional, imagine todas as crianças brincando lá embaixo, no lugar mais disputado do prédio: a quadra de futebol.

Os Estados Unidos é o morador mais antigo do prédio, e detém a posse da quadra, ou seja, só joga futebol quem se associa a ele.

A China é a moradora mais rica do prédio e é também a dona da bola de futebol. Ela exige respeito e é chorona, se fizer piadinha contra ela, ela simplesmente põe a bola debaixo das axilas e sobe para o seu apartamento, acabando com a brincadeira!

O Brasil é o vizinho mais hospitaleiro, faz amizades facilmente e se associa com destreza, porém, invariavelmente é confundido como sendo um vizinho nerd, daqueles que sempre concordam com tudo.

Os vizinhos Cuba e Venezuela são os mais espertinhos, metem o pau no dono da quadra e no dono da bola, mas na hora que a fome aperta, vão bater na porta deles pra pedir açúcar (outra situação clássica entre os condôminos).

Os demais vizinhos são meros inquilinos, pagam aluguel e não possuem regalias aparentes. São meros torcedores e ficam de fora olhando pela grade, ansiando por uma chance, e claro, torcendo para quem está ganhando.

Assim é um dia ensolarado na quadra de futebol de um prédio qualquer, feito por um bando de crianças sem a manutenção equilibrada de um adulto.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ah o Natal


Aquela euforia capitalista embasada na troca de presentes, no corre-corre frenético rumo às lojas.

O brasileiro? Ah o brasileiro, muitas vezes caracterizado pelo espiritualismo, pela compaixão e por estender a mão ao próximo, dessa vez estende a mão para pegar sacolas, bolsas, apetrechos em geral, tudo em prol da sobrevivência material.

Ah o Natal...

Não tem jeito, a população, em sua densa maioria, adota um enfoque adverso nessa época do ano. Os consumistas gastam o que vai além do orçamento, reverenciando os templos de consumo por uma justificativa pragmática: O Natal!

Também pudera, quem vai lembrar o real significado do Natal numa era tão banal?Ah o Natal...Não vou me acrescer de ideologias ingênuas discursando ou indagando sobre o fundamental propósito do Natal, o fato é que a simbologia roubou a cena; já notaram as pessoas? Uma possessão inexorável pelo gasto excessivo e pelo superficialismo.

As visitas ensandecidas rumo a José Paulino, aos Shoppings, a Oscar Freire, a 24 de maio e às Americanas... Mas isso é necessário não é mesmo? Aquece a economia de um país tão corrupto e miserável como é o nosso.

E a ficção vai desencorajando a realidade. Me diga uma coisa: Quando o Natal passar, qual será o enredo? O refrão? O que contaremos para nossos amigos, vizinhos e até filhos?Ah esquece vai! Depois de 6 dias entra o Reveillon, posso contar outra historinha?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pra sempre!


Vivemos esperando dias melhores...
Dias de paz, dias a mais. Dias que não deixaremos para trás
Oh! Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando o dia em que seremos melhores (Melhores! Melhores!). Melhores no amor, melhores na dor, melhores em tudo


Oh! Oh! Oh!...

Vivemos esperando o dia em que seremos para sempre...

Vivemos esperando...

Oh! Oh! Oh!

Dias melhores pra sempre!

Dias melhores pra sempre (Pra sempre!)...


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Humor visceral


Procurava em meu “veículo ideológico”, um canal que me ofertasse prazerosas gargalhadas num sábado à noite. É difícil, eu sei! Porque ninguém troca uma noite de sábado, e os seus promissores programas culturais, por um retângulo vicioso e “desinformativo”, vulgo televisão. Sendo assim, a programação de sábado na televisão é estereotipada para um determinado tipo de público: Os que não estão nem aí para o que tem por aí!

De súbito, apoiei inesperadamente o meu braço direito na almofada, o movimento sem querer pressionou automaticamente o controle remoto, me transportando para um canal chamado TV Senado.

Bastou 10 minutos para as risadas romperem o silêncio do quarto! É sem dúvida o melhor canal de humor que já vi desde a antiga TV Pirata (programa oitentista exibido pela Globo).

A TV Senado apresenta um humor visceral e moderno, com todas as adequações tangíveis para se fazer rir com sagacidade e com voracidade.

O bacana do programa é ver que não existe um “palhaço alfa” que comanda a palhaçada, mas sim, democraticamente, um bando de palhaços dispostos a nos entreter com assuntos relacionados a nós mesmos, o povo brasileiro. É pura inovação!

A cada dia, um novo escândalo, com piadas adjacentes a granel, tão extenuantes quanto ao extinto programa do Tom Cavalcante e seus conterrâneos irreverentes.

Só posso recomendar uma coisa: Assista a TV Senado, é bem mais cômico que a ficção!

A Zorra Total e o Casseta & Planeta estão com os seus dias contados!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Perdoar para caminhar


Exercício contínuo e mental
Perdoar a quem te fez mal
Minha alma corrompida
Que tanto te deseja
Se contorce em presságios de beleza
E espera desguarnecida, um voto da sua amada querida.

Meu caminho se fez perdido
Sem o teu perdão não tenho mais destino
Divago em corpo e mente, desejando seu corpo ardente
As palavras caminham sem retorno, porém minhas atitudes
Ainda procuram o teu consolo.

Perdoar para caminhar
Minha vida insiste em encostar-se à tua
Minha boca persiste em molhar a sua
Meus sonhos se interrompem, à medida que perco espaço para um possível outrem.
Faço o que for para ter o seu louvor
Em meio à minha crença, te peço uma única sentença
Poder entrar novamente em tua vida sem pedir licença!

Perdoar para caminhar
Aceita-me para poder te amar
E juntos, de mãos dadas, retomar o nosso andar.

sábado, 28 de novembro de 2009

A humanidade e as suas versões


Os astronautas e a NASA já afirmaram que a humanidade não está sozinha neste extenso Universo. Será que existem homenzinhos esverdeados com antenas e uma pistola na mão pronta a nos atacar? Não deixa de ser uma versão!

As pessoas também possuem histórias, e cada história possui uma versão pra quem ouve e pra quem repassa adiante, o maldito telefone sem fio, baseado no exagero e na soberba!

Mas será que as nossas versões estão ligadas aos nossos pontos de vista? Sim, porque também temos uma infinidade deles, daí entra o julgamento. Difícil compreender essa caixa de Pandora. Até os Três Porquinhos possuem inúmeras versões.

E diante desse “piscinão de versões” (não de Ramos) que se remonta o ser humano, nos deparamos com as verdades e com as mentiras. A antológica disputa entre o bem e o mal.

Entretanto, nada importa se você vive dizendo a verdade. Já reparou que quando se diz a verdade não é preciso pensar pra responder uma pergunta? Por isso é bom dizer sempre a versão correta dos fatos, a versão menos exagerada, sem mitologia e sem utopia.

Sendo uma pessoa única já é complicado, imagina então levar a vida "atuando"? Viva as boas histórias e suas versões. Se você tem caráter: a sua versão sempre será ouvida e levada em conta!

Eu prefiro estar sempre alado das minhas verdades, porque todos nós temos nossas verdades. A maior mentira que existe é dizer que existe a verdade, porque existe a minha verdade a sua verdade, a verdade dele e a verdadeira, em diversos pontos de vista ou versões!

O que perdura é somente a realidade, esta não tem como ser mudada! O tempo traz a serenidade dos ânimos e as demonstrações das certezas, sempre!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Relacionamentos: 1% inspiração – 99% transpiração

Um dos temas mais instigantes e desafiadores dos tempos modernos. A inovação passou a ser percebida como uma oportunidade a ser aplicada em diversos produtos e em diversas áreas mercadológicas, além de ser um ponto lucrativo para as empresas e um importante ponto no aperfeiçoamento de melhorias para os consumidores.

Embora a inovação corresponda à introdução no mercado de um produto ou serviço novo e/ou substancialmente melhorado. Existe um desafio ainda maior para chegarmos à realização de um produto inovador e diferenciado para o mercado: É preciso compreender o passado, aprender com o presente e imaginar o futuro.

No mercado afetivo essa relação analógica não muda muito. Abandonar o defasado, o habitual e o ordinário podem ser um desafio para os psicanalistas do “Ideias no Almaço”.

Tudo que vira “démodé” desbota e descolore, fica sem brio e insosso. Se você está convivendo com a presença de um desses sintomas, pode ter certeza: tá na hora de pegar a Asa Delta e pular do penhasco que você escalou com tanta entrega, suor e devoção.

Incline seu pescoço e dê uma olhadela para trás: valeu à pena cada gota de suor derramado enquanto você enfrentava os mais temíveis desafios na subida desse penhasco? Se valeu a pena some números ao seu “score”. Se não valeu o esforço, mude o esporte e foque em atividades mais terrenas (corrida, caminhada, trotada etc...).

Deixe os livros de auto-ajuda dentro das caixas de papelão no porão. Se conselho fosse realmente algo benéfico, comentarista de futebol seria milionário.

Não apele para as terapias! Esses dias li um artigo de um site importante sobre como se recuperar de uma separação, e certa consultora fazia um alerta totalmente “afunda astral” para as mulheres mais velhas, dizendo que elas, as coroas, possuíam um ótimo colo e um ótimo ombro amigo. Oras, se o seu intuito é ser babá ou conselheira, aí está sua vocação!

Olhar para os padrões anteriores e ensaiados e aplicar novas metodologias e novos conceitos, ou simplesmente arriscar algo inédito, algo que surpreenda, mas que acima de tudo faça alguma diferença positiva, isso sim são pontos subliminares de uma superação.

Se compreendermos que tudo em nossa vida é mutável e "impermanente", nossas investidas serão enriquecidas com sinceridade e apreciação de cada momento, como se fosse único, como se fosse o último.

Keep walking, until the next stumble!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Recruta-se burrice, paga-se bem!



Lembra daquela aula de português que você vivia matando só para conseguir uns minutinhos extras em seu precioso sono? Pois bem, o tempo passou e algumas pessoas subestimaram essa aula, achando que no futuro, ela não faria falta alguma.

As celebridades são um ótimo exemplo desse menosprezo. Para algumas beldades, essa despretensiosa aula de português já estava enterrada e exumada. Porém, tal como Jason em suas extenuantes sextas feiras, ela voltou para assombrar os nossos ouvidos, a nossa leitura, o Prof. Pascale e a nossa vergonha alheia.

