Crônicas

sábado, 31 de dezembro de 2011

Obedecendo ponteiros


Me olhei no espelho hoje pela manhã de uma forma diferente das outras manhãs. A última olhada de 2011? Claro que não! Mas a última manhã de 2011 (já viu libriano se desquitando de um espelho?).

Uma olhada mais prolongada que as normais e, dessa vez, sem pensar nas reuniões e nas tarefas diárias do dia... Troquei meus pensamentos imediatistas por um pacote de satisfações chamadas de “reflexão”.

Encarei. Confrontei. Me peitei!

Um embate saudável entre o consciente e o ciente, entre a realização e a aceitação, entre o isolamento físico e mental feito fita isolante separando os fios desencapados do abajur.

Acho que respeitei o relógio... Obedeci cada ponteiro e seus movimentos circundados e metódicos durante grande parte desses 365 dias que se passaram, jazidos pela única força capaz de superar o tempo: a saudade!

Em 2011, estudei os meus movimentos sem compreender exatamente a sua causa. Cinemática pura!

As pessoas que me roubaram, pessoas que me tomaram emprestado e as que me devolveram provando que a física e as suas leis são verossímeis em suas regras – aceleração e desaceleração – densidade de energia – força resultante.

Entretanto, há de se honrar o trabalho como um montante e não na reta final como todo processo organizacional impõe... Talvez aí esteja infiltrado o grande desentendimento da humanidade: analisar o resultado somente pelo fim...

Sou um psicanalista assumido dos meus resultados, por isso encosto a porta educadamente para 2011 rejeitando-o seu pedido de esmola. Se levo algum resquício de insucesso para 2012 fico com a sensação de que sou um livro decorado e previsível... Talvez aí esteja infiltrado o grande desentendimento da humanidade: fracassar nas metas anteriores e pensar na mudança somente nas doze badaladas do ano seguinte...

Por que temos essa mania patológica de transformar o ano em uma espécie de ata? Precisamos mesmo desse marcador de tempo? Para as mudanças não, nunca! Para sinalizar que estamos envelhecendo sim, se faz necessário!

Os números do calendário existem justamente para nós compreendermos que a ordem progressiva é sempre do número menor para o maior, para tanto devemos nos amplificar e comemorar cada ação, cada atitude, cada gesto... Lembrando que a jornada desse plano é uma brilhante e surpreendente brincadeira de “boomerang” num universo de “voz e eco”.

Agradeço de coração a todas as pessoas que realçaram a minha vida em 2011; satisfatoriamente ou não, tudo é um aprendizado quando o otimismo é o guia do caminho que se escolheu seguir...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Umas doses a mais


Fui dar indulto de Natal para o meu fígado e veja o resultado? Um súbito, porém previsível mal estar...

Sempre fui de traçar limites para as minhas estribeiras, mas sempre estendo este limite para uma linha mais longínqua; é como se o desenhista se empolgasse com a sua obra e continuasse sua arte mesmo após o término da sua cartolina...

Eu adoro o sabor intenso das coisas desmedidas e sem protocolos. Tudo que se preserva na esfera popular é cansativo, dá enjôo! Porém, nesse caso, o gosto inebriante da ousadia em provar situações diferentes deu lugar ao gosto agonizante da maestria em fazer cáca!

Exagerei.

Engraçado que - na gramática dos bêbados – não existe discordância nominal e nem verbal. O ponto final nunca aparece nas frases (nem nas atitudes), é vírgula atrás de vírgula que culmina em uma reticência infinita... ... ... ... Haja ponto pra tanto conto!

Poético, não?

Embora as atitudes sejam abstratas, notei algo de concreto na bebedeira:

A relação entre o metabolismo e o catabolismo é fantástica! Viva a ciência em prol da consciência!

Analise:

Enquanto você (bebum por excelência) ingere altas doses de álcool à medida que se socializa com os amigos, o organismo assimila o processo da sua ingestão desenfreada em prol da sua desinibição irrefreável.

A finalidade do catabolismo circunda na obtenção de energia através da matéria orgânica adquirida pelos seres vivos (razão fisicamente comprovada por quem bebe demais). Você já viu bêbado indo embora da balada antes das quatro da manhã? Haja energia!

Outro ponto interessante e relevante de toda essa “operação interna” é que estas etapas – momentaneamente invisíveis – dizem respeito às vias de degradação que são a quebra das substâncias ingeridas... Logo e subseqüente a isso, a degradação emocional está intrinsecamente correlacionada com a degradação fisiológica e biológica do ser que troca a calmaria da sobriedade pela insanidade da soberba alcoólica.

Perfeito isso!

Deus realmente existe, e os caminhos para se chegar a ele são tão tortuosos quanto os caminhos de um bêbado para se chegar ao seu leito.

Fiquei boquiaberto em descobrir a conivência dessa degradação, estou em choque!

Isso me ensina a difundir uma outra tese:

O álcool é um lubrificante social, mas há de se ter cuidado para não exagerar nas aplicações, justamente para não vazar para outras engrenagens.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Em dissonância com nós mesmos

O vazio possui uma estampa, um código de barras que se diferencia e que se auto-intitula perante a civilização, haja vista, desde que o ser humano aprendeu a falar - tudo é devidamente nomeado e catalogado...

O vazio (a que me refiro sem a eloqüência que aprendi em minha criação) se chama rotina... Pura e cristalina rotina.

A rotina é uma verdade intranqüila, isso porque o maldito ser humano precisa – além de dar nome aos bois – justificar as características de cada nome.

Entretanto, ao justificar a razão de sua existência, julgam a essência do seu significado. E julgam mal, muito mal!

A rotina é o reverso da vontade humana. Ninguém gosta desse nome e do que ele pode significar. Ela é uma cobrança intrépida e voraz que te acompanha desde a placenta, passando pela incubadora, pela transição da fralda para a bicicleta e consecutivamente – em ordem progressiva e escalonada – para as escolhas que você optou seguir.

A rotina é um fato paleontológico. Uma obra condenada pelo vício humano.

No desespero nosso de cada dia, na guerra fria entre a inércia e a vontade, sucumbimos à frase “não caia na rotina” e tentamos formular um roteiro para a nossa vida ser mais temperada, entretanto, transferimos as responsabilidades do mundo prático para o futuro, hipotecamos o tempo como se ele fosse um escambo, uma negociação.

Desconhecemos o valor da mesmice porque queremos saborear a todo instante o valor do ineditismo, uma fracassada realidade virtual criada pela nossa capacidade efêmera de imaginar. De inédito a vida não tem é nada, os acontecimentos perdem a harmonia do ineditismo quando são revelados!

Será que se vivêssemos em segredo seríamos mais atraentes e mais respeitados? Haveria mais cobiça em desvendar a nossa própria caixa preta?

O vazio que devemos respeitar quando estamos em pleno tédio me leva a submergir em uma profunda reflexão onde noto um desequilíbrio triste entre a caixa preta e a caixa de Pandora que cada ser humano carrega em seu âmago.

Raio X: Estamos - a cada dia - mais envolvidos em nossa individualidade!

Por isso que – ás vezes – é sempre bom se entorpecer na rotina. Ela é o método mais civilizado e mais complacente de anestesiar o caos. Ela é o GPS dos caminhos que você escolheu pela vida, indo contra a sua vontade ou não!

Gestão... Planejamento... Organização... Amor e rotina, sempre!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

As palavras do meu silêncio


- “Este ovo em cima da mesa da cozinha é meu ou é dele?”


Quatro dias se passaram e o silêncio é a palavra de ordem de um relacionamento cuja linha que separa a razão da emoção é mais fina que um fio de cabelo.

Relações sensíveis merecem medidas insensíveis. Não deveria ser o contrário?

A humanidade e suas controvérsias.

O silêncio que jaz em minha casa tem tradução, porém, ao invés de escrever uma cartinha (como orientou a ex tutora parcial do meu coração), prefiro decifrar em “crônica” o meu silêncio, afinal de contas, escrever é reverenciar o silêncio, desde que a minha intenção seja permanecer calado.

O silêncio (obra da intersecção humana) tem os seus benefícios, porém, a exaustiva falta de um diálogo traz danos à imaginação. Um intervalo longo de penitências e hipotéticas conclusões que são constituídas pela raiva e pela indignação.

Esse mal entendido nos transforma em pessoas desvalorizadas, inúteis objetos do circo humano, por isso o silêncio não pode ser desmedido e autoritário, deve ser controlado e intercalado em trocas de pontos de vista.

Entretanto, na feira livre da vida, uns compram brigas, outros dividem rancores, outros deixam amor como fiado... Eu prefiro catalogar o meu silêncio:

1ª fase - Meu silêncio me traz um desafio e desafia o opressor. Dúvidas sempre são bem vindas em um relacionamento. Há de se ter medo para lá na frente ter respeito!

2ª fase - O meu silêncio me reedita e refaz meus conceitos, porém, isso não me basta para canonizar o perdão como agente passivo da minha conduta.

3ª fase – Meu silêncio me traz a paz compulsória de uma biblioteca, sem eu ter que me entristecer com o livro que escolhi.

Um livro nunca se fecha. Uma briga sempre se anexa. Uma frase nem sempre é complexa.

“Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo.” – Oscar Wilde

Já já tudo volta ao normal. Hoje toma-se uma decisão, amanhã já não sabemos se queremos defendê-la!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O passo do primeiro passo

O esforço começou timidamente, como se fosse o primeiro discurso de um palestrante...

Mas começou, de qualquer forma ele começou...

Talvez pela ótica de quem julga, uma atitude “minimalisticamente pequena”, mas para ele, uma imensa atitude executada em silêncio, sofrida e angustiante, o passo do primeiro passo.

As mudanças geram desconforto, mas propiciam ajustes que se fosse pela inércia, jamais seriam notadas.