Mesmo ciente de que errar é o caminho mais fácil para se aprender algo, não consigo me calar frente algumas topadas ditas na televisão, ou escritas nas redes sociais com tanta naturalidade.

Não encontro bom senso em questões que fogem da minha compreensão ética e etimológica, e o que é pior; são pontos enraizados em nossa cultura. O Brasil deve ser o único país em que a burrice é uma oportunidade de evolução profissional.

As gostosonas são burras! Uma afirmação quase sem exceção, basta ligar a televisão!

A televisão e o Facebook são - disparados - o foco absoluto da burrice, entretanto, tem peso de um MBA para quem deseja ingressar na profissão de apresentador ou aparecer em algum "holofote da fama".

É bom que se diga que os meios de comunicação não incitam a burrice, apenas apontam o mau gosto da sociedade, o que não deixa de ser uma burrice, os reality shows e os programas apelativos elucidam bem o que quero dizer.

Substituímos a responsabilidade pela ideia de liberdade; timelines recheadas de erros gramaticais, banners com frases discordantes, singular no lugar do plural.  Não basta ser preguiçoso, tem que ter a saideira da burrice.

E o que não agrega a televisão agrega ao camarote; centenas de 'check ins" nas redes sociais onde um bando de "vovôlescentes" ou filhinhos de papais levantam garrafas de champagne com "foguinhos" dentro da balada para incendiar as calcinhas de plantão, ávidas pela aparência mercantilista do consumismo.

Já passou da hora do Facebook criar um "feeling chicken" ou "feeling cow" para as periguetes que adoram carros importados, fama e Veuve Clicquot.

Ao ler esse desabafo, você deve estar se indagando: “Como que um ser dessa natureza consegue ter os seus minutos, horas e dias de fama?"

Oras, é simples!

O tempo de vida das “bonitonas burrinhas” está reparticionado em dois estágios de sobrevivência: Muitas horas de academia e dicção verbal de sobra, ou seja, verniz diplomático em excesso e muito humor pra disfarçar, afinal de contas, um erro produzido por uma mulher bonita é tido como algo “gracioso” de se ver.

Em tempo: Não que as "inteligentes" estejam fadadas à barangas, não é isso, óbvio que não! A mulher inteligente pode se transformar em uma mulher bonita sem muito esforço, mas a ordem inversa é bem mais tortuosa.

No Brasil, pangaré e jumenta tem fã clube. Os telespectadores adoram isso e o atrevimento de errar feio perante milhões de pessoas não custa caro, custam apenas alguns comentários entre vizinhos e alguns deboches na hora do almoço, isso porque a gente adora falar mal da vida alheia.

São por esses e outros motivos que para o nosso país sempre há vagas para a burrice.

Mas é isso aí queridinhas: Continuem inteligentes feito um hidratante, oops, feito um hidrante. Eu ainda prefiro aprender como anônimo a deslizar como pretensa celebridade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Bolsa apagão


Calma gente, mantenham a calma! O apagão já passou e podemos desfrutar de mais um trânsito apoteótico na nossa São Paulo, a cidade mãe do Brasil. Tudo parou, tudo travou, tudo engarrafou.
Agora, passada a ressaca caótica de mais um dia insuportável de complicações, focamos nossa atenção aos noticiários e às especulações. No final das contas (e muito pior que uma conta pra pagar), ficamos sem saldo algum e sem saber precisamente o que aconteceu.

Não sabemos se foi a ordem do chefe em Itaipu, dizendo “o último que sair apaga a luz”. Não sabemos se foi um hacker pernicioso (aquele invasor desocupado de computador que fode a nossa vida com um único dedo). Não sabemos se foi a crônica incapacidade de estruturação dos nossos governantes. Enfim, de nada sabemos e isso não é novidade alguma.

Uma coisa é certa! Em nosso país, os políticos e o alto poder são unidos, aglutinados feito arroz de sushi e logo pela manhã vejo que essa aderência com fins lucrativos não tem limites: é mais fácil culpar as condições meteorológicas do que assumir as falhas e a fragilidade do nosso sistema.

Pobre tempo, como ele vai se defender das acusações dos homens? Algum advogado se voluntaria? Como pagamento dos honorários, o tempo promete “ensolarar” os seus finais de semana, que tal?

Pobre tempo: réu não confesso, indefeso e inarticulado.

Irônico mesmo é relembrar que há anos atrás tivemos um apagão (em proporções menores) na gestão do nosso acadêmico FHC, o qual foi ironizado pelo nosso presidente atual, dizendo, em tom revanchista, que em sua gestão isso não se repetiria. Não se repetiria nas mesmas proporções, certo?

Mas vamos analisar os benefícios do apagão: serviu pra dormir mais cedo, serviu pra não ver a cara da Gimenez entrevistando mais uma garota de programa, serviu para as nossas velhinhas vizinhas acender as velinhas em seu apto e depois se esquecer de apagá-las, colocando em risco um edifício todo.

Realmente serviu pra muita coisa: serviu como arrastão no centro da cidade de São Paulo, serviu para esquentar a disputa política entre a oposição e o Planalto e serviu também de empurra-empurra para o próximo duelo eleitoral.

Pressupondo que nós sejamos um monte de retardados e ignorantes, os pretendentes ao próximo governo introduzirão em sua pauta, mais um ponto para execrar o governo presente na futura disputa eleitoral.

O apagão é como político em época de eleição: é uma realidade a qual a gente nunca aprende a lidar, assim como a nossa incrível pluralidade de bolsas: Bolsa mensalão, bolsa família, bolsa apagão e por aí vai...

Enquanto isso, vivemos, tal qual a abertura musical de uma antiga novela: “Seja pobre ou rico, acho que tudo se leva no bico. Uma hora tão por cima, outra hora tão por baixo, e a gente vai lavando, roupa suja no riacho. E a gente vai levando, meu amor, cambalacho. ”

Além dessa natureza, bipolar, tripolar e tetrapolar, morar em São Paulo é como viver um filme do Indiana Jones, sem a emoção certeira de se safar no final!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ano “safárico” ou ano “sabático”?


Tem muito gringo desinformado e solto no mundo difamando o Brasil de letárgico, retrógrado e ultrapassado, mas agora, nós brasileiros, podemos rebater ao menos uma acusação:

Ao contrário do que a boca suja tem falado por aí, o Brasil é um país modernizado culturalmente. Um exemplo claro é a prática denominada “sabático”, que tem sido utilizada há quase 20 anos nos Estados Unidos e Europa, entretanto aqui, em terras tupiniquins, essa prática defasou há décadas.

Oras, temos uma significativa e sobre saliente expertise em prolongar feriados e transformar os fins de semana em “aparência domingueira”. Isso sem mencionar a quantidade excessiva de Santos a serem cultuados sempre em feriados pelos fiéis e pelos infiéis. Diante disso, nosso país tem propriedade sim pra falar de ano sabático.

Analise quantas pessoas já praticam o ano sabático no Brasil, basta ver o contingente de desempregados existentes em nosso país. Tem fulano que ultrapassou a média de um ano sabático comum, desempregado há mais de seis meses, há mais de um ano, e por aí vai.

Tem coisa pior que receber aviso prévio de ano sabático? Aquelas famosas férias forçadas adotaram uma nova nomenclatura “pseudo-fresca”: Ano sabático forçado.

E quem garante o sustento mensal porque possui um emprego vive um clássico:
“Se queixa das fatídicas segundas feiras e comemora desmedidamente as sextas feiras”. Dá pra entender o brasileiro?

Em todo o caso, enquanto uns perdem há os que ganham. Essa é a lei da sobrevivência não é mesmo? Trabalhar nem sempre é sinônimo de satisfação, agüentar o chefe e se submeter às condições temperamentais do mesmo não é tarefa fácil.

Pior que enfrentar o ano sabático forçadamente é enfrentar o ano “safárico” constantemente:

Acordar com um cavalo roncando ao seu lado na cama, tropeçar num jabuti no trânsito da cidade, sentar ao lado de um porco no metrô cutucando o nariz em busca de um “alien” hospedado, se deparar com os abutres no trabalho querendo te comer vivo, e pior, pelas costas...

Enfrentar o dragão do seu chefe, sempre cuspindo fogo pelas ventas e por fim, chegar a sua casa e se deparar com um cachorro transando com a piranha da sua mulher dizendo em voz alta: “Isso, isso vamos botar um chifre no unicórnio do meu marido...”

É a lei da sobrevivência: ócio para alguns, suor para outros.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dia do Prof Pardal


O que eu faço agora? Desenvolvo um protótipo para uma máquina de passar roupa ou crio uma barra de chocolate com as mesmas calorias de uma folha de rúcula?

O que eu faço agora? Essa talvez seja a pergunta que impulsiona a mente criativa dos inventores.

Antes de adentrar nesse mundo, sei que o dia do inventor já passou e estou aqui, hoje, homenageando esse dom que se transformou em profissão. O fuso horário do Japão atrasou meus sinceros votos de parabéns.

Retomando o raciocínio, assim é a vida do inventor: matuta daqui, repensa dali; desenha ali, rabisca acolá, sempre em busca de algo que contribua para o aperfeiçoamento do nosso planeta, ou que traga benefícios para o nosso cotidiano.

É bacana avaliarmos a situação por outro prisma, uma visão mais técnica da coisa. Podemos olhar a nossa volta e imaginar que tudo que vemos, tocamos e pegamos foi inventado por alguém: Desde as coisas mais simplórias como o rádio ou uma escova de dentes até a invenção do travesseiro, por que não?

Ao contrário do que a maioria dos brasileiros imagina, quem inventou o travesseiro não foi o João Gilberto. Ele desenvolveu uma cultura musical que necessitava de uma inovação, daí surgiu o travesseiro. É o exemplo prático de que a invenção pode resultar de uma necessidade.

Entretanto, outro ponto interessante é a desmistificação que ronda uma invenção. Toda criação é precedida de um questionamento, ou de um pensamento negativo de algum desocupado, do tipo: ’’Isso aí não vai dar certo!’’

Já não bastasse o cara perder dias e noites a fio para inventar alguma engenhoca, ainda tem que ouvir uma crítica sem estrutura. Que profanação!

Entretanto, as dúvidas que gravitam e torno de uma invenção existirão sempre. Veja um exemplo: Ninguém apostava uma ficha no forno de microondas, desde a invenção remota e quase jurássica do fogo, o homem jamais abdicou a ideia de preparar seus alimentos sem o fogo.

Veio o microondas, nascido de uma idéia ocasional de uma peça de radar e hoje, devido sua importância, enfeita e facilita a maioria das cozinhas no mundo inteiro.

Bom para a nação, ruim para ele, o fogo, que teve que dividir sua supremacia com o microondas, tadinho.

E mesmo com tantas invenções saindo da ficção e dando vazão à realidade, algumas se encontram estacionadas em uma estagnação de idéias, como o guarda chuva e a música como um todo.

A criatividade e a inteligência foram banidas do universo musical, ainda assim, o guarda chuva presta pra alguma coisa. Quem tem chapinha que me defenda!

Enfim, se não fosse a criatividade e a ousadia desses “experts’’ divagadores, provavelmente ainda viveríamos nas cavernas!

E você, o que vai fazer agora? Reinventar o futuro ou reaproveitar o passado?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Halloween tupiniquim


Já notaram como aqui a gente adora um feriado ou uma boa data festiva? Isso é uma coisa que não falta em nosso complexo calendário. O problema é que em algumas ocasiões, certas festas assemelham-se mais com nossa própria realidade do que com um doce conto de fadas.

Nosso governo, nossas leis, nossa economia, sintetizam muito a idéia do Carnaval (muito embora o Carnaval seja levado a sério, pra quê?). Todo mundo se fantasia enquanto que os “donos do poder” assistem de camarote (e no camarote) o povo brasileiro literalmente “dançando”. Entretanto, nossa intricada e frágil sociedade pode ser tragicamente associada a uma festa que não vem dos nossos trópicos: O Halloween ou dia das bruxas!

Não estou aqui para criticar essa tradição, afinal de contas, trata-se de um ritual pagão difundido pelo lendário povo Celta (local onde hoje estão situadas à Irlanda, Norte da França e o Reino Unido). Da imigração européia para o Tio Sam e muitos anos depois: Brasil.

O que me faz cair na risada é saber que, enquanto os mais afortunados se fantasiam de bruxas, duendes, fantasmas, vampiros e incorporam um verdadeiro espírito de Halloween. Os mais desfavorecidos se empobrecem num país onde a prioridade governamental é o descaso e o desinteresse em modificar a situação. Aos meus olhos, os homens do poder são bem astutos no desenvolvimento de taxas faraônicas de impostos dos mais variados e assustadores tipos. Isso é reverenciar a prática do vampirismo, um típico sanguessuga diurno.

O mais engraçado é avaliar a situação em época de eleição, todos (sem exceção) viram príncipes para ganhar o voto do povo. Prometem acabar com as pragas e as bestas do apocalipse social brasileiro: a fome, a miséria, a violência, a desigualdade.

Depois de eleito, como num passe de mágica, a mutação aparece: De príncipes á terríveis bruxas, dispostas a encher o próprio caldeirão. De dinheiro é claro, o que você imaginou?

Nosso país vive um autêntico e escabroso filme de terror onde as quatro bestas do apocalipse ultrapassaram a porta da imaginação e hoje infestam de realidade e pavor os jornais com notícias que encheriam de orgulho os olhos do inigualável Stephen King.

As comparações não param por aí: Com a violência, somos obrigados a vestir armaduras, saímos de nossas casas sem saber se voltaremos, olhamos apreensivos de um lado para outro nas ruas. A desconfiança e o medo imperam nas cidades, tão implacáveis e imortais quanto Jason e suas intermináveis “Sexta - Feira 13”.

E com isso a generosidade, o prazer de um olhar gentil ou de um aperto de mão vão caindo no abismo chamado ostracismo.

Em meio á tantos Lobisomens, vampiros e bruxas, a inocente Reagan, do clássico Exorcista reflete os rostos desolados das crianças sem ensino, sem recursos, sem herança social, protagonizando apenas as vítimas de uma história aparentemente sem final feliz.

Que o brasileiro irá se fantasiar de bruxa, diabo e outros seres horripilantes em todos os meses de outubro isso não há dúvida, mas acho que na hora de eleger um cidadão que irá comandar um país, ou a cidade em que você vive, poderíamos levar tal responsabilidade mais a sério e deixar os pesadelos, os sustos, e os “trick or treat” da vida somente para 31 de outubro!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vida de Castor


Observar as pessoas frente aquele imenso corredor de espera do metrô é uma aula de perceptivo comportamento. O metrô não oferece um atendimento adequado aos seus usuários, está cada vez mais precário e de quinta categoria, mas é gostoso andar de metrô. Há sempre caras diferentes, muitas vezes indiferentes, mas quase sempre expressivas, quase sempre apressadas, apressando a própria pressa.

A passarela do metrô transmite uma ansiedade incrível. Todos olham para a mesma direção na esperança de ver a luz efusiva dos faróis do trem, e na esperança de entrar pela porta também, afim de não esperar mais uma rodada, de pé, a olhar pelo vazio corredor dos trilhos.

Internamente, o metrô parece uma manta retalhada de gente. Olhando por cima, nota-se uma espessa linha desconexa de cabeças próximas a outras cabeças. Olhos atentos analisando tudo e todos:

É o cara que olha o decote da secretária, é o velho tarado ávido por encochar uma bunda, é o estudante pensando na nota baixa que ele tirou, é a tiazinha (modelo clássico suburbano) em pé reclamando da lotação, o distraído plantado sempre na frente da porta. Enfim, são diversos modelos inseridos em infinitas culturas sob dezenas de protocolos sociais.

Assim é o metrô, ou qualquer outro lugar que possua um aglomerado de gente, disputando palmo a palmo, um metro quadrado de sobrevivência.

Carente de paisagens naturais, porém adjacente ao comportamento humano nas estações do metrô; encontramos a arte suburbana em quase toda sua existente extensão: A arte dos grafiteiros em expressões enigmáticas, a arte do Cirque de Soleil caracterizadas por ratinhos acrobatas nos trilhos, a arte dos vendedores de mentex, driblando a multidão continuamente. Isso sem contar na astúcia dos “mãos leves” fazendo mágica com a sua carteira...

E se por um lado vemos tantos rostos e feições, por outro lado existe um rosto tão enigmático quanto o sorriso de Mona Lisa. Alguém já viu o rosto do condutor do trem?

Muito engraçado, e nada enigmático são as nomenclaturas das estações do metrô: Capão Redondo, Tiradentes, Perus, Ferrazópolis e por aí vai. Estações sobram e justificam a grandeza dessa locomoção: Como é imenso o nosso Metropolitano diário! Um mundo praticamente subterrâneo de 61 km de extensão, mais de 50 estações e mais de 30 anos de fundação. Um mundo sem luz do dia com quase 3 milhões de habitantes.

Mas falando em estações, se comicamente vemos um trabalhador pegar seu trem ás 6 horas da manhã em pleno feriado do dia 21/04 com destino a estação Tiradentes, para outros, deve dar um alívio danado chegar à “Liberdade” e sair daquela prisão móvel ambulante...

No entanto, pior mesmo é ficar plantado no “Paraíso”, sem luz e sem energia, um verdadeiro sacrilégio.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Isabela vida de aquarela

Isabela vida de aquarela

Isabela muito longe de ser cravo e canela
Brinca de bela, de aquarela, num mundo só dela
Isabela, bela, belinha
Sorridente e querida menininha

Você nos faz brilhar em uma conjunção que vai além de qualquer galáxia estelar
Isabela, bela, belinha
Você é um diamante raro a ser lapidado
Você é um dia belo em pleno céu claro

Isabela, bela, belinha
Seus olhos de menininha a vibrar
Quando sua mamãe que tanto te ama
Te abraça pra te mimar

Isabela, bela belinha
Você desperta a futura mocinha
Que amarei bem depois de se tornar uma mulherzinha
Dócil, meiga, e bela a nossa belinha

Isabela, bela, belinha
Você é a minha alegria
E da sua mamãezinha

Choro da minha criança com orgulho e esperança
De ver você aflorar e continuar a nos emocionar
E Que os anjos continuem a te encantar
Em uma eterna brincadeira de bailar.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os embalos do amor e os seus abalos


Algumas pessoas colocam o amor num plano inalcançável, tão alto que elas mesmas não conseguem alcançar e passam a vida a se queixar. Outras pessoas proclamam o amor como político discursando sobre sua candidatura, mas se esquecem que a inveja sofre de insônia e com isso, vivem perdendo seu amor por conta do olho gordo alheio da dita cuja.

Eu prefiro fazer diferente. Que tal fazer do amor um produto fundamental de estante? Que tal catalogar o amor?

Amor sem juízo que nos atira ao precipício com uma simples impulsão do ser alheio.

Amor promissor que nos causa a dor, a dor da ansiedade de sair logo de casa e saltar nos braços do causador.

Amor imaturo que substitui a intelectualidade de uma biblioteca pela fralda suja de uma criança no jardim de infância.

Amor democrático que nos é acessível sem mensurar estética, profissão, padrão ou jeito de ser.

Amor aristocrático que é concebido a poucos afortunados. Implica vaidade, ganância e narcisismo. É o ter sem precisar do ser.

Amor segmentado que consiste no específico, nas minúcias, no cartesiano e no fragmentado.

Amor platônico que se ajoelha para o espelho, para o umbigo e para uma conjugação única de uma sombra. Entretanto, para todo amor platônico há sempre uma trepada homérica.

Amor lúdico que nos faz viver uma roleta russa ou um jogo de pôquer. É brincar pra ver e não pagar pra acontecer.

Amor de liquidação que nos faz escolher e ser escolhido feito fruta na quitanda da feira. E que venha o próximo da banca, quer dizer, da fila.

Amor profissional que nos causa ressaca matinal e ânsia do arrependimento. Geralmente esse amor (por ser “profissional”) é sempre acompanhado do suor do corpo.

Amor cego que nos causa uma vontade de ler Shakespeare, mas no final das contas, se existe amor cego, é bom ir apalpando não é mesmo?

Amor preventivo que nos faz planejar, repensar e pensar ao abrir a boca, mesmo sabendo que palavras ditas não voltam atrás, porém essas mesmas palavras ditas pertencem 50% ao ouvinte e 50% ao locutor.

Amor reacionário que nos prende o pé em uma bola de ferro limitando nosso espaço geográfico e que nos enfia um cabresto feito jegue de carga, justamente pra não vermos nada além da nossa amada.

Esses amores foram extintos e reservo-os somente à minha literária imaginação. São homenageados com empáfia percepção, sem muita atenção e pouca devoção.