Mudar é agachar sobre a idade. É ludibriar a teimosia das tuas convicções enraizadas desde as primeiras topadas da tua vida. Sinalizá-las no momento certo é ir à frente no tempo e dar uma volta e meia a mais que qualquer mortal nessa corrida incessante chamada de vida.

A única controvérsia em mudar é ser convencido por você mesmo que mudar é um caminho longo e sem perspectivas. Os seres humanos se convencionaram a acreditar no protocolo que diz “quem ama não modifica, aceita do jeito que é”.

Nós somos a dúvida e a salvação!

O adversário mais ferrenho e mais competitivo da nossa vida somos nós mesmos. Lutar contra a própria vontade é a mais viril e cruel das batalhas...

Se perdemos continuamos com nossas convicções, se vencemos abrimos um alçapão de oportunidades; nos reciclamos.

Reciclar é aceitar, não é inovar! Inovar é produzir o Ipad 8, o Iphone 10GS ou uma barra de diamante negro com as mesmas calorias de uma folha de rúcula.

Reciclar é ir além das tuas ambições, dos teus anseios e da sua benevolência.

Reciclar é se tornar um super humano, por isso não é nada fácil!

Entretanto, acima de qualquer força vertiginosa, acima de qualquer adversário ou acima de qualquer super humano, existe o amor.

Quem ama tem a energia depositada em cada gota de suor ofertada pelo esforço. Quem ama se tele transporta e vai além...

... Além das tuas ambições, dos teus anseios e da tua benevolência.

O amor, assim como qualquer início ou recomeço é como as mudanças: ocorrem em um silêncio digno e incessante. Quando você menos sentir, já estará sentindo o amor.

Mudar sempre, desde que o crescimento seja a meta e que essa meta esteja na platéia, aplaudindo o teu esforço e a tua glória, afinal de contas, para todo motivo existe uma mudança e para toda mudança existe uma motivação.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Beleza qualificada

A beleza que enxergo é insana e se concentra logo abaixo da epiderme, infiltrada em uma veia escondida; quando ativada emite vibrações que percorrem lucidamente cada poro desse corpo balzaquiano de trinta e poucos anos...

Insanidade é palpável sim e não vive somente na ponta da língua!

Ela vive nas nuvens onde se formulam rostos. Ela sobrevive nos contos negativos do mês de agosto. Ela mora entre a certeza e o suposto. Ela saboreia o teu gosto e sorri diante do teu desgosto.

Minha beleza é longitudinal e empírica, vive há poucos milhares de centímetros da minha pia, do meu armário e do portão da minha casa. Vive a exatos segundos de uma mensagem de texto ou das teclas do meu Iphone.

Minha beleza é bonita, porém, muito mais interessante que a própria face visual de quem a vê... Vale muito mais a beleza do interesse que o interesse pela beleza. Ela prefere o anonimato da certeza que a publicidade da inveja.

Minha beleza é exibicionista, mas não é metida, possui um grau equivalente ao amor que sinto. Afinal de contas, o amor é exibicionista, sempre queremos ser mais do que somos e sempre nos dedicamos mais que o normal. Fazemos coisas que até a nossa progenitora duvida!

Não existe só confiança. Existe fé!

Minha beleza, digo, a beleza que contemplo, não é caracterizada pela inércia, muito pelo contrário, existe algo de surpreendente e enigmático do qual ainda não descobri o motivo da minha sensibilidade e do meu apreço. É uma beleza que a cada dia mostra uma faceta diferente e eu nunca sei o que está por vir...

Inconstante!

Minha beleza é uma insaciável pergunta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Homen na pia, mulher no volante


Há exatos cinco meses venho pondo em prática uma atividade que vem me orgulhando a cada esponjada e a cada gota de detergente: Lavar louça!


Não, não, isso não foi um erro de digitação: Lavar louça está para um homem assim como dirigir bem está para uma mulher, sabiam disso?

Pois é!

E se as mulheres possuem os menores índices de acidentes atrás de um volante (nos deixando por vezes furiosos com isso), nós homens estamos ocupando o trono de “cuidadosos na cozinha”, haja vista, nós somos muito mais precavidos e atenciosos com as louças, pratarias, copos e jarras... (Isso também as irritam).

Eu sou prova cabal dessa tese; Nunca quebrei sequer uma xícara de café, derrubá-la no chão então nem se fala, sou mega disciplinado na frente da pia, porém, nada cauteloso no asfalto (coisa de homem).

E lavo bem viu? Nada de deixar resíduos de alimentos ou de espuma (isso seria um atentado a qualquer etiqueta de higiene).

Também pudera, sou supervisionado constantemente por um cachorro que fica ali, plantado do meu lado esquerdo observando atentamente cada movimento meu acima dele, ou seja, na pia.

De vez em quando tento ludibriá-lo jogando um brinquedo no meio da sala, mas o danado nem se comove com a minha vontade em distraí-lo; ele simplesmente não se descuida de mim!

Ainda assim, acredito que esse encalço canino diante do meu trabalho seja pura perda de tempo. Não me atrevo a cozinhar, mas mando muito bem nos afazeres pós-culinários!

Diante dessa minha expansão de modéstia desacautelada, eu afirmo:

Toda mulher quer um homem bom de pia!

Mas calma; a praticidade vem com o tempo, assim como andar, falar e fazer sexo.

Não que seja necessário um manual de sobrevivência, mas se o cara não tiver vocação para lavar louça, vá tentar tirar o pó da estante ou passar aspirador na sala. Lavar louça precisa de devoção, aplicação... Amor.

É por isso que o paradoxo traçado entre homem na pia e mulher no volante é essencialmente oportuno para mim, algumas mulheres dirigem melhor que muito marmanjo por aí, com devoção, aplicação e algumas ofensinhas de leve...

... E eu sou prova disso, porque enquanto piloto bem uma pia, ela pilota como ninguém o carro dela.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Irrita!



O que nos irrita comove, satura, provoca, exausta, mas por outro lado incita a sabedoria e o aprendizado, haja vista, é bom conhecer a fundo os motivos que nos irritam (só para ficarmos mais irritados ainda).


Já reparou que tudo que irrita possui um motivo de existência mais irritante ainda?

Veja:

- Risadinhas e conversinhas imbecis dentro do cinema: Mesmo no escuro é possível analisar a idade mental do indivíduo que ri sonoramente como se a sala de cinema fosse a sala de estar da casa dele.

Motivo da existência: A integração conjunta de imbecis no mesmo ambiente aponta para uma falha despercebida por você: Quem foi que te disse que o filme “Velozes e Furiosos” era “assistível”?

Restart e Fiuk: Se a música popular brasileira fosse as Torres Gêmeas do WTC, Restart e Fiuk seriam os aviões.

Motivo da existência: O capitalismo selvagem dos empresários e a maldita carência da massa por ídolos.

Piadinhas em Happy Hour: Se já não bastasse agüentar pessoas do escritório falando sobre metas ou fofocando da pessoa que não compareceu, ainda ter que ouvir piadinha de bêbado que quer se aparecer é o ápice da irritação.

Razão da existência: O Happy Hour (ao contrário do seu significado) foi criado por algum bajulador no intuito de galgar alguma promoção interna na empresa. O cara provavelmente já morreu, mas a sua obra virou lenda, e o bajulador, um mito.

Marchas: O Brasil é o país que mais possui dias para comemorar algo. Dia do fico, dia do amigo, dia do amante, dia do abraço, dia do jornaleiro... Se para cada dia comemorativo houvesse um feriado, a transação monetária do país seria “chinelos” e não “reais”.

Agora as marchas estão na moda. Antigamente era a irritante Marcha de Carnaval, hoje já tem no “setlist da desocupação”, a Marcha da Liberdade, a Marcha contra homofobia, a Marcha dos Vagabundos e agora a Marcha da Maconha.

Motivo da existência: O motivo eu desconheço, mas a causa todos conhecem bem: A causa do roxo na pele, a causa da irritação nos olhos por conta do spray de pimenta, a causa do braço quebrado, enfim... É até hilário, você defende uma causa que te causa casos.

Flanelinha: Esse indivíduo “sui generis” é um enrosco em nossa vida social. Veja: Você ta morrendo de pressa e a sessão do cinema vai começar. Prevendo que o Kinoplex estará cheio, você pára na rua, desliga o carro, sai, fecha o carro e, surge do além o flanelinha dizendo que você não pode parar onde parou.

Motivo da existência: Obra criada pela super população das grandes metrópoles para complicar o descomplicado.

Uma perguntinha: Quem é ele para dizer onde você deve parar?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Era uma vez...


Nenhum obstáculo vivo passava ileso pelo movimento da espada de um príncipe. Dotado de um senso comum e inerente de bravura, os príncipes achavam que suas vidas não sobreviveriam ao próximo final de semana, embora o calendário na época fosse confuso e insensato...


Entretanto, em meio às defesas de seu reino, território ou coroa, um compromisso era inadiável e exato: Arrumar uma paixão!

Existia tempo hábil para isso? Sim, claro!

Embora submissos ao poder da monarquia e suas regras de servirem impiedosamente à somente um rei, os príncipes tinham tempo para a dedicação da pretensa candidata a ocupar o estofado macio do seu trono...

E não, isso não é um conto de Walt Disney!

O tempo passou e a humanidade consagrou a imagem desses jovens corajosos (com sua espada, seu elmo e seu cavalo branco) em imortais, dentro das páginas quadradas dos livros de história (ou da modernidade do seu Ipad).

Mas todos os príncipes foram dizimados? Sim, quase todos!

Hoje, os hábitos são outros, os costumes e os valores também e as tarefas para quem é príncipe se multiplicou relativamente em comparação aos anos da antiguidade.

Danou-se?! Sim, danou-se!

Os príncipes de hoje precisam (no mínimo) de uma formação acadêmica em heroísmo. A Sala da Justiça está pior que a USP: Se é difícil passar pela porta, pior é se manter lá dentro!

Entretanto, ao contrário do nosso regime empregatício de recrutamento, a Sala da Justiça está vazia, possui mais oferta do que procura; isso porque nenhum marmanjo quer se tornar príncipe ou herói por conta da evolução da promiscuidade e do desapego quase que institucional.

A concorrência quadriplicou. O casamento se banalizou. A sociedade se tornou uma quitanda de pessoas. Orgulho e prepotência só ficam atrás de “amor” e de “compreensão” no dicionário.

Sim, danou-se tudo!

E diante dessa relação desigual entre “oferta e procura” eu arrisco uma oferta:

Troco minhas redes sociais por uma espada e um puro sangue branco!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Sonhos não morrem


Presumo que um dos segredos mais sórdidos da natureza humana seja a busca frenética em descobrir o segredo alheio, assim quem sabe seja possível suportar e conviver com os nossos.

Confuso, não?

Que nada, simples!

Os segredos não existem, eles coexistem em meio ao seu tempo e ao espaço do outro em permitir que você fale sobre o segredo alheio. Pura relação entre tempo e espaço.

Os sonhos se sobrepujam movidos pelo interesse (tempo) e os segredos sobrevivem nos tímpanos (espaço).

Se os sonhos não morrem as vontades não falecem e os obstáculos não se adoecem. Seguindo essa ordem cronológica de tempo e espaço, nosso ritmo alucinado nos transforma em seres individualistas: A consciência nos cobra! Existe a vontade, mas falta a iniciativa.

Entre a razão e a emoção está incrustada a maldita preguiça. Ela interfere na harmonia dessa relação (razão e emoção), talvez seja por isso que muitos amores sucumbem sem honras ao mérito, lançados nas fissuras do descaso ou caracterizados em frases sórdidas do tipo “a fila andou” ou “você merece coisa melhor”.

Talvez seja por isso que de vez em quando bata aquele arrependimento na porta da consciência pedindo para que você faça “valer à pena” na vida de alguém: uma ligação, um email, um “toc toc” na porta. Uma visita inesperada faz com que a esperança espere sempre um pouquinho mais.

Faça o teste: bata na porta de alguém que você gosta e que a falta de tempo desgosta. Você vai encontrar a sua alegria ao ver a alegria do contemplado.

Sonhos que não morrem. Vida que escorre. Tempo e espaço inatingíveis. Relógio incansável.

A vida escorre paulatinamente e nos causa um frisson esquisitamente gostoso porque vivemos sem saber sobre o amanhã, mas ela não é curta, jamais!

A vida não é curta!!!

Quem foi o metido a sábio que ditou isso na humanidade? A vida é suficientemente longa para que façamos dela algo marcante e eterno.

E se o relógio marca o tempo incansavelmente e nossos sonhos dependem da nossa validade aqui neste plano, como será a unidade de medida da eternidade?

Nossas ações!

- Alice: Quanto tempo dura o eterno?

- Coelho: Às vezes apenas um segundo.

(Alice no País das Maravilhas)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Abraços sem laços


Ao perseguir um abraço lutamos pela sobrevivência da carência e afugentamos nosso medo de permanecer só.


Ser carente não é brega! Ser carente é mó barato!

Ao recusarmos a carência, submergirmos em uma passionalidade silenciosa, tímida, rejeitada e negada. Já viu alguém elogiar a carência de alguém?

- “Ah, ele é um amor de pessoa, tão inteligente, altruísta, perspicaz, mas é tão carente...”

A única coisa que acompanha a carência (além da sua vontade em perseguir um abraço) é o advérbio “mas”...

- “Adoro você, mas você é tão carente.”

O exagero persegue a carência do carente porque o carente é sempre intitulado de exagerado, mas na verdade não existe exagero, existe abstinência de carência nas pessoas. Hoje em dia quase ninguém é carente e, os que são, vivem uma peça teatral encenando uma vida completa e adocicada.

Querer carinho a todo instante, não é carência, é insegurança. Não confunda!

Ah, um abraço...

São segundos caracterizados por uma emoção que vai além da vida, saindo da penosa realidade e brincando de viver. É um clássico da conjunção afetiva humana.

É isso; é o mais clássico dos clássicos!

E mesmo sendo um clássico, a cada dia se torna mais jurássico; tá faltando abraço em vários braços, ta faltando coragem para reivindicar abraço e ta faltando humildade para reconhecer a falta que faz um abraço.

Os abraços de hoje precisam de laços, Assim como uma caixa de presente necessita ser envolvida e abraçada por um laço! Acho que até cabe uma campanha do abraço nas redes sociais.

Os abraços são dobras que viciam a vida e enrugam nossos braços.

Já ganhou um abraço hoje?

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fauna glacial


As mulheres de outro mundo que me perdoem, mas esse mundo precisa acabar!


Eu sei, eu sei, vocês com toda essa volúpia e graciosidade nos fazendo buscar e alcançar sempre mais nessa vida, mas a humanidade precisa ser reciclada...

Aqui segue meu “upper-cut” em prol da mãe de todas as mães, da suprema fertilidade, da criação de tudo que é natural e que hoje sucumbe a uma paisagem fabricada pelo mais infiel dos fiéis filhos de Deus: O homem.

Não é só o “politicamente correto” que está acabando com o mundo, o homem produziu a sua própria destruição com o crescimento desordenado da população e, nessa “competição” para ver quem destrói o planeta primeiro, a natureza assiste de soslaio, a sua própria degradação...

“O mundo não está acabando, ele só está superlotado.”

Talvez... Porém uma coisa é certa: A natureza se recicla!

Tudo passa diante dela: O C02 lançado todos os dias em sua atmosfera; o abuso dos recursos naturais sem conscientização; o gasto abrupto de água nas calçadas só pra deixar mais limpinha a calçada onde a madame vai passar com o carro dela, enfim... Exageros sem fim!

Alguém aprendeu eletrólise na 5ª série? Eita máfia do petróleo hein? Sem o petróleo somos impotentes, frágeis, uns brochas... Será?

E num mundo pós-apocalíptico após o “tomaladacá” da natureza, como iremos ficar?

Me diz: E a gente, como fica nessa barganha ambiental?

Não fica, some!

Sumiremos nas fissuras que deságuam no Tietê, ou em algum ralo qualquer. Vamos roubar, saquear e até matar na hora que a fome apertar...

Alguém já assistiu o “Cult” Mad Max? Bom, nem preciso ir tão longe; alugue “O Livro de Eli”!

Os pobres estarão fadados a miséria contínua, mas e o afortunado nesse conto verdadeiramente fictício? Ele vai se dar bem cheio de dinheiro na conta?!

Meu filho aprenda, dinheiro na conta bancária é sistema binário, não existe! Basta uma tempestade solar, um “peido” um pouco mais agudo da mãe natureza pra isso aqui virar merda!

Não há barganha quando um dos lados quer tirar proveito do pacto... A natureza é soberana e o homem soberbo.

E falando em proveito, “essa é a palavra chave que define o descaso; proveito”, em nossa natureza “homo sapiens” tudo se tira, nada se repõe.

Ah não?

Você já plantou alguma árvore? Eu também não!

Desnaturalizamos a natureza num processo de puro descaso. Desenraizamos nossa cultura e defendemos com notebooks e smartphones o capitalismo visceral, a qualquer preço...

Castramos nossa criatividade!

A flora que aflora na fauna só tem espaço nas lutas incessantes do Green Peace, fora isso, já era!

Parece papo furado de ecologista, mas não é. Qualquer que seja a nossa causa, sem controle do crescimento populacional não é causa, é justificativa.

E nessa destemperada era software, somos jurássicos homo sapiens com smartphones na mão e notebooks debaixo das axilas colecionando pessoas e mais pessoas. Só falta morarmos em cima das árvores...

Prazer, eu sou a humanidade: Eremita orgulhosa e presunçosa!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O que seria da fofoca se não fosse a visão?


Engana-se que a fofoca é praticada por desocupados com mentes opacas e invejosos de plantão.


A ciência (como sempre estudiosa e aplicada) nunca participou dos intervalos na faculdade, nem tão pouco daqueles famosos grupinhos que se amontoam na hora do lunch das empresas.

Por isso, é com extrema propriedade que a ciência desvendou esse mistério presente em toda a acepção da humanidade.

Embora seja associada a um hábito feminino, você sabia que a fofoca depende exclusivamente do nosso sistema binocular? Isso mesmo, sem o nosso sistema visual não haveria a rádio pião e, provavelmente não existiria também o banheiro feminino.

A nossa memória identifica facilmente a imagem negativa de uma pessoa e, como as fofocas nunca são bem vistas, intrinsecamente quem faz a fofoca ou compartilha o ato de fofocar fica visado negativamente.

“Falem mal, mas falem de mim” – Esse é o slogan do fofoqueiro, não do publicitário.

A fofoca é trivial, porém, insolente!

Interessante avaliarmos a mão dupla desse dilema: Para os fofoqueiros, a fofoca é um prazeroso ato de “passar o tempo”, porém, para os não-adeptos, a fofoca é um ato libidinoso, asqueroso, infiel e injusto de matar o tempo e não fazer porra nenhuma.

Uma coisa é certa (tal qual a existência da ciência), ao passo que todos nós somos “ex” de alguém ou substitutos de outrem, todos (sem exceção) já tiveram seus nomes mencionados como pauta de alguma fofoca.

E se sairmos da ciência para adentrarmos na semântica, teremos uma terrível conclusão:

Se a fofoca está associada à inveja, somos todos invejosos!



Fonte inpiracional: http://www.ndig.com.br/item/2011/06/a-fofoca-afeta-nosso-sistema-visual

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O dia do amanhã


Não sabemos sobre o dia do amanhã, mas podemos nos esforçar para que o dia do amanhã chegue amanhã.