Não mencionei o amor estupendo, o amor que estou vivendo, que estou conhecendo e que estou recebendo sem estar perdendo, perdendo absolutamente nada!

Amor indescritível, inigualável e mais ainda: inexplicável!

Desnorteado, apoteótico, indagado, reverenciado... Amor é sempre amor e apesar de tudo, o amor é sempre tudo!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Exótica dieta


Não importa onde você esteja e não importa o que você faça ou com quem ande, engolir sapos será algo certo em sua vida, caro leitor.

Tão qual a primeira menstruação, o primeiro pé na bunda, a primeira perda total alcóolica ou o primeiro nike air. Engolir sapos será praticamente um pedágio em sua vida, ou pior, vários pedágios, tipo a estrada Rio - Santos.

Engolir sapos é uma ação que reflete sempre respeitando uma ordem hierárquica! Ninguém engole sapos de um mesmo nível social ou abaixo dele, isso é idiotice! Engolir sapos implica participar ativamente de uma gestão onde o diálogo, a tolerância e a réplica são fatores obsoletos. A insensatez na sua maior essência!

Aliás, vamos deixar a parte subliminar de lado e citar outro habitat natural do sapo: o casamento. Quem casou e já cansou sabe o que estou falando, se o casamento estiver indo pro brejo, certamente o “coaxar” será um som a se democratizar em seu relacionamento.

As diferenças se tornam mais visíveis, os defeitos se tornam maiores que as virtudes. Enfim, não tem jeito: Antes de chegar à árdua decisão de não usar mais a mesma escova e não dividir mais o mesmo teto, você irá engolir muitos sapos até lá.

Agora vamos debater a ficha técnica do sapo. Esse raio x é sem dúvida uma imposição que vem lá de anos trás:

O sapo por si só já se encarrega de ser algo grotesco e nojento. Vem da família dos anfíbios (adaptação em mar e terra), é personagem cativo das histórias de bruxas, vampiros e monstros. Isso sem mencionar na folclórica lenda da celibatária e ingênua garotinha beijando um sapo e o mesmo virando um príncipe.

Em outras palavras, a reputação do sapo se perdeu em alguma lacuna da história. Oras, alguém já viu as bruxas fazerem feitiçaria com texugos, coelhos, tartarugas ou até mesmo râmsters?

Não adianta, o sapo é indiscutivelmente o ser mais repulsivo dos seres. As próprias bruxas transformavam seus inimigos em sapos, ao invés de qualquer outro bicho. Definitivamente o sapo não é o tipo de animal que agrada as pessoas. Está longe de ser um bicho afável e sensível, anos luz de ser um bichinho de estimação!

Sapo, perereca, rã, isso não faz a mínima diferença! Indubitavelmente teremos que agüentar uma situação desfavorável, ir contra nossos próprios princípios e suportar a mais cruel das ofensas: a submissão!

De qualquer maneira, á medida em que presenciamos a transição da adolescência, carregamos juntos um universo de obrigações, projetos, decisões e sapos.

Não importa o caminho que você escolha traçar para seguir adiante, haverá sempre um sapo cruzando sua estrada. E como será inevitável não comê-los, que seja com classe e com arte.

Mas lembre-se: Não basta engolir o bicho, é necessário digeri-lo também.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Unidos pela mobília


Finalmente vocês irão sossegar e transformar uma vida enfadonha em duas divertidas. Economizaram uma graninha ao longo dos 8 meses de indecisão + 2 anos de namoro + 3 anos de noivado + 1 ano de casado e hoje estão prontos para mergulhar na atmosfera imobiliária.

Vejamos o que tem por aí, afinal de contas o casamento pode ser mutável, mas a mobília é um canto sagrado e tudo é “impermanente” em nossas experiências:

Uma casa ao sonho brasileiro: dois quartos aconchegantes, uma ampla sala de estar, uma razoável sala de jantar, dois banheiros (ninguém quer compartilhar desses momentos higiênicos, soltar pum é não é um ato coletivo), uma bela garagem e um ótimo quintal, perfeito não? Sim, seria perfeito se a multiplicação na segunda linha fosse um pouco maior, aí assim a economia também seria.

Pelo mesmo preço dessa casa daria pra comprar um espaçoso terreno de primeira categoria no deserto do Saara, ou ainda um belo chalé no morro do Vidigal, ou quem sabe duas coberturas com laje para tomar sol e vista panorâmica para Avenida Águas Espraiadas (isso mesmo, aquele “terreno” quase na esquina da Berrini).

Opções sobram, mas faltam pra quem tem bolso de moeda. Entretanto, vale lembrar que uma vida de casal possui atenuantes bem mais necessários do que um simples teto, como aproveitar todo esse tempo juntos, que antes se resumia á encontros de finais de semana, como administrar a direção que essa união vai tomar, como conjugar um amor genuíno e altruísta que trouxeram vocês aqui diante desse futuro teto. Enfim, uma infindável série de percursos visando apenas à devoção e a vivência afetiva, sem arremessos de panela, levantamento de cadeiras ou aquecimento das cordas vocais...

Além de todo esse minucioso e delicado processo entre vocês, existe ainda a cultivação da tolerância dos padrões convencionais entre vizinhos: Dar bom dia mostrando toda sua arcada dentária, mesmo quando a noite foi de pura insônia (por conta do ronco dele), ser solícita sempre, afinal de contas, amanhã você pode ter esquecido de comprar fermento e o vizinho é o nosso mercado delivery (só nosso), basta interfonar ou tocar a companhia, seu apuro passou.

Ao mesmo tempo nos deparamos com algo antagônico nesse convívio geográfico: agüentar as visitas indesejáveis e fora de ocasião que os vizinhos adoram praticar, ora pra falar da novela, ora pra falar do tempo, ora pra fazer hora, sem contar os inúmeros convites que fazem e que são complicadíssimos de rebater com um não. Tipologias clássicas da nossa cultura urbana, clássicas, porém chatas, tão chatas quanto mágico em festa infantil.

Mas se o hiato é mesmo com a vizinhança, o jeito é procurar uma casa num local afastado, sem vendedores batendo á porta, sem a caixinha de Natal do lixeiro, sem taxistas parando o carro indevidamente em sua porta. Uma vida tipicamente á três: você, sua esposa e a mais nova moradia, mais nada.

É como morar na praia sem o mar. E falando em praia, isso me lembra a natureza que vocês optaram viver: Que tal dormir ao som impertinente das cigarras em cima da árvore? Ou se deparar com um inusitado e variado ecossistema de insetos invadindo a cozinha, a sala, o banheiro? Sem mencionar na sinfonia ao pé da orelha dos nossos lendários inimigos pernilongos, promissor hein?

Chega dos subterfúgios da flora e da fauna. O jeito é reencontrar o caos suburbano e o colapso social na cidade grande. Vocês querem mesmo a animação da noite paulistana e seus contrastes culturais.

Com a grana da venda da “casinha de sapê”, vocês arrematam um “apê” enxuto e totalmente “zen”: “zen” excessos, “zen” muitos cantos e “zen” regalias, localizado no centro da cidade, algo mais antigo, ideal para pessoas dinâmicas como vocês, afinal de contas, pra que ter tanto espaço se vocês se amam e pretendem ficar grudadinhos?

Opa opa, mas pintou outro hiato: e pra suportar o cheiro do centro da cidade, como vocês farão?

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tarefa para sábios


Reconhecer os nossos defeitos ocupa os charts do bom comportamento, encabeça o “Top Ten” da lista das coisas mais belas e exemplares das nossas vidas. Mas o que dizer da feiúra, as pessoas reconhecem com esportividade o despojo estético?

Com exceção de alguns fenótipos que reverenciam as origens dos milenares ogros do pântano, mocorongos, ou monstros saídos da mente de Stephen King, a feiúra, de certa forma, possui algum atrativo. Alguma coisa ali te agrada, te deixa curioso, desperta interesse. Isso porque geralmente o feio desenvolve algo que muitas vezes é desconhecido pela facilitação da beleza: A inteligência e o bom humor.

Entretanto, é interessante avaliar o estereotipo do feio. Ele não tem imagem esperando por ele. Não se envaidece da própria beleza, mas sim da beleza da mulher, dos filhos e da mãe. Não se prende a facilidade, pois nunca teve facilidade na vida. O terror que se abate na feiúra faz com que a mesma se torne uma das formas mais latentes de exclusão social, (feminina e masculina).

E o esforço? Ahhh, o esforço é sempre posto em prática, até mesmo dentro da própria casa. A feiúra incomoda o público, ninguém aplaude; A educação foge, sai correndo e isso é simples de enxergar: Ninguém abre a porta do carro, puxa a cadeira para sentar, dá preferência de faixa no trânsito, fornece rapidamente algum tipo de informação.

Atendimento em lojas de grifes então nem pensar, e nesse purgatório de menosprezos, é melhor nem arriscar comparações, os mal diagramados realmente sofrem com a espera e com a falta de solidariedade. Ser feio é padecer no paraíso!

A feiúra está sempre sendo justificada, seja em blogs, em charges, em revistas e em crônicas. A beleza fica ali, recebendo agrados e afagos, gentilezas e reverências, ocupam as melhores posições e ângulos do universo publicitário, porém não há filtragem de caráter. Ser belo atrai uma gama de diversificações tal como a cidade de São Paulo e seus “estrangeiros” regionais.

Mesmo assim, existe algo de extrema supremacia na feiúra. É bom que se olhe para o futuro com carinho, atenção e sabedoria, pois chega um momento em nossas vidas que não se cobra beleza, mas sim postura, intelectualidade e cultura, fatores que muitas vezes são ignorados pelos lindos e afortunados estéticos.

Tudo bem, tudo bem, você vai me dizer que isso não é o suficiente, concordo, um cuidado moderado e contínuo não custa muito, faz um bem dos infernos e a auto-estima, essa sim, aplaude de pé!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

De tesouro a estorvo


Se existe algo que faz a vida ser bela é justamente as surpresas e os sustos que ela nos oferta gratuitamente e sem correspondência, sem nosso aval e sem um aviso prévio.

Navegando á esmo pela internet, parei num site de locação de filmes cujo tema abordava algo ligeiramente repetitivo: “Caça ao tesouro”, de fato, talvez não seja realmente o ambiente metafórico da coisa, e sim algo que está sempre rondando as nossas vidas.