"Nasci na Gália no ano de 22 AC e desencarnei na Líbia no ano 20 da era cristã. Fui oficial da legião dos leões que estava na Líbia, Núbia.

Como governador de Al Katrim, me comprazia atrelar na minha biga, puxada por dois cavalos velozes, crianças, homens, mulheres, novos e velhos, que eram puxados através da estrada seca e pedregosa daquela região da África.

Os corpos se despedaçavam e eu era exaltado pelos meus pares… Morri em combate com tropas egípcias e me deparei em uma região de treva profunda, talvez uma caverna.

Muitos gritos e rostos aterradores me esperavam. Fui levado a um estado de total animalidade por mil e quinhentos anos, quando servos de Maria me resgataram.

Sendo levado a outro plano, fui aos poucos tendo meu espírito reajustado, minha mente normalizada e meus pensamentos corrigidos. E compreendi os horrores que cometi.

Que tristeza DEUS !

Por trezentos anos permaneci em preparo para reencarnação e pedia a graça de receber para desencarne o mesmo destino dado por mim a outros.

No ano do Senhor de 2001, após busca incessante por quem me recebesse como filho, um casal tiranizado por mim aceitou. Reencarnei!

Agora em comoção generalizada, como irmão Joãozinho, desencarnei e agradeço ao Pai ter me atendido dando destino igual ao que dei às minhas vítimas. Estou em paz, estou na luz. Resgatei um pouco do meu passado, outros momentos virão. Confio em Deus."

Titus Aelius.

Psicografia do menino João Hélio, que foi arrastado pelos assaltantes preso ao carro, no Rio de Janeiro.

Justificação:

Embora este Blog descreva sobre acontecimentos e situações irreverentes, acredito piamente na lei da "causa e efeito" e, questionando ou não a veemência dessa psicografia, eu continuo acreditando que se fizermos bom uso do nosso livre arbítrio, nossas ações não nos trará reações dolorosas e tristes...

“O tempo assina o acaso como um pseudônimo, por isso que nada acontece por acaso”

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sintoma World Wide Web


Enquanto a civilização persa tinha como paranóia desenhar em rochas, reverenciar Deuses e expandir sua agricultura, a civilização moderna exala em seus poros sujos de poluição, conceitos e palavras como “interatividade”, “comunicação” e “socialização” (vulgo Internet).


Embora o número pareça inexpressivo (dado o contingente absurdo de pessoas) estima-se que existam 60 milhões de brasileiros com Internet em vossas residências, um número vergonhosamente baixo para um país que está perto dos 200 milhões de habitantes.

Se pensarmos que muitos empreendedores ainda possuem o medo de não receber pedidos via “on line”, este número até que não espanta tanto, mas ainda assim me envergonha.

“A Internet é a cura para aproximar pessoas em um ambiente virtual” – Frase antagônica não é mesmo? De qualquer forma ela é a maior fonte aglutinadora de conhecimento que um ser pode ter nessa vida (nem mesmo um casamento entre um filósofo e uma bióloga ofertaria tanto conhecimento).

Mas o assunto é outro: O que te leva a pensar que você não é um viciado em Internet? Já parou pra pensar nessa heresia?

Abaixo seguem os sintomas que se socializam mais com o seu ambiente sintomático e febril de vício pela Internet:

- Esquecer seu smartphone em casa é pior que prisão de ventre em elevador lotado. Dá uma angústia dos infernos se sentir um isolado no mundo das redes sociais, você é dominado por uma curiosidade absurda em saber o que ta rolando no Facebook, no Twitter e por aí vai...

- Você não confessa, mas é um “mobile people” personificado! Possui Facebook, Twitter, Linkedin, Flickr, Foursquare e até Orkut e não fica 20 minutos sem monitorar seu perfil nas redes. Acertei?

- Ligar pra pessoa, pra que? Você pode baixar aplicativos como o Whats App ou MSN e conversar com os dedinhos “zigue-zagueando” na tecla do seu smartphone. Em breve, mensagem de texto vai ser coisa pra cachorro.

- Tem Blog? Se não tem ainda vai ter! Calma, isso já já vai te contagiar! Já tem Blog? Ok (confesse) você não fica 1 hora sem passar por ele só pra ver quem comentou no seu último post. Certo?

- Seu Iphone possui mais aplicativos que ferramentas funcionais.

- Você leva uma vida física quase que “off line”, enquanto que na vida “on line” sua vida é mais lotada que fila de emprego na Rua Galvão Bueno.

- Basta parar em um farol pra sacar teu celular e começar a navegar em tuas redes sociais e email.

- Checa tuas redes sociais antes de dormir e antes mesmo de escovar os dentes pela manhã.

- Frequentar loja é coisa do passado. Você adquire quase tudo virtualmente, através de sites e blogs de e-commerce.

- Fica todo contente quando alguém te adiciona no Facebook e Fousquare e fica cheio de orgulho quando alguém da “RT” em alguma frase sua postada no Twitter.

Veja sua pontuação e reflita. Se atingir 6 pontos dos 10 sintomas citados: “Ó céus, eu sou um viciado em internet!”

A cura? Procura no Google!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Declinar" é não arriscar




A simples silhueta do medo fez com que a sua tentativa se tornasse uma desistência. Exagerou no medo de errar, porém pecou na abstinência de ousar!


Ao rejeitar sua tentativa ele não se arriscou e na falta da coragem ele estancou seus horizontes, travou suas expectativas e desenhou o seu fracasso em uma linha tortuosa.

Os anseios fazem parte de qualquer empreendimento. Esperar é intensificar o desejo de realizar. Fracassar contabiliza experiências de vida porque as infelicidades são notórias, porém mutáveis!

No anseio de fracassar ele duvidou das suas aptidões e com isso se antecipou ao erro, porém manteve-se na mesma linha pontilhada: Não deslizou, mas também não andou!

Sem as “dúvidas” não existem as “certezas”.

Com a certeza temos a convicção. Com a convicção criamos metas. Com as metas evoluímos e com a evolução amadurecemos...

... Com o amadurecimento envelhecemos e com a velhice olhamos para trás e vemos o quão saboroso foi o sabor da luta e da perseverança ofertada.

Salvo o grau das tuas ambições terrenas e mundanas, querer é poder em qualquer circunstância!

domingo, 14 de agosto de 2011

Aos mestres com carinho



Abandonem as diferenças e deixem as incompatibilidades dentro da penteadeira.

Valorize o Dia dos Pais, pois somente quem passa o Dia dos Pais sem o seu principal protagonista sabe que o espetáculo passa batido e sem aplausos...

Curtam seus pais como se não houvesse o amanhã!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Idade Cornológica


Um dia tudo que você mais teme na vida irá te pegar numa virada de quarteirão: Suas orelhas irão crescer. Vai perder o sono às oito da manhã. Uma gripezinha irá durar três semanas. A lista de compras do supermercado irá se resumir em sopinha, fralda geriátrica e fixador de dentadura... Enfim...


Porém, muito antes disso acontecer, provavelmente você enfrentará a mais temível das condições humanas: A idade cornológica.

Idade cornológica: uma contemplação irrevogável!

Não existe idade cronológica para a idade cornológica. É que nem consórcio, quando você menos espera é contemplado!

Se na aritmética do amor 2-1 = Nada, na equação do corno 1+1 (x1) = 3...

Ahhhh, o amor.

Tão complexo quanto atualização de Iphone no Itunes, o amor surge por simbiose cósmica, cresce por algumas intersecções mútuas e é traído por algumas derrapadas singulares.

Trair é a coisa mais fácil do universo, seguida de enganar uma criança, esquartejar uma criança e enforcar uma criança.

A traição só é complexa no “passo a passo” da língua portuguesa, chifrada, quer dizer, cifrada pelo professor Pasquale Cipro Neto:

Segundo ele, os termos traição e amor são contextos parônimos, ou seja, apresentam sentido diferente, porém, para quem trai, são palavras homófonas, ou seja, possuem o mesmo sentido de razão.

Oi?

Não existem meias verdades por trás das traições amorosas assim como não existe preferência de autoria; mulher trai tanto quanto homem nos dias modernos e corriqueiros de hoje, basta uma acomodação para a saliência posterior na cabeça surgir.

Porém, antes de trair, a pessoa reluta, pensa e repensa nos acontecimentos posteriores, mas depois que trai fica difícil não repetir a dose. Isso é fato!

Você consegue comer um bis de limão sem devorar a caixa inteira? Consegue tomar meio gole de Yakult? Resiste ao cheiro de um pote de Nutella sem devorá-lo?

Pois bem, então não consegue trair somente uma vez!

Engraçado mesmo é avaliar a estupidez impensada do traidor: No começo os encontros são às escuras, depois, paulatinamente, se sucedem dentro do carro, atrás do poste, naquele restaurante rústico de esquina em pleno meio dia, enfim...

Depois, com o passar do convívio e da merda da intimidade, o sujeito aceita as sugestões de outro traidor e se sujeita a pegar a sujeita em qualquer cenário menosprezando a confiança em não ser pego com a bunda na latrina (você entendeu o trocadilho, certo?).

Insisto em dizer (e vou contra a maioria das pessoas em minha tese) que só traímos porque não pensamos nas conseqüências e sim na satisfação imediata da cabeça debaixo.

Mas e as mulheres? Por que elas traem?

Ao invés de me oferecer como cobaia, estou pensando em difundir uma enquete, que tal? Melhor que ser um hamster com chifres, certo?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Desatinado Opressivo



Achamos que é verdade a mentira que vemos. Enxergamos com a imaginação.
Aviso prévio justificado pelo seu estado de paixonite.
Renúncia da razão. Soberba da ilusão.
Destrói a coerência. Exagera na assistência.


Desatinado opressivo: Aniquilei impérios, corrompi governos, impactei nos maiores acontecimentos da humanidade.


Viril. Contundente. Esmagador.
Interativo da inveja. Aglutinador da desunião.
Poucos amigos. Muitos adeptos.
No prefácio: inofensivo. No desfecho: patológico.


Desatinado opressivo: Quando estou fraco, me alimento dos fracos.


Uso óculos de aumento, embora não seja cego, nem míope.
Em meu leito: Quatro paredes e duas pessoas. Em meu sarcasmo: Quatro paredes e um personagem a mais, ou dois, ou uma multidão.
Transtorno pra quem sente. Adorno pra quem desfere.

Frases que perturbam. Advérbios de intensidade, de negação e de dúvida.
A vaidade não me suporta. A ingenuidade me acalenta. A segurança não me vence.
Minha ausência incomoda, mas minha presença perturba muito mais.


Desatinado opressivo: Parasita do amor sem um sentido pleno!


Preocupação infundada. Imaginação fértil e descontextualizada.
Sofrimento constante: Dias improdutivos. Noites em claro!
Te faço espionar, investigar, fuçar, manipular, controlar, enfim...

Impossível me dizimar. Pertenço às emoções humanas e como tal, sou vital a sua vida!

Me controlar? Quem sabe... Vai encarar o desafio? Se me dosar e aprender a me domar serás um sobrevivente.

Ciúmes:

Homenagem ao seu amor ou uma afronta a sua conduta?

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Carcereiros da nossa própria liberdade


Além das palavras, temos a liberdade de fazer alguém sorrir, fazer alguém atravessar a rua ao te ver ou simplesmente correr em direção aos teus braços.

Além das palavras, temos articulações, movimentos e gestos que são ímãs ou catapultas para quem você as direciona.

Além das palavras, eu me pergunto:

Onde foi parar a maldita liberdade de expressão? Ela está presa? Foi extraditada? Morta?

Sim! Assassinada pela censura!

A censura se transformou em um furúnculo nas axilas da sociedade audaciosa que, diga-se de passagem, constituída por muitos que tiveram suas línguas amputadas por essa confusão de regras, ordens e valores.

Hoje quase ninguém mais abre a boca pra dizer o que não gosta! Insegurança pra dizer o que gosta e muita segurança pra dizer o que não gosta é o que mais tem, porém, só quando convém.

O termo “não gosto” é engajadamente inserido num contexto de cunho preconceituoso. Já viu moralismo hipócrita e imoral? No Brasil você encontra a granel (e na mesma oração).

Nos tornamos peças que formam uma grande emenda de repressões. Tem culpado? Claro!

Nós!

Quando enxergamos algum comportamento que não aprovamos somos os primeiros a escarrar críticas na pessoa. Se a amiga pega vários na balada é a galinha da turma. O cara todo corretinho no trampo é o puxa saco. O cara que fica sem ligar é um putão, mas o cara que liga é um grudão... E por aí vai.

Somos carcereiros da nossa própria liberdade. Vigiamos uns aos outros penitenciando as pessoas por atitudes ou comportamentos que (no fundo) gostaríamos de fazer, ou, por vezes, fazemos longe das luzes da ribalta, na surdina mesmo!

Desdenhamos o que gostaríamos de estar fazendo por simples falta de competência. O amor excludente transforma atitudes voluntárias em exigências implícitas.

Escreveria uma trilogia para apontar os inúmeros exemplos existentes em nossa sociedade, porém, optarei pelo mais óbvio:

Que tal pegar o casamento como exemplo? Imagine a população mundial se todos que já casaram estivessem cumprindo à risca o que disseram perante o padre: “Amar até o fim da vida”?

O casamento é uma repressão matrimonial descabida! Poucos se conhecem, poucos acontecem e poucos fazem valer à pena. As pessoas casam com a projeção subversiva do amor inabalável, da conjunção estelar, dentre outras fantasias, mas se esquecem que até mesmo um grande amor não é grande 24hrs do dia.

Somos afetivamente incompetentes. Implantamos hipocrisia e cinismo julgando as pessoas e suplantamos o que deveria ser uma regra do bem comum: amar!

Como diz o compositor e poeta (no meu ponto de vista) Vander Lee: “Somos presidiários cumprindo uma sentença”.

A passagem desse trecho, diga-se de passagem, fala de amor.

E você pode estar se indagando: Aonde encontro um mínimo de fragmento de amor nesse desabafo?

Às vezes o amor prefere ser confundido a ser melhor explicado!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Confissões de um aposento abandonado


Queria gostar de novela, só pra matar o tempo esquecendo-me dela.

Nas entrelinhas diretas das minhas rimas, crio uma obra prima e assim meu coração se aproxima.

Nas calçadas abandonadas pela presença irrefutável da madrugada eu saio da casa dela. Tô chutando lata, e queria ela aqui comigo!

Quando dou tchau pra ela tenho vontade de cair no choro. Como é difícil se desvencilhar daquela mulher convertida em criança!

Me perco nessa paixão louca e por vezes não quero nem ser encontrado por medo de perdê-la em um desencontro. Explicar o que sinto é gastar meu tempo a pensar nas causas que ela me causa. Prefiro ser incurável!

Dizem que minha alma está combalida pelo ineditismo do amor...

Como assim?

Fico louco da vida quando acusam o amor de ser inédito. Você nasce sendo amado, cresce sendo amado, amadurece amando, amando se amadurece e se envelhece amando também. Por que dizem que o amor é inédito?

O amor é reciclável. Ele se renova à medida que você descobre todas as certezas dela e mesmo assim, ela continua a ser inédita.

O amor placebo!

Amar é saborear o inexplicável, pois o amor é individualista. Ele não está nem aí para o que você pensa, ele simplesmente acontece quando sua alma esperava demais num momento em que a sua “procura” menos esperava.

O amor vai além do que supõem duas pessoas, por isso é bom curti-lo, se entorpecer nele, entende?!

O amor me tira do sossego, daquela fatídica zona de conforto, porque muitas vezes confundimos o conforto com a acomodação... Buscamos compreensão, explicação e definição para um ciúme tolo e por vezes infantil, quando deveríamos deixar que esses sentimentos nos confundissem e abandonassem a lógica.

Não há lógica em amar. Há lógica em deixar de amar! Não entender nos faz lembrar mais daquilo que amamos...

Retomando o título desse texto, o aposento abandonado é a sensação que fica minha alma quando minha alma se desgruda do meu corpo a procurar pelo corpo dela.

Empírico... Sublime... Espiritual...

... Amor!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Segunda feira!



Achou que ia dar certo de primeira?
Hoje é segunda feira.

Farol abre e tu não anda. Farol fecha e paciência desanda.
Tudo beira a segunda feira.

Encara-se a bucha que ficou da sexta feira. Engole-se o sapo, nunca a sua maneira. Limpa-se sempre a sujeira, a sujeira da tua chefa bem ligeira e ainda ouve teu companheiro de trabalho fazer a sua caveira.

Hoje é segunda feira.

Fazemos careta só de lembrar a segunda feira, entretanto, ressalto um talento em meio a tantos literatos convencidos de suas belas historietas. O gato Garfield mensura de forma completa a tão incompleta segunda feira. Dentro da sua seleta dieta, é um felino poeta!


Sente-se a falta do fim de semana junto a tua amada companheira. Sente-se a falta da bandalheira da domingueira. O tempo não passa, o tempo rasteja e a vontade não festeja.

Achou que ia dar certo na primeira?
A segunda feira inspira conspiração! Culpamos a segunda feira pela nossa indignação.

Segunda feira, quanta besteira!

Um dia normal pra você que vive à brasileira, que vive no sapatinho tentando se dar bem de primeira.

Lembre-se, hoje é segunda feira!

Mande quem te irrita pra puta que pariu. Dê as costas pra aquela energia febril. Viva uma melodia qualquer, escolha bem me quer mal me quer. Abrace quem te sorri. Converse com um Bem Te Vi!

Segunda feira rotineira? Só pra quem vive na choradeira!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Entre sonhos, pés e edredons


Tão entregue, tão indefeso... Tão absorto.

Toda a virilidade de um homem submissa diante dos meus pés, imerso no edredon da minha cama. Eles ficam tão vulneráveis quando dormem; de imponentes seres a machos sensíveis.

Esse desequilíbrio existencial na vida de um homem me leva, sem passaporte, a viajar para outra dimensão, onde os afagos são longamente extensos e a fronteira entre o toque carnal e os afetos se funde em uma conjunção indivisível e sem despertador!

Essa não é a primeira vez que me pego em reflexo, mas talvez seja a primeira a ser reparada de uma forma inócua. Ele dormia um sono pueril e quase juvenil e, eu lá, desperta por conta de uma sede repentina surgida em meio a uma madrugada fria, porém calorosa com ele aqui; jaz em mim.

Desci pra pegar água e, entre “gracejos e bocejos” divaguei:

As intempéries do dia se acalentam quando ele me abraça. O encaixe é bom. O carinho é constante e por certas vezes efêmero. Sinto uma promessa de felicidade ao enroscar meus pés nos dele. Sua fragilidade me atrai e me sinto mais segura, mais definida. Durmo leve na presença dele, me tranquilizo!

Sinto, quando ele me coloca em seu peito, uma vontade incontida de se enroscar em mim, de fato, nosso entrosamento é algo enigmático, intenso e que persiste em lutar contra os benditos afazeres do dia seguinte.

Ele me deseja, indubitavelmente, ele me deseja!

Desconexa da realidade, sacio minha sede rapidamente e subo as escadas em busca daquele abrigo gostoso e quente que é a minha cama com ele. Ao deitar sinto nele uma vontade acolhedora de me possuir, ele estava semi-acordado, provavelmente sentiu minha ausência...

Deitei de frente para ele e nos entrelaçamos entre sonhos, pés e edredons. Retomei a felicidade que ele me ofertava antes de me por em sono profundo e, juntos, navegamos para outro mundo, um mundo meu e dele do qual não convém representações poéticas.