Caminhamos inesgotavelmente em busca do nosso tesouro, enfrentamos filas mais extenuantes que a do S.U.S, garimpamos feito loucos na antiga Serra Pelada em busca de alguém que nos faça acontecer. Isso quando não protagonizamos algum filme épico sobre elfos, guerreiros, magos e por aí vai. Tipo “Senhor dos Anéis” (parte MCMLXVI).

Nesse Universo concorrido, não nos cabe ter currículo, back ground, know all, experiência. Aliás, pra que ter experiência se você vai lidar com pessoas que se renovam constantemente a cada topada?

Não há receita, esqueça a Maria Braga! O negócio é ter paciência, porque a paciência está diretamente ligada ao propósito. Se você realmente almeja aquela “coisa” (sentido duplo literário), você tem paciência! Quando rola uma incerteza, você se apressa, fica ansioso pra chegar logo ao “satisfatório”, e, por conseguinte, vai variando mais que fruta na feira.

Interessante mesmo é analisar quando nós somos o tesouro:

Você elevou seu grau de criação ás alturas só pra chegar naquela “coisa”. Utilizou-se de todo seu arsenal conquistador: Verbalizou, articulou, diagramou, carismou, encantou... Enfim, fez de tudo para transformar a visão extensiva e plural que ela tinha no singular, olhando só para você!

Patrocinou com ela uma vida de ardentes emoções, representando todas as possíveis congruências gramaticais da nossa língua. Iniciaram a vida no superlativo, chegaram à hipérbole e hoje vivem no silogismo mais que perfeito:

“No passado eu era teu único tesouro, mas toda regra tem sua exceção. Isto é uma regra, logo, deveria ter exceção. Hoje eu sou um estorvo, portanto nem toda regra tem sua exceção”.

E toda aquela sublime dramaturgia sai dos holofotes dando lugar a um conto do Zé do Caixão, onde a mocinha, toda carismática, cheia de ternura e bons modos se transforma naquele ser hediondo, com cobras na cabeça.

Esse ser peçonhento e tóxico faz de tudo pra te irritar, faz você se sentir um inapto perto dela e difamá-lo sem local de exposição ela o faz por puro passatempo. Os adjetivos dela foram tele transportados para outra dimensão, agora você só recebe impropérios e críticas e, mesmo sem saber a resposta, se pergunta: O que me prende á essa mamba negra?

Do céu ao purgatório sem razão racional, não importa se o amor acabou na mesma canção que começou, ou na mesma balada ou no mesmo bar. O todo sempre acaba sempre e aos poucos encontramos nossas arestas em algum canto das nossas vidas.

Você se cansa de esperar o “até lá” e começa a viver o “vamos lá”. As ondas recuam para a criação de outras, a fila volta a crescer.

É a dança da vassoura com um auditório repleto de gente. E sem notar retomamos nosso rumo, tentando não repetir o mesmo caminho porque esse é o caminho da maioria das pessoas, já percebeu isso? Elas fazem muitas coisas, uma porção de coisas, mas nunca fazem absolutamente nada, porque não sabem o que querem.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deus salve meus tímpanos


O universo musical encontra-se em pleno ponto de ebulição. À medida que evoluímos em condições sociais, tecnológicas e inovadoras, o mundo retrocede musicalmente, é como se os gênios musicais estivessem sobre uma escada rolante inversa ou ficaram congelados nas décadas anteriores.

De muitos anos pra cá, o hemisfério musical vem decepcionando os apreciadores de boas canções. Apesar do clichê “gosto: cada um tem o seu”, a poluição sonora é visível e latente em todo o Globo. O capitalismo contaminou nossos artistas e suas músicas, e o principal coeficiente dessa trama toda se chama “estratégia de marketing”.

Nada contra essa profissão, mas noto que hoje somos obrigados a ouvir o que as rádios querem tocar, somos forçados a ver artistas pop “pré fabricados” destinados a alcançar um único objetivo: entreter a massa que apenas ouve sem nenhum senso crítico, imbuídas por uma lavagem cerebral comercial, sórdida e emburrecedora.

Observo, indignado e impotente, o triunfo da banalização, da apelação e da mediocridade. O controle remoto já não me oferta mais consolo, porque sei que desligar a televisão ou o rádio não fará diferença alguma, milhões de idiotas desorientados continuarão a reverenciar a decadência musical. A população se tornou refém dessa influência imbecil e pragmática!

Em tempos modernos, presenciamos a tórrida degradação cultural. No Brasil, a desvalorização musical gerou uma parceira: a desvalorização pessoal. Para criar “música” nos dias de hoje basta ter olhos verdes, ser filhinho de papai, cantar música sobre bunda com bundas rebolando no palco e pagar jabá pra rádio, ou botar silicone até na panturrilha, usar calça jeans cintura baixa, ter nome de fruta, cantar funk carioca e pronto: você já é uma artista!

As músicas de hoje rumam para uma estagnação de ideias. Não há mais inovação nas canções, não há melodias e não há mais arte em se criar. E se algo resiste á essa cultura pré-estabelecida, é devidamente sepultada pelos nazistas ideológicos musicais, vulgos empresários e mídia.

Mundialmente falando, esqueça os reis soberanos como Elvis Presley e Michael Jackson; esqueça as bandas inteligentes com músicas inteligentemente bem construídas como New Order, Duran Duran, A-Ha, Ramones, Billy Idol, Smiths e milhares de outros iconoclastas dos anos 80. Mesmo assim, sou um personagem feliz que presenciou uma era oitentista exclusivamente feliz, tenho compaixão e presto minha solidariedade ás pessoas que não presenciaram as boas músicas de antigamente.

Traçando uma linha do tempo informativa, vale uma pergunta: Se as músicas dos anos 70 falavam sobre direitos e conquistas; se as músicas dos anos 80 ditavam moda e revolucionavam a sociedade e se as músicas dos anos 90 foram inovadoras, inclusive gerando estilos diferenciados... O que dizer sobre as músicas e os artistas de hoje?

Bem, eu diria que as músicas e os artistas de hoje são como o futebol: todo mundo quer jogar num time de ponta, mas a maioria não passa das “peladas”.

Ainda bem que temos o tempo como crítico musical: ele é implacável com o que não presta e épico com o que fez a diferença no passado!

Um brinde ao bom gosto!




quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Memórias de um fígado


Empenhado em aproveitar uma vida dissoluta de intermináveis e efêmeras noites de prazer, ele tratou de me ingressar (desde o colegial) a ingerir doses pesadas de bebidas alcoólicas...

No prefácio da comprovação da minha sobrevivência tinha de tudo, ou melhor, eu engolia e suportava tudo: começava nos esquentas (com cervejinhas) que antecediam a farra promíscua de uma noite desperdiçada de sono, indo parar nas vodkas, nos bomberinhos, nas catuabas e nos conhaques vendidos ilicitamente pelas barraquinhas dos ambulantes nas ruas.

Ao final de uma noite incessante de alcoolismo eu tinha absorvido até chiclete e papel de cheeseburguer, pasmem, tamanha era a insanidade mental do meu dono que, ao mesmo tempo em que me afogava em destilados, tentava compensar-me com engov, epocler e água quando chegava em casa.

Acho que eu deveria ter sido mais respeitado durante minha existência, sabe? Eu me dou o respeito e me acho o tal. Não sou um objeto qualquer e muito menos passivo de troca, aliás, isso ainda é raro de se ver! Sei que sou feio e roxo, mas também pudera: como ser um gato diante de amigos hediondos como vesícula biliar e abdômen?

Passei anos sendo tratado como se fosse uma prega do ânus e, assim como ela, só vai dar valor quando perder. Gostaria de ter nascido dentro de um telemarketing ou de um atendente de SAC, assim minha dieta se resumiria a engolir sapos e nada mais!

E já que estou desabafando, vou dizer outra coisa (tão injusta quanto o que esse filho da puta desse meu dono faz comigo). Vocês sabiam que o coração leva a fama das minhas funções? Quem disse que a expressão “assim você me mata do coração” é verdadeira?

Esse viado não tem nada a ver com isso, quem produz endorfina aqui sou eu! Eu que faço você ter prazer quando devora uma barra de chocolate ou se acaba em uma torta holandesa. Sou eu quem te dá à noradrenalina, a dopamina, a serotonina e por ai vai... Seu ingrato!

Os anos se passaram e os anos me esgotaram. Hoje devo ter uns 40 anos de idade com funcionalidade de 70 anos. Me sinto dilacerado, debilitado e ensangüentado. O pragmatismo e a inércia do dono desse corpo venceram minha esperança, porém, algo me reconforta: se tenho 40 anos com jeitinho de 70, imagina o cara que me carrega todos os dias?

Você não consegue me ver, mas hoje consegue mensurar a dimensão do teu sofrimento através das minhas reclamações a se espalhar por todo o seu corpo. E se isso te serve de consolo, ao menos você carrega um aprendizado deitado nessa maca:

O mundo não fecha os olhos muito menos pára para cicatrizar teus erros infames e ininterruptos de bebedeira e boemia.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

As primeiras quatro rodinhas a gente nunca esquece


Assim como o antigo dilema sobre quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Aqui o Ideais no Almaço questiona quem rodou nas ruas primeiro? O skate ou o Carrinho de Rolimã?

No início da década de 60, os surfistas da Califórnia queriam fazer uma evolução com as pranchas de surf. Havia muita seca na região e então foi criado o “sidewalk surf”. Em 1965, surgiram os primeiros campeonatos, mas somente na década de 70 o “sidewalk surf” se tornou mundialmente conhecido como skate.

Tratado como um grande sonho de infância por muitos, o carrinho de rolimã fez muito sucesso nos anos 70 e 80, muito embora não haja nenhum documento específico que comprove quando surgiu o carrinho de rolimã... Tão misterioso e tão enigmático quanto à idade da Glória Maria.

O fato é que esse brinquedo arcaico virou febre pelo fato de ser totalmente artesanal. Os pais economizavam dinheiro e as casas de ferro velho agradeciam a preferência.

A receita para fabricar o carro dos Flintstones era fácil: Com apenas um caixote ou um pedaço de tábua, pregos á vontade, martelo, borracha de pneu para o freio, muita paciência e quatro rolimãs, toda criança podia montar seu pequeno bólido e rachar as canelas nas ladeiras das ruas.