Nos harmonizamos e nos entorpecemos por toda a noite.

(suspiros)

Um homem indefeso é algo deliciosamente encantador. Nele, a ordem da lógica é adulterada, sou eu quem o protege.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Faro pra lá de apurado


Me sujeito a dizer que todo preâmbulo de uma relação gravita em torno de expectativas; a gente fica no aguardo e na espera das atitudes alheias.

(O Ideias no Almaço Productions apresenta: Uma história verdadeiramente fictícia)

Rrrrrrrr, lembro desse figura aí, sua coreografia não me é estranha, ele já esteve aqui, ou será que passei por ele na rua de casa?

Bom, isso agora não é o mais importante, o mais importante é que ele está aqui, de corpo presente na minha quase residência, esparramado na sala como se fosse um gato (blergh, odeio gatos).

E o que é pior, tentando ludibriá-la com palavras e gestos, jogando esse charme de galã de 5ª categoria em cima dela (mulheres adoram este tipo de atenção), não é que ela parece estar caindo na dele?

Nããão, não caia não, deixa que eu mando ele embora, eu também tenho meus métodos nada educacionais!

Bom, ele ficou! Permaneceu naquele cômodo durante horas na justificativa marota de ajudá-la com o Iphone... Sujeitinho esperto.

Fui dormir!

O quê? Nem se passaram dois dias e sinto o cheiro dele aqui de novo? O que será que ela tem na cabeça? Tava tão bom só eu e ela. Não aceito penetras nessa relação, vou demonstrar minha indignação quebrando a casa, ou quem sabe rasgando as almofadas que ela tanto gosta.

Esse ritual que esses seres humanos têm em fazer fondue no inverno mais parece desculpinha pra se aproximarem, isso sim... E o cara tá lá, todo educado e proativo, mostrando interesse por ela.

Homem na cozinha? O cara realmente tá interessado!

Já vi esse filme, tá parecendo “A Dama e o Vagabundo”. E o cara continua todo dengoso pra cima dela, mal sabe ele que o dono aqui sou eu!

Opa, no auge do meu nervosismo ele veio do nada manifestar afeto por mim? Até que gostei, sabia? O cara é brincalhão, atencioso, não lembro de outros assim me dando tanto carinho, mas ainda tenho que ficar com uma orelha bem de pé com esse sujeitinho. Homens, bah!

Ela vale ouro pra mim, e pra conquistar esse tesouro vai ter que suar bem essa roupinha fashion aí meu filho!

Mas eu confio nela, ela sabe domesticar e doutrinar como ninguém, disso eu não posso duvidar!

Xiiiii, o cara subiu! Vão dormir? Como assim? Já? To começando a achar que esse sujeitinho vai passar a freqüentar meu espaço sagrado, meu e dela, claro. Tudo bem, minha audição apurada me permite ouvir tudo, qualquer coisa eu grito, quer dizer eu lato.

Hoje logo pela manhã ele desceu preocupado com a minha solidão, me libertou e veio “todo todo” conversar comigo como se eu entendesse uma consoante do que ele tá me dizendo, okay, relevei... Se ele é feliz assim, quem sou eu pra gesticular algo.

Rolamos e brincamos na cama durante alguns minutos enquanto ela se empetecava toda; reparei em como “ele” reparava nela, realmente o cara tá na dela, é o que parece.

Intuição canina? Pode ser! Nós (cachorros) enxergamos a alma da pessoa, algo que vai além de tudo que já foi inventado até hoje.

Parece ser uma alma branda, porém, se mudar de atitude, já vou avisando, quer dizer já vou logo mordendo.

Vai um rosnado aí?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Rolos sempre dão rolo


A denominação é uma só: Rolo é rolo em qualquer lugar ou situação. Não tem essa de estar associado à modernidade, teu pai ficava de rolo e, se bobear, teu avô também.

Os períodos da entressafra são os mais latentes e mais freqüentes também. Se não é o desfecho ainda fresco de um relacionamento é a falta justamente de adentrar em um relacionamento... O ser humano é realmente um conjunto padronizado de ideais. Por que é tão difícil ficar sem “beijar na boca”?

Raio X do tema:

O calor humano é assustadoramente irresistível. A inteligência da intersecção de um diálogo acompanhado por um vinho melhor ainda. A primeira mesa de bar: calafrio. A primeira aproximação: adrenalina. O primeiro beijo: não se descreve em palavras.

A real é que todos nós sentimos aquela falta que faltava para nos completar... Daí buscamos, buscamos e buscamos e quando ligamos o interruptor do descaso (booom), ele surge do nada.

O amor e sua brincadeira oitentista de “esconde-esconde”.

É tão gostoso esbarrar em alguém sem aviso prévio não é mesmo? Existe uma deselegância discreta em conhecer uma pessoa. Você injeta endorfina sem beira nem rima e a língua pensa no lugar do cérebro.

A felicidade e suas facetas imensuráveis:

“Conhecer” é divino. “Envolver” é cósmico. Se apaixonar é circunflexo. O amor é um sistema constante conjugado por seres inconstantes. Aí está a graça em amar!

Por que será que quando conseguimos absolutamente tudo da pessoa que se ama a gente perde o encanto? O amor é exato, as pessoas é que são inexatas em suas ambições.

Rolo sempre dá rolo, mas sua estrutura se baseia na inconstância, na vontade de querer mesmo sabendo que nunca vai ter. O proibido garante grande parte da diversão, entretanto, o “inalcançável” garante muito mais!

Ser constante é um tédio!

Sei que pareço um pouco fetichista, mas lutar pelo amor me parece melhor do que alcançá-lo sem luta!

Bom mesmo é namorar ficando de rolo, a gente carrega o frio na espinha em cada encontro e o desencanto fica sempre de canto.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Resolução de conflitos


Para resolver um conflito amoroso basta estar amando?

Para estar amando basta ter um conflito amoroso. Melhor assim!

Veja:

Nem tudo é tudo que se pensa dentro do pensamento humano. Mesmo diante de seres providos de inteligência, estética e articulação, o mecanismo de defesa (as know as) bom senso parece falhar diante de certas vitrines. É difícil resistir a uma boa cia. A solidão é uma obrigação disfarçada de opção...

Ninguém opta pela solidão quando se deseja ter alguém!

Ainda acho que deveríamos ter um cinto de utilidades emocionais; um interruptor para a solidão, para beijinhos casuais e para TPM também (aliás, este seria o primeiro dispositivo a viver travado no OFF).

Ôhhh fase!

Por que será que rola esse apagão quando avistamos o pretenso concorrente a ocupar nosso coração?

O que acontece com nosso discernimento individual feminino? Por que o "talvez" dá uma lavada na "certeza"?

Homens e essa força oculta... Que estranho poder eles exercem em uma lasciva e cativante conquista?

Poucos vários e muitos nenhum. Homem que conjuga o verbo conquistar merece estar no altar e, confesso, muitos já foram fisgados...

E o que nos sobra hoje? É tão raro encontrar pessoas bacanas que quando encontro alguém bacana eu viro uma chata. Mecanismo de defesa, claro.

Como tudo que repele também intriga em igual proporção, daí eu penso: quero ou não quero!? Questão que persiste em me cutucar em doses diárias. Tá parecendo bullying!

Enquanto mapeio a rota da minha fraqueza e seus significados, volto a pensar no bendito cinto de utilidades. A tecla "medo" não deveria ficar permanentemente no "OFF"? Não viveríamos melhor sem o peso da culpa ou do arrependimento se o medo fosse um mero estado temporário?

Arrependimento é pior que vizinho pedindo 1kg de açúcar, nunca vem na hora certa.

Resolução de conflitos: Na abstinência de um romance intenso, até as brigas provocam saudade. Sim, eu preferiria estar em um chat perguntando como se faz para resolver a discussão “x” ou o quebra pau “ÿ”, no entanto, minha matemática amorosa ta mais pra roteiro de novela mexicana, um chororó só.

O essencial nessa fase é estar em plena satisfação comigo mesma, concisa de que os grandes amores não possuem cenário e não respeitam local de exposição...

Ainda prefiro acreditar na sábia conclusão de Nietzsche: A maior inimiga da verdade não é a mentira, mas sim a convicção.

Chega de rolo, eu quero é namoro!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A parte para quem faça parte


Já passou algum período com alguma pessoa se desapaixonando?

Atipicamente eu sinto uma sensação típica de uma relação desgastada por imbecilidades a prova de bala. Sintoma clássico: Enquanto curtimos o gosto inebriante da liberdade, procuramos nos prender a alguém, mas quando nossa liberdade é adulterada, almejamos viver (no máximo) na condicional.

Relação bipolar: Cela e sentinela. No sentimentalismo lírico da cantora Ana Carolina mandando para o meu Semancol, sinais de fumaça organizados em 3 estágios de “jás”:

Já sei. Já foi. Já era.

O celular tocou em meio a uma turbulência que já fazia parte daquele sofá surrado da sala dela... Às vezes é bom tocar algo pra que a gente se toque. Cansei desse amor de conta de bar, tudo anotadinho minuciosamente, esperando a cobrança daquele que fez muito por tão pouco: Eu.

O amor não está para a contabilidade assim como a contabilidade não está para o amor. Ou você já viu alguém gostar de contabilidade? Isso é falta de opção!

A devoção a conta gotas dela me irritava e me colocava em questionamento; deixei ela a vontade desde a primeira mesa quadrada de bar, mas a minha vontade era maior que a vontade dela... Em resumo: perdi a própria vontade.

Sua sensibilidade, adequadamente do tamanho de uma lata de atum me espantava, mas depois minha frustração se acalentava por outras medidas que me mediam quando eu resolvia não me deixar mais de lado... Quando eu “vivia” reparava que outras pessoas poderiam viver comigo em uma vida saborosamente a dois...

Mas acho que na real, o que fez desbotar meus dias ensolarados foram suas ficções nada científicas em acreditar que sexto sentido resolve tudo... Há de se ter sabedoria para não confundir “avaliação” com “ilusão”!

Tentei dizer que eu não era um interruptor, mas bem antes disso, quem já havia se desligado era ela.

Malditas manias fixas: Sempre tentei preencher meu vazio preenchendo o vazio de outras pessoas. Já me reciclei!

Eu não queria ter certeza de nada, mas também não queria viver na dúvida. Por isso pulei fora...

É possível pular fora mesmo levando um fora? Dá um tempo pro tempo que é possível sim. Hoje sou grato pelo empurrãozinho que levei na porta do avião... Me faltou ar na hora, achei que ia despencar e espatifar a cara no chão, mas no desespero da rejeição, esqueci que estava de pára-quedas... Cheguei ao solo “pesadamente levitando”...

Enfim, todos nós nos transformamos em outra coisa (que o diga a minha inigualável mãe), que queria que eu fosse médico, mas fui me apaixonar pelas formas desuniformes das palavras...

Enfim, precisamos fazer a nossa parte para quem queira fazer parte de um todo, ou de um tudo...

Como diz o Ed Motta, virei um gato pingado fora da lei, voltei para os meus telhados de uma vez!

Assim que eu ver uma programação bacana em algum canal (lá dos meus telhados), eu aviso vocês...

terça-feira, 31 de maio de 2011

O foco da foca


A foca e sua impetuosa vontade de viver. Para a foca, a terminologia “a união faz a força” é praticamente um princípio universal... Juntas, as focas conseguem o que individualmente jamais alcançariam: a sobrevivência.

Porém, como toda cadeia operacional e organizacional, existem falhas. Focas não nadam em grupos, o que facilita seu próprio óbito perante os grandes tubarões brancos... É aí que as focas perdem o foco.

Alguém já viu a foto de uma foca perdendo o foco? É triste!

Com aproximadamente seis meses de vida, o filhote de uma foca já consegue nadar com suas próprias pernas, ooops, com suas próprias nadadeiras... Concentração, determinação, objetividade e?

Foco!

Por isso eu prefiro as focas que as baleias, por exemplo.

As focas usam sua gordura como isolante térmico se protegendo do frio, ao contrário da baleia, ou de certas baleias, que transformam sua banha em exorbitante estético, saindo pra night com nano saias e nano tops... Não deveriam exibir sua graciosidade no Epcot Center?

Como diziam os Mamonas Assassinas: “No mundo animal “ixeste” muita putaria”.

Enquanto eu me debruço nas asas supersônicas da minha imaginação, as focas estão lá, dominando os oceanos com seus nados desengonçados e cheios de duplos-twist carpados aquáticos... Verdadeiras bailarinas do mar!

Apesar disso, as focas são autênticos mamíferos “low profile”!

Você já conversou sobre alguma foca com alguém? Experimente! Faça isso nos almoços superficiais da empresa pela qual você “nada nada” e morre sempre na praia... Puxe assunto com uma gata na balada falando de uma foca qualquer... Só não ouse falar sobre focas tomando todas, será a mesma coisa que encher a boca de Rufles e falar Fandangos...

Assunto focas: Metodologias sobre uma baboseira de um dia gélido e com cara de feriado.

Será que Deus não poderia nos transformar em focas? Ou ao menos transformar nossa selva de pedra em: rochedos/ bancos de areia/ zonas marítimas?

A única foca que toma chuva são as focas que focam em uma bolinha para fazer com que um bando de bípede imbecil aplauda a façanha de pé... Qual a graça em fazer graça com uma foca? O único lugar que Circo tem Ibope é no desenho do Pica-Pau.

Bom, não quero ser uma foca suburbana que vive miseravelmente à custa dos humanos... Quero ser uma foca independente, vivendo ao livre com minha colônia e de vez em quando sendo fotografada pelas lentes do Discovery Channel, afinal de contas, toda foca precisa de um pouco de popularidade vai?

Foca que se preza não dispensa um holofote!




Moral da história: As focas são desocupadas, mas você não! Volte ao trabalho!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Singularidade atípica


Ao mesmo tempo em que me encanto me assusto!

Desequilíbrio natural da gangorra chamada vida.

Entretanto, decidida a dar mais uma chance para mim mesma e para a minha possível felicidade (sim, possível porque ele a transformava em concreta, palpável)... Eu resolvi (provisoriamente) retroceder em minhas defesas... Ultimamente, o destino anda me dando enjôo.

(Ela nutria um insolente desprezo pelo amor)

Solidariedade comigo mesma ou singularidade com o que vejo diante dos meus olhos?

Os dois!

Nós mulheres temos essa noção de singularidade humana como ninguém, porque somos humanamente humanas, porque somos humanamente sensíveis, porque somos humanamente perceptivas e porque somos humanamente intuitivas.

Somos (ás vezes) desequilibradas em nosso equilíbrio, mas jamais insensatas em nossa sensatez.

As mentiras me deixaram mais fria. Hoje entro em um relacionamento como se fosse participar de um Reality Show. Todo cuidado é pouco!

Mas o jeito desprendido dele começava a me intrigar. Ele ia devagar demais para os dias de hoje, sabe? Uma passividade dúbia: Ou ele não apressava o momento porque tem mais de uma no “setlist” ou ele realmente se interessou e quer me cativar pausadamente.

Como vou saber? To ansiosa pra desvendar essa trama, porém, continuo dentro da minha concha!

Será que ele vai me tirar dessa vida on line de msns, facebooks e twitters e construir ao lado dele um Blog repleto de histórias interessantes e contos inebriantes?

Esse meu lado B me mata um dia, isso, ele mesmo, o lado bipolar: Dispenso uma fila de espera, mas no fundo vivo a esperar um romance em tela cheia. (High Definition de preferência).

Engraçado, nossa capacidade de elevar nossos pensamentos é extremamente admirável. Enquanto enfrentamos um engarrafamento colossal nas avenidas de São Paulo, ainda conseguimos falar ao celular e pensar em como será o jantar de hoje à noite...

Assim somos nós, mulheres; esse aglomerado de hormônios, essa combustão de sentimentos e essa fusão de intuições...

E por falar em jantar, a “pauta” do assunto acabou de me mandar uma mensagem de texto pedindo para eu descer...

Mas já?

Eu mal comecei a escova...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sessão obsessão: Sentimento homicida


A saudade pode até ser classificada de mitológica, filosófica, assintomática, sentimental e até neurótica, não importa! Mas sem dúvida alguma deveria estar classificada entre as dores mais “maleditas” do mundo.

É bem pior, ou melhor, muito pior que enfiar o dedinho do pé na ponta da porta antes de acender a luz. Bem mais dolorido que morder a língua na pressa de comer! Bem mais irritante que dar com a cabeça na quina da janela e bem mais sofrida que as enxaquecas pós-ressaca!

Tão irritante quanto prisão de ventre, a dor de uma saudade só deve ser igualada a dor de um pé no traseiro, porque intrinsecamente você sentirá saudade após levar o “kick”... Isso pertence a nossa natureza humana e resgatam os primórdios da humanidade; aquele papo de terapia que você tem toda quarta feira sabe?

Enfim, Para surgir os primeiros sintomas da saudade basta o coração assumir o controle do speech, veja a seguir:

Com a saudade é possível imaginar um conto de fadas onde você é o super herói da cena.

Imagine um monte de bichinhos carnívoros (os saudadinhos), querendo avidamente seu coração, tentando sugar suas energias e você lá, jogando raios de otimismo e perseverança pra cima dos saudadinhos. Um esforço em vão! Não resolve lutar contra!

Imagine outra situação.

Você, num combate intelectual, tentando incansavelmente disfarçar o tempo, enganando os comandos do cérebro com pensamentos do tipo “esqueça ela, esqueça ela, esqueça ela!!!!”. Após extenuantes e demorados 2 minutos uma voz interior rebate: “Não consigo, não consigo, não consigo!!!!”

Avanço e recuo:

Veja a medicina forense: já avançaram em pontos que antes eram inalcançáveis pelo homem: transplantes de células tronco, cirurgias a lazer e plásticas de rápida recuperação, enfim, inúmeras soluções de infindáveis doenças, menos a cura da saudade!

E o que falar então sobre os avanços da aviação? Com seus projéteis invisíveis com velocidades supersônicas, alguns até param em pleno ar (vi isso no Discovery Channel).

E a Ufologia? Que a cada semestre desvenda um mistério intergaláctico, seja com os buracos negros ou com a descoberta de uma nova galáxia...

O mundo evoluiu para patamares superiores! A humanidade se desenvolve rapidamente, mas e a porra da cura da saudade, cadê?

Até a tecnologia avançou! Claro, em prol da porra da saudade. Porque hoje em dia você abre 20 vezes sua caixa de emails, na esperança de encontrar um recadinho da amada e só se depara com spams e mais spams.

Você entra e sai do Facebook e do MSN só pra ver o rostinho dela, ou pra xeretar se algum atrevido deixou algum recado para ela.

Você transpira MSN, na expectativa de ver o nome dela subindo ao lado direito do monitor (será que ela vai me notar aqui?).

A telefonia celular não fica atrás e presta sua cumplicidade maligna em benefício da “diabólica” saudade (já disse muita “porra”). Já analisou em quantidades o número de vezes que você abre o celular só pra ver se tem alguma mensagem dela? A obsessão é tanta que sua a vontade já não escolhe mais local de exposição: Abre o celular quando acorda na pia do banheiro, no café da manhã, no trânsito, na fila do banco, em meio a uma reunião... No banheiro.

O celular é aberto até mesmo sem ele ter tocado. O coração se sacia e a razão se envergonha! Pelo amor de Deus!