No Brasil, com o passar dos anos, o rolimã evolui e deu origem a outros tipos de brinquedos como o lendário skate, e outros artefatos inúteis e estúpidos (como patinete e o velotrol) que na certa foram desenvolvidos pelo mesmo inventor do bocha.

Praticamente extinto, o rolimã foi sendo substituído por equipamentos mais modernos e inovadores, é o caso do skate motorizado. Esse novo board permite fazer movimentos parecidos com o do Surf, proporcionando muitas cavadas e rasgadas no asfalto, porém elimina qualquer esforço físico, coisa pra preguiçoso mesmo!

O Board é pura inovação: possui controle wireless, com acelerador sensível chegando a uma velocidade máxima de 35 km/h. Acompanha baterias incrivelmente recarregáveis com duração em torno de uma hora de muita ociosidade e falta do que fazer.

Retornando ao passado artesanal, o carrinho de rolimã possuía uma comunicação exponencial e equlibrada entre o seu dono, além de uma troca de favores fora do comum: Você montava no carrinho, usava e abusava dele na descida, depois ele sorria gentilmente pra você e dizia: “agora é minha vez buddy”! A subida era algo crucial e exaustivo, mas valia cada passada.

E já que existe político querendo mudar o nome do Parque do Ibirapuera para “Michael Jackson”, por que algum benfeitor não sanciona uma lei para desenvolver “rolimã vias” ou “skatetódromos” pela cidade de São Paulo? Melhor do que “inventar moda” é reinventar a própria moda!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O amor e a inovação


Nos incansáveis e exaustivos ensinamentos que o destino nos impõe, aprendemos que a nossa vida é formada por duelos.

Ao galgar uma estrada pavimentada na construção de um sonho, pensamos na questão primorosa do “mundo real vs mundo virtual”. Quando exageramos na dose em qualquer aspecto da vida, as dores nas costas surgem, o cansaço aparece a fadiga interage e daí lembramos-nos do duelo “prevenção vs reabilitação”.

Terminar um relacionamento, levar um chute na bunda ou pedir divórcio com a mesma freqüência que se vai ao cinema, é sinal que mais um duelo bate a sua porta: “Inovar ou aposentar”?

Desde a metade da minha existência eu me indago em certas questões: Thomas Edison teve sua primeira invenção aos 15 anos de idade, mas quando foi que o inventor da lâmpada tropeçou no amor pela primeira vez?

Albert Einstein teve dificuldades fonéticas até os três anos de idade, brilhou como aluno, mas teve uma adolescência solitária, o que denota certa contingência amorosa. Leonardo da Vinci era dotado de uma curiosidade insaciável que só era igualada apenas pela sua capacidade em inventar. Sua mente era sobrehumana, porém o homem em si era misterioso e distante...

Inovar ou aposentar?

O amor e os inventores da nossa história mantiveram-se apartados durante sua jornada física neste plano. Seus amores eram extrínsecos e racionais, sempre voltados para a arte ou para a ciência.

Mesmo existindo a mais antiga das profissões em prol de toda essa atmosfera de contas, equações e cálculos, as casas de burlesco fizeram falta na vida desses notáveis seres de QI emancipado.

Com isso, a humanidade daquela época (“ávida por ídolos e detentora de um plano mental inferior ao da consciência clara desses “mentores”) foi incorporando, numa espécie de idolatria utópica, os comportamentos e costumes desses gênios. Assim sendo, o amor autêntico e puro foi caindo no abismo do ostracismo e com o passar das décadas foi sepultado pelo desuso.

Inovar ou aposentar?

O amor e o sexo são tão utópicos quanto a ideia de uma invenção, porém, com um plus adicional: é relaxante, rejuvenescedor e motivacional. Se Thomas Edison fizesse amor naquela época, sua primeira invenção teria sido aos 10 anos, e não aos 15 anos de idade. Talvez a teoria da relatividade de Einstein se tornasse a teoria da refutação sexual. Até mesmo da Vinci teria agregado em seu variado currículo a profissão de sexólogo, passando outro tipo de “pincel” em outro tipo de “escultura”.

Inovar ou aposentar?

Hoje vivemos um tempo múltiplo, não linear. Herdamos essa herança desajustada e erradicada de séculos atrás e ao contrário que muitos estudiosos do ramo falam, o amor pode sim andar de mãos dadas com a inovação. Isso porque o amor aromático se abastecesse da jovialidade, da tenacidade, da necessidade de propor sempre algo inovador, criativo e ousado! É de vital importância transferir toda essa energia para dentro do seu romance, a felicidade aplaude de pé!

Se nós seres humanos somos movidos passionalmente e não racionalmente, por que não colocamos o amor numa “plataforma inspiracional” para inovar em nossas empreitadas e objetivos?

Se inovar é abandonar a zona de conforto e acomodação, por que não aplicamos essa doutrina em um relacionamento fadado à rotina?

E você, vai inovar ou aposentar?

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Os segredos da Caverna do Dragão


Esqueça essa historinha infantil produzida para os jovens da década de 80. A Caverna do Dragão foi um sucesso, mas foi abandonada misteriosamente, sem final e sem uma explicação lógica para o próprio enredo do desenho. O fato é que todos os 11 personagens (Hank, Eric, Sheila, Diana, Presto, Uni, Bobby, Mestre dos Magos, Tiamate, Demônio das sombras e por fim O Vingador) não eram bem o que o produtor colocou para nós, pobres e ingênuas criancinhas na época. Confira:

- Hank era o arrogante bonitão da “troupe” de perdidos do suposto limbo. Seu perfil era o sonho de consumo das menininhas: loiro, alto, forte, corajoso, fiel e defensor dos amigos. Bobagem! Hank era o empreendedor metido a besta que nós convivemos em toda Multinacional. Hank foi eleito o líder por consenso absoluto do “time”, mas demonstrava fragilidade ao proteger seus eleitos. Era líder pela postura austera e bom relacionamento, mas não tinha segurança na sua própria capacidade de liderar, o típico gestor que adquire sua promoção nos alicerces da amizade (da amizade de pessoas de grau hierárquico elevado. Nada óbvio!).

- Eric era o típico “engraçadinho” que toda turma possuía no primeiro grau! No desenho ele era o cagão da troupe e mesmo assim se achava o “bambambam”. Na verdade Eric era um riquinho mimado cheio de manias e que dependia da equipe para tomar qualquer decisão. Um autêntico membro do RH de uma empresa: adora se gabar nos “brainstorms”, mas na “hora h” decide o que todos decidirem.

- Sheila me lembra nome artístico, mas não se iludam: De artista ela não tinha nada! Sheila era a amiguinha hipócrita da equipe, sempre disposta a “integrar” e a “colaborar”. Na verdade ela sofria de depressão e vivia triste pelos cantos da floresta. Sheila tinha os requintes básicos dos estagiários de uma Companhia que usam a boa aparência e os elogios para se estabilizarem no emprego, é o estereótipo nefasto do puxa saco! Acho que em vez da capa ela deveria ter asas de abelha: Quando não está fazendo “cera”, está “voando” pelos deptos da empresa.

- Diana era a “ginasta do grupo” (a nossa Daiane dos Santos). Adorava fazer acrobacias e salvar seus amiguinhos do poderoso Tiamate. Falando sério? Diana não passava de uma balzaquiana fragilizada com a ideia de envelhecer, isso porque ela era a mais tia do grupo. Se existisse botox e silicone na época eu diria que ela seria uma autêntica secretária da presidência: sempre de bem com a estética, porém, visitando a terapia regularmente.

- Presto veio das entediantes festas infantis dos salões dos prédios (onde os mágicos roubam a cena). Presto era o mágico bem sucedido, sempre socorrendo os amigos com suas magias mirabolantes. Falso! Presto não acertava sequer uma mágica. Quando pedia algo para seu insolente chapéu, este por sua vez mostrava o oposto da mágica, colocando o inimigo pra chorar de rir e os amigos pra suar de correr. Ser mal sucedido em suas tentativas de adivinhar uma situação casa muito bem com nossos “curandeiros” consultores empresariais: adoram prever as possíveis oscilações do mercado e identificar oportunidades, mas não acertam em uma metodologia.

- Uni era o bichinho de estimação de Bobby (bilu bilu, que gracinha). Animava os membros do grupo com seu jeitinho meigo e ímpar de animalzinho carente... No entanto, me predisponho a destacar sua dupla personalidade. Na verdade, Uni era a pior aluna do Vingador e que por sua vez, a transformou em um unicórnio, (pasmem, ela era uma gostosona fabricada, tipo mulher funkeira, e tão "inteligente" quanto). Sua função, para retomar a forma de “mulher quitanda” era assegurar a permanência dos amigos no limbo do inferno. Bajuladores e puxa sacos como Uni estão em todas as Multinacionais, e não possuem cargo específico. Você pode ter sido um e nunca se deu conta disso!

- Bobby: E por falar em coisinhas delicadas vamos falar do Bobby, o herói do grupo. Com seu tacape mágico, Bobby saía derrubando tudo o que via pela frente. Era um pirralho se achando o fodão! Bobby era o primeiro a borrar as calças e seu medo primordial era o próprio medo de encarar sua imaturidade. Também pudera, só tinha 10 anos. Isso me lembra aquele operário das famosas “rádio peão” das Empresas. Quando recebe a notícia da promoção no cargo, logo estufa o peito se achando o Donald Trump. Por Deus, é muito ego pra um corpo só!

- Mestre dos Magos era o soberano do bem maior. Mas como um anão idoso poderia ajudar o grupo a sair daquele mundo hediondo? Ele daria um ótimo sucessor do Mestre Yoda em Guerras na Estrelas (são parentes, tenho certeza!). O “maquinista de ferrorama” adorava palpitar e seus conselhos filosóficos eram sempre mal sucedidos. Palpiteiro me remete a lembrar os nossos “indagáveis” assessores, sempre aptos a opinar em algo que já está produzido, encaminhado e resolvido. Já viram algum palpite dar certo?

- Tiamate era a consagração do mal em sua mais assustadora forma. Um dragão gigante de cinco cabeças, (até o Vingador se borrava com ele). Suas cinco cabeças formulariam um arsenal químico imbatível para o Pentágono. Devo confessar que não há contradições nesse personagem, mas ele prestaria ótimos serviços para o depto de contas a pagar de qualquer companhia. Imaginou um dragão de 5 cabeças cobrando pelo trabalho não pago? Seria o fim da inadimplência no Brasil!

- Demônio das Sombras era o “capachão” do Vingador! Dedicava sua vida a bisbilhotar e a fofocar as atividades dos meninos, uma espécie de Leão Lobo das tardes das donas de casa desocupadas. O fiel escudeiro do Vingador daria um perfeito “office boy” interno em qualquer pequena, média e grande empresa. Carregando malotes e colhendo informações para seus gestores.

- O Vingador era o vilão supremo, maligno e diabólico. Ele tinha os três elementos fundamentais para se graduar como um excêntrico filho da puta: Era falso, impiedoso e hipócrita, uma verdadeira ameaça tripla! Entretanto, o Vingador não passava de um quarentão ranzinza e intolerante cujo desejo era expulsar os visitantes indesejáveis do inferno. O demônio das Sombras, seu fiel discípulo, era nada mais nada menos que o Saddan Hussein, contrariando o que eu disse acima sobre a sua real identidade (não ia ter graça desmascará-lo antes da hora certo?). A tarefa de Saddan era ajudar os meninos a encontrar o Hopi Hari (o famigerado parque de diversões), e enviá-los de volta á sua cidade. Afinal de contas, o inferno já está bombado de gente hipócrita, metida á bonzinho e cheio de boas intenções, o Vingador só queria sossego!



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Receita nada infalível


Desmotivado, emputecido, indignado? Levanta sua massa anal da poltrona e vá se olhar no espelho! Essa invenção demoníaca da vaidade tem seus méritos: ajuda a enxergar não só o que você está vendo, mas o que está por vir se você permanecer na inércia.

O fato é que não existe nenhum tipo de ensinamento, programa ou curso que nos auxilie a trabalhar o inaceitável. Nascemos com uma espécie de expediente inicial que só vislumbra o paraíso, onde deitamos e rolamos sem qualquer tipo de rejeição, recriminação ou inadmissão. Para nós, a vida deveria ser uma eterna “casa da mãe Joana”, só bagunça, farra, porres e euforia.

Temos repulsa pela merda e pelo medo! Procuramos um amor sublime e perfeito, queremos um emprego com cargas moderadas de trabalho, mas com salários megalomaníacos. Queremos passear nas ruas sem violência, sem trânsito e sem stress. Queremos controlar os impulsos, as pessoas e a meteorologia, mas nos esquecemos da principal força propulsora da motivação do mundo: a insatisfação.

Como renovar a vida sem o sabor amargo das topadas no muro? Como evoluir sem as tropeçadas e como adquirir experiência e sabedoria sem enfiar a fuça nas portas da rejeição?

A vida é um jogo de compensações. Tão dinâmica quanto os jogos de roleta russa, tão opcional quanto suas escolhas e tão múltipla e metamórfica quanto à evolução da nossa espécie.

O inaceitável não combina com a esportividade muito menos com o “fair play”. Nunca vi alguém levar um pé na bunda na esportiva; desconheço alguém que é trocado por outra pessoa e sorri por isso e também não estarei vivo pra presenciar um ato nobre de um namorado ao levar um chifre.

Não existe nobreza nos infortúnios do amor, mas levar um chifre é tão natural quanto um seqüestro relâmpago. É como um consórcio, quanto menos se espera é contemplado. Ninguém está imune á isso, simplesmente porque as pessoas são imprevisíveis. Ás vezes passamos anos ao lado de um amigo ou de uma companheira achando que o conhecemos bem e numa simples atitude tudo se inova, tudo se desvanece.

Ás vezes é bom desligar a nossa “tecla de responsabilidades” e divagar na ficção de um sonho, imaginando que seria muito bom monopolizar as alegrias e colocá-las em uma custódia permanente.

Parece receita de bolo da Maria Braga, mas a vida é assim: Desilusões que nos tocam e ilusões que nos contagiam.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um tango de argentino doido


O que Maradona fez para o futebol argentino é incontestável, mas até onde o grau de idolatria de uma imagem se confunde com o fanatismo e com a soberba de um ídolo? Maradona tem poder para dirigir uma seleção?

Diego Armando Maradona é a representação do céu e do inferno que um ser humano pode enfrentar na vida, é um senhor feudal e um vassalo ao mesmo tempo.

De carreira ascendente cósmica para um fundo do poço humilhante e difamado: Em 2004 ficou durante 11 dias internado entre a vida e a morte por dependência química da cocaína, a imprensa argentina dava enfoque em sua reabilitação, mas nunca tocou no assunto da sua prevenção.

Já no Brasil, a imprensa externava certo “deboche” e zombava da consternação do povo argentino. Por outro lado, a rivalidade entre a Argentina e o Brasil limita-se entre as quatro linhas do campo de futebol. Não há nenhum outro tipo de animosidade entre a população dos dois países. Existe muito respeito inclusive.

Maradona realizou façanhas notórias no futebol, mas o ponto mais viril de toda sua trajetória é o fato dele atingir em cheio todos os corações argentinos, uma espécie de Michael Jackson do futebol.

Não existe grau comparativo de adulação de um ídolo como é a adoração que “los hermanos” tem por Maradona, é algo transcendental! Basta analisarmos por um ponto de vista territorial: Pelé no Brasil é o rei do futebol, Maradona na Argentina é o próprio Deus do futebol!

Me impressiona perplexamente ver um time como a Argentina (recheado de craques mundiais) perdendo plasticamente em casa para o “segundo” time do Brasil. Opiniões inclusas, não posso entender que uma seleção que tem Daniel Alves, Felipe Melo, Elano, Gilberto silva e Robinho seja a seleção “top one” do nosso país, não tenho dificuldades com a minha vista muito menos com a minha inteligência.

De qualquer forma, Maradona perdeu em casa com o time completo e foi ovacionado? Os vilões, alvos da torcida foram só os jogadores? Não há nada de incongruente nessa relação passional? Existe algum tipo de compreensão para isso? Existe sim, e chama-se Maradona!

Podemos realmente dizer que a Argentina vive um período de carência de ídolos em seu país? Uma vez em que Evita Perón, Carlos Gardel e até Che Guevara deixaram saudades?

Participando ou não da próxima Copa, seus fiéis seguidores jamais levariam Maradona aos tempos da inquisição. Maradona não possui detratores e os fiéis seguidores não são meros freqüentadores de um clube, é uma legião latente e fanática chamada Argentina.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Os Gremlins e a cidade de São Paulo


A não ser os filmes que possuem aquele aviso em letras garrafais: Baseado em fatos reais. Nunca vi algo que saísse das telas e invadisse a vida real, geralmente é na ordem inversa: Copia-se um fato e publica-se uma lenda.

Se você viveu na década de 80, certamente viu esse filme. Gremlins é um filme divertido e assustadoramente engraçado, cujo enredo jamais ultrapassou a realidade humana ficando sempre na ficção do genial Steven Spielberg. Pelo menos até agora...

O fato é que a cidade de São Paulo foi invadida por milhares de Gremlins e a qualidade de vida despencou ladeira abaixo feito uma bicicleta sem freio. Quem já morava aqui teve que se adaptar á essa invasão sem precedentes.

Traçando um paliativo do filme, os Gremlins se proliferavam ao cair em qualquer recipiente que tinha água, multiplicando-se aos montes. Aqui em Sampa a mutação transformou os Gremlins em “acasaladores” desenfreados, feitos coelhos no inverno. Não precisa de água para aumentar a família, basta qualquer tipo de moradia básica e lá estão eles, fazendo o “tchá tchá tchá” como ninguém.

Os Gremlins incorporaram cientificamente a morfologia de outra inimiga épica, a barata. O clima hostil do inverno faz com que a desocupação seja a principal justificativa para o “tchá tchá tchá”, uma vez que nesse clima adverso eles quase não saem de casa.

Por outro lado, já no verão tropical dessa selva de pedra, eles invadem todos os cantos possíveis e imaginários criados pelo homem. São tantos que não temo em dizer estatisticamente que devam existir ao menos uns doze para cada habitante.

Aqui os Gremlins doutrinaram seus gostos e hábitos e superaram os traumas da luz solar. Eles adoram uma praia! Basta ter um solzinho e um feriado na sexta que as praias se transformam num Ceasa gigante.

Outro ponto evolutivo para esses seres hediondamente engraçados é a questão da vida noturna. Os Mogwais não podiam comer depois da meia noite porque viravam Gremlins, hoje com a evolução da espécie, eles não estão nem aí pra meia noite, pelo contrário, essa é a hora exata pra sair na rua e encher a pança com fast food.

Eles podem até ser necessários para o equilíbrio da Metrópole de alguma forma, mas deveria haver um raticida mais eficaz, só para manter a balança em total nivelamento.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nostalgia não paga ingresso


A matinée em casa já começava no sábado e só acabava no domingo. Passávamos na locadora após o almoço de sábado em busca dos lançamentos da época: Admiradora Secreta, Clube dos Cinco, A Hora do Espanto, Goonies, Os Garotos Perdidos, Namorada de Aluguel... Enfim, uma gama infindável de filmes ocupavam as nossas tardes aos finais de semana.

Na segunda feira, íamos munidos de informações para o colégio e claro, colocávamos em prática algumas peripécias aprendidas com os personagens dos filmes. Nossa educação se baseava nas traquinagens dos filmes estilo “sessão da tarde”: jovens desocupados com o cérebro cheio de segundas intenções, calças baggy e nike cano alto, além das camisetas tamanho GG que caíam sobre os ombros e cobriam os joelhos...

O figurino “new wave” impressionava os corredores na hora do “recreio”. Os filmes dos anos 80 doutrinavam tendências, moda e comportamento. Era cool ser o galã da classe, o corajoso, o engraçadinho metido há espertinho quando muito não se passava de um virgem imaculado, (filmes como Porkys, A Primeira transa de Jonathan e Picardias Estudantis não me deixam mentir).

As produções oitentistas retratavam uma era singela e crédula para a moda, ou seja, você era o que tinha no armário e não o que as grifes e os designers produzem como os dias de hoje. A roupa era a sinalização pura e inocente da retratação do jovem perante a sociedade daquela época, demonstrava opressão, as inquietações com a censura, os conflitos com os pais e o comportamento entre os casais na descoberta do amor.

Sem muitos apuros literários, os filmes dos anos 80 me hipnotizavam! Existia um gênero para cada ocasião, ou para cada intenção. A época oitentista era pontuada por encontros de amigos na casa de amigos. Você levava seu melhor amigo para assistir um filme na casa do seu outro amigo, convidado pelo melhor amigo dele. E assim criava-se um ambiente amistoso para se conhecer as amigas dos amigos também...

Os filmes de comédia com segundas intenções eram pra ser visto com uma turma imensa, depois o óbvio acontecia: Começava-se a contar vantagem ou a dizer que o que Ferris Buller fez no Filme “Curtindo a Vida Adoidado” todo mundo faria...

Os filmes de aventura enalteciam o ego dos mais vaidosos. Quem não se sentia “macho” ao ver o mocinho salvando a mocinha em “Ruas de Fogo”? Uma emoção tomava conta da gente após o filme. A trilha sonora desse trailer é arrebatadora e hoje se transformou em clássico.

Já os filmes de terror eram estrategicamente usados para aproximar. Depois do susto que o Jason dava ao surgir do nada e matar um estudante no lago Crystal no filme Sexta-Feira 13, era necessário estar por perto, de preferência coladinho nela, só pra levar um apertão e segurar a sua mão.

Os filmes de adolescente daquela época eram psicodelicamente sensacionais, mas infelizmente nos reservam restrições em permanecer apenas em nossa memória “retro”, uma vez que a indústria cinematográfica tenha se tornado tão capitalista a ponto de não relançar esses sucessos imbatíveis pelo fato de não movimentar as vendas como os filmes enlatados e pasteurizados de hoje.

A modernidade possui seu encanto, mas em se tratando da sétima arte, eu traçaria uma metáfora: Esbarrei com a modernidade num luxuoso restaurante de lagostas e acordei com ela cheia de bob na cabeça, maquiagem esparramada, pés de galinha visíveis e sem o enxerto no sutiã.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dualismo mais que perfeito




Enquanto o mal está concluindo sua 3° MBA, uma delas na London Business School do Reino Unido, o bem está saindo do primário de alguma escola pública do estado. É espantoso descrever a sagacidade do mal e sua voracidade. Leva-se um “Barrichelo” para construir algo e leva-se um “Bolt” para destruí-lo.

O mal é autodidata, o bem é inculto e imaculado? Mentira, isso tudo é asneira pra promover histórias e lucrar com elas (que o digam as festas de Halloween).

O bem e o mal são contextos pré fabricados e que variam de acordo com o lado em que você está. É um dualismo: Uma esposa trai o marido e pode pensar que não está praticando um ato de infidelidade, ou um advogado que defende um elemento que cometeu crimes hediondos pode achar que ele é passível de ser absolvido. O bem ou o mal podem ser convertidos de acordo com quem o faz.

Mas por que será que toda bendita vez que se debate algo sobre o bem ou o mal as pessoas incluem sua religião? O bem é sempre caracterizado pela cor branca, ou por uma coloração azul clarinha, vulgo azul calcinha, lembra o céu e as nuvens e conseqüentemente os anjos. Por que ele não pode ser lembrado nas cores vermelha e preta? E por que cargas d água anjo têm que ter asinhas emplumadas e um contorno de frescobol na cabeça?

Já o mal é caracterizado pelas trevas, pura bobagem! Trevas é sinal de miséria e de falta de planejamento econômico na família, não tem nada a ver com o mal. Não pagou a conta de luz? Vai ficar nas trevas.

Ainda acredito que o bem e o mal não têm tanta força quanto o moral da história. Tudo isso se agrupa em uma analogia simples: Em um livro! O prefácio somos nós, seres pensantes. O bem e o mal seriam o começo e o meio, e por fim, a moral da história. A moral da história possui força, é imbatível e resume toda uma trajetória, seja ela benéfica ou maléfica.

Diante desse livro, surgem os personagens indesejáveis, como a Lei de Murphy. Mas o pobre Murphy só pode ser relacionado com o certo e o errado, com a sorte ou com o azar, não tem nada a ver com o bem e o mal. Lembre-se que a sorte ou o azar sempre estão em perfeita simetria equitativa: O seu azar contribui para a sorte alheia, muito embora você não esteja dando a mínima para quem recebeu a sua sorte. Seu egoísta juramentado!

O bem e o mal só existem na sessão da tarde (entre os mocinhos e bandidos) e nos programas de fofocas (entre os desocupados fuxiqueiros).

O resto? O resto está na sua pré disposição!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Segredos do Pedigree


Que o cão é o melhor amigo do homem, isso não é novidade alguma, mas que nossos companheiros caninos se tornaram facilitadores sociais, isso sim é um avanço!

Pesquisas recentes sobre os pets informam mais esse dom em nossos fiéis mascotes: Pessoas que possuem cachorros estão mais propensas a se relacionarem com o mundo social, isso porque o cachorro unifica as pessoas, entretém quem passa perto deles, aproxima desconhecidos e muitas vezes até pelo simples interesse pela raça ou pela beleza do bichano.

O fato é que essa relação simbiótica vem de anos atrás e tornou-se mais intensa porque deixou de ser utilitária e passou a ser sentimental (e é aí que entram as mulheres, hehe).

Esqueçamos os fatores do parágrafo acima (são relevantes, porém já foram testados), e vamos focar na palavra integração. O papel do cão é fundamental para essa integração e para uma eventual aproximação, mas não se esqueça que é preciso trabalhar em coletividade, ou seja, devemos agir como uma retumbante orquestra, e seguir as indicações do maestro; “Afinar” a abordagem e não soltar a coleira, nunca.

Os Labradores são perfeitos coadjuvantes nessa trilha musical, possuem um rostinho melódico de quem quer colo, uma carinha de bobão ingênuo, um andar rítmico, falta só o refrão... Claro que isso é com você amigo, ou achava que seria tão fácil assim?!

Predisposto a acatar todo e qualquer tipo de ordem, os Goldens seguem na seqüência da conquista; são meigos, afáveis, solidários e domesticáveis ao extremo (bem mais que muito bípede por aí) e se entregam facilmente á um agrado feminino. Ideal para iniciar um bom bate papo, mas cuidado: Procure levar seu cão em locais de seleta concentração feminina, ex: Parque do Ibirapuera (pelas manhãs), Shopping Iguatemi, o bairro Moema etc... O bichano é dócil, mas não dispensa o refinamento.

Aproveite enquanto ela se curva para fazer um cafuné no seu cachorrinho e dê o bote, mas não chegue como uma cascavel fazendo barulho, espere os comentários sobre seu parceiro fiel e aproveite a réplica, sem latir, claro.

Se a situação for inversa, quer dizer, você sem o cão e ela com o cão, seja sorrateiro: Procure criar uma atmosfera de interesse primário pelo o que ela tem na coleira e não pelo o que ela tem atrás da roupa de ginástica. Demonstre interesse e afeto pelo “au au”. É um ótimo atalho para você expressar seu lado Don Juan e quem sabe assim passar pelo primeiro simulado, dela, óbvio, não do cão.

Em tempo: Pelo amor de Deus, não utilize-se de frases idiomáticas e pasteurizadas do tipo: Seu cachorrinho tem celular? Orkut? Msn? Lembre-se que os bonanzas não prosperam (nem em filmes “sessão da tarde”).
De qualquer forma, embora não haja nenhum estudo preciso sobre o tipo de raça que agrada mais, ou agrada menos, o essencial é você estar sempre preparado. Afinal de contas, perante toda essa era moderna que estamos vivenciando, os cupidos deixaram de seguir as ilustrações dos Deuses e passaram a ter patas e a latir, nada mal para quem só vivia nas linhas subliminares da literatura. Agora é com você!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Valores perecíveis


Eu estava simplesmente andando por aí, era apenas mais um na multidão. Tentando me esconder da chuva, tentando me esconder de mim mesmo. Buscando encontrar um meio artificioso para escamotear as dificuldades. Hoje em dia as coisas andam distantes, não há mais uma ponte para atravessar essa avenida.

Como o céu pode mudar de cor quando retorno ao passado? Os mistérios da vida são tão irresistíveis, entretanto algumas descobertas são tão implacáveis na adolescência. Queria o diploma antes dos primeiros fios brancos. Quero protagonizar uma vida de ensaios gerais!

A inocência pegou o trem espacial e rumou para os confins de um buraco negro. Valores reverenciados não figuram mais nesse solo, nem mesmo em outdoors. Os bons costumes e o respeito se tornaram acessórios. Quem tem esses valores é porque ainda acredita na existência deles. Ai de mim que ainda reverencia contos de fadas.

Hoje em dia não existem mais bailes para protagonizar um cenário de primeiro amor!

Hoje em dia as estrelas estão tão distantes, escondidas por um clima tempestuoso, fruto de tantos interesses capitalistas do homem.

Hoje em dia as pessoas se precipitam tentando realizar sonhos que ultrapassam o alcance dos dedos. E com isso se frustram e frustram a esperança de outros.

Hoje em dia não há longitude em respeitar etapas, nem magnitude em conquistá-las. O amor se apressou na pressa das pessoas que só tem pressa para reciclar.

Notei que nunca me disseram como devo me comportar. Os livros nos ensinam didaticamente? Não quero deixar tanta vida pra depois! Nas curvas do meu caminho tenho sede em me apegar e receio de me pegar no súbito flagra de uma saudade mal esquecida!

Quero o amor brincando de pega-pega, não de esconde-esconde. Como reza a música, quero “ouvir palavras de um futuro bom” com atitudes nobres e congênitas, não medíocres e assintomáticas.

Mundo real ou mundo ideal? O efeito das coisas depende do meu estado de espírito? Da minha pretensão em querer escalar o Everest? Ou da minha inércia em viver submerso na litosfera?

Não tenho mais volúpia em descrever a humanidade. Nesse entra e sai de sensações e atitudes, troquei o altruísmo pelo egoísmo, minha lupa está focada em tantos ideais de vida que me lembra borboletas em uma selva sem dono.

Tropeço em tanta gente cometendo equívocos lamentáveis e trocando insensivelmente a prioridade pela opção (e vice versa).

Não sou o peão, nem o bispo e muito menos o rei, mas sei que quando o jogo termina, até a rainha volta pra mesma caixa. Não quero jogar esse jogo de compensações, o que quero jogar é jogar fora as coisas que perderam a validade em minha vida.

Hoje em dia vejo marcas perambulando pelas ruas, intituladas de pessoas.

Hoje em dia buscamos a aceitação de outras pessoas sem reconhecer que é da própria aceitação que precisamos.

Hoje em dia eu vislumbro um universo atípico dos dias atuais.

E não me pergunte como ele é, conforme o terceiro parágrafo, ainda me debruço em contos de fadas.