Eis um apelo! Estrategistas marqueteiros e publicitários de plantão: É preciso se unir com força máxima para derrotar o Ibope dessa tal saudade!!! Vamos derrubar essa candidatura que não se cansa de destruir milhares e milhares de corações pelo mundo afora.

Existe site de relacionamento com esse nome, nome de Motel (deve ter, sei lá), de pousada, de Rádio FM, de cartão virtual. Até em frase de caminhão essa megera está inserida, como pode ter tanto poder instituído em um só nome?

A única coisa que irrita mais que sentir saudade é ouvir palpite dos amigos. Em tempo: “Se conselho fosse bom...”

Esse sentimento te transforma em locutor, não em ouvinte. Falar, falar e falar, como se o desabafo fosse fazer algum milagre. Francamente não faz mágica, mas a sensação de alívio refresca e ludibria o coração e a mente, afinal de contas, pra que sentir saudade se a pauta é a causa da saudade?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Pé na bunda de quem dá no pé


Pé na bunda deveria ter o seu exercício sob os regimes do CLT, ou seja, quem entra com a bunda deveria ter seus 40% de investimento ressarcido. Haveria mais cautela e mais reflexão, afinal de contas, não é justo sair com uma mão na frente e a outra atrás (na bunda) obviamente.

E o teu desempenho diário na manutenção desse relacionamento enquanto que a devoção do lado de lá era feita a conta gotas?

E todo investimento feito por você durante meses e até anos enquanto recebia uma sensibilidade do tamanho de uma lata de atum?

Isso sem contar a sua inesgotável tolerância em suportar o mala do irmão dela (ou dele) fazendo piadinhas momentâneas de você nas reuniões atemporais de família.

E os sapos que você engoliu? Daria pra constituir uma lagoa do tamanho do estado da Flórida.

Por isso eu digo:

Natureza contratual para um amor banal!

É digno dizer que muitos já estariam com sua estabilidade financeira satisfatoriamente assegurada, e que outros, na contramão desse processo, estariam praticamente entrando em concordata, mas uma coisa é certa em afirmar: Quem entra com a bunda não tem fundo de garantia, mas tem garantia de ir no fundo...

Eu acho extremamente desnecessário e descabido apontar um desertor, mas entendo que a relação entre “consumidor” e “fornecedor” vem sofrendo atavicamente com a falta do pós venda e, convenhamos, existem altas doses de cinismo defender um desfecho emocional como equilibrado e igualitário... Isto no exciste!

Reconstituição escrita (falas gravadas entre um casal moderno)

(mulher chama docemente o marido)
- Mô?
- Sim mô, o que houve paixão da minha vida?
- Preciso te falar uma coisa que tá entalada...
- Então desentala mô!
- Cheguei a conclusão de que não dá mais pra gente dividir o mesmo edredon.
- Quero o divórcio!

(marido, sorridente, rebate de bate pronto)
- Jura mô?
- Nossa!!! A nossa simbiose é mesmo indefectível. Você acredita que ontem ia te falar isso? Aí você pediu pra eu tirar o frango do congelador e quando voltei acabei esquecendo.

Acredite que o Tiririca saiba escrever, mas jamais acredite num papinho desses... Caso contrário, por que chamaria “pé – na - bunda”?

Portanto, e com muito tanto, se você se sente injustiçado por ter agradado tanto por tão pouco tanto e mesmo assim levou a bota, faça um abaixo assinado e encaminhe-o no congresso. Lembre-se: Pra todo fundo sempre há uma emenda!

Aprovado este novo sistema, exija o seu mérito e o seu desempenho de trabalho juntamente ao órgão responsável, e não mandando mil mensagens de texto com pedidos de desculpas e frases humilhantes do tipo “não vivo sem você” ou “volta pra mim”... Se desculpar do que? Você se doou mais que uma ONG. Vai pastar meu!

Não deixe a pessoa que destruiu seus sonhos sair ilesa, vá atrás dos teus direitos!!!

Chega de conselhos mofados pós “pé na bunda”! Chega de choramingar feito filho único! Chega de abandonar seu amor-próprio por conta de quem não te merece!

(Ufa)

Enfim, me pairou uma dúvida: Como será o formato do ressarcimento? Trabalhos comunitários? Doação de cestas básicas?

Bom, agora é com você!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O abacate e o tocador de tuba


A única justificativa que tenho para não ter encontrado um mísero abacate maduro para saciar minha vontade de tomar vitamina de abacate com açúcar mascavo em São Paulo é porque o abacate não tem o glamour que merece...

Não me conformo com o anonimato do abacate em São Paulo, a 3ª maior cidade do mundo, onde corri para 3 grandes mercados e não encontrei o bendito abacate.... Nem duro!

Mas o descaso não reside só em São Paulo, a América Latina não consome abacate como nos países europeus e na América Central... Será que por tal fato os indivíduos dessas regiões são mais evoluídos e adotam a prevenção pra tudo?

Inteligência é afrodisíaco. Abacate também!

É desolador ver o pseudofruto do abacateiro (peguei isso do Wikipédia), sendo jogado no precipício do esquecimento e da ingratidão, assim como o pobre tocador de Tuba.

Se triste é não encontrar um abacate nos mercados de Sampa, mais triste ainda é a vida de um tocador de Tuba.

Me responda:

Com exceção do livro “O tocador de Tuba” de Chico Anísio e da teledramaturgia “Brava Gente” de Lauro César Muniz, onde foi que você se deparou com um solitário tocador de Tuba? É tão raro quanto encontrar torcedor da Portuguesa na rua ou mulher dando passagem no trânsito.

Raridade ou não, os tocadores de Tuba estão lá, com a boca no tubo cilíndrico do instrumento botando o diafragma pra funcionar. Com um adendo importantíssimo: Sem soluçar meu amigo!

Já tocou uma Tuba sem soluçar? Então...

Porém, arrumar emprego numa banda pra tocar Tuba tá tão difícil quanto encontrar abacate maduro em São Paulo. O livro do Chico tá quase de graça... R$9,00 reais...

Antigamente os desafios que um tocador de Tuba convivia eram solucionados medicinalmente; uma dor de dente aqui, uma dor de garganta acolá... Bastava arrancar o dente e a amígdala e pronto: Problema resolvido!

Já vi tocador de Tuba chutando lata porque não pode exercer o seu ofício por conta de uma insistente dor de garganta. Não arrancou as amígdalas, mas o destino arrancou-lhe o seu emprego.

Hoje a inovação é o pior desafio para um tocador de Tuba, assim como o guarda-chuva, o ralador de queijo e o liquidificador, a inovação nunca chega para ele, ou, mais precisamente para a Tuba dele...

Quem sabe se do imenso orifício onde emana a pacata sonorização da Tuba saísse um arco íris, o sol, uma imagem pirofágica ou até mesmo uma pomba, sei lá eu... Talvez os tocadores de Tuba saíssem do anonimato...

Pronto, em um breve parágrafo improvisei a cura para os tocadores de Tuba.

Retomando o tema proposto, alguém está disposto a pensar na solução da minha vontade em tomar uma vitamina de abacate?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Legítima loucura


Einstein defendia que a loucura era o ato de repetir as mesmas ações em busca de resultados diferentes. Eu diferencio os meus resultados através das mesmas ações... Insensatez? Não, loucura!

A loucura e sua face multifacetada:

Dentro da minha loucura, não consigo entender em absolutamente nada o mundo louco que vivo.

Dizer que a loucura de hoje reflete o egoísmo como alicerce é cometer uma injustiça histórica. Ser louco vai muito além disso! Ser louco é não entender a loucura!

Ser louco é não entender o que te prende as pessoas que te fazem algum mal, que te colocam pra baixo ou que vivem te criticando por isso ou aquilo...

Ser louco é não saber exatamente o motivo de estar vivo, mas, de alguma forma, se honrar por isso e tagarelar sozinho pelas encruzilhadas do teu caminho.

Ser louco é não dar chance a outras relações porque você acha que não deu chance suficiente para a relação que você se encontra.

Ser louco é buscar constantemente a aceitação de outras pessoas sem reconhecer que é da própria aceitação que precisamos pra seguir adiante.

Me chamou de louco? Volte cinco casas e fique duas rodadas sem jogar! A sociedade rotula a loucura à medida que as pessoas não vão ao encontro dos seus princípios, afinal de contas, se todos focam os seus princípios como o elemento central da vida, a vida não fica sem vida?

Viver a vida com um padrão protocolar de sanidade não é vida, é prisão. Masmorra!

Se a bajulação é o expediente inicial do puxa saco, a compreensão deveria ser o agente passivo da insanidade...

... Já tentou compreender os motivos que geraram a vida? O bairro que você mora? Ou simplesmente aquele carinho incondicionalmente misterioso que você guarda de alguém que passou pela tua vida o qual não consegue ter 10% desse mesmo carinho com quem te endeusa todo santo dia?

Gostamos do “X” que não tá nem aí pra gente e não ligamos pro “Y” que se oferece inteiramente para nós... Que matemática espiritual confusa que somos nós hein? Isso sim é loucura!

O amor é uma loucura repentina acumulada; É a soma de todos os teus medos, angústias e tormentas... Por isso o amor tem tanta aventura, tanta incerteza e tanta bravura.

Confesso, como um louco confesso, que adoro essa loucura feita de núcleo pastoso, placas tectônicas, oxigênio, camadas rochosas, litosfera, atmosfera, estratosfera e afins... Onde transitam tantos parasitas, cosmopolitas, moscovitas e claro, loucos!

Um brinde a inexatidão das razões do mundo que nos transformam paulatinamente em seres exatos dentro das nossas próprias razões.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Sampa: Da perseverança à nossa herança.


O farol fecha, o farol abre e, nesse pequeno “inconstante” interlúdio; pensamos...

Simplesmente pensamos...

Pensamos individualmente nas tarefas do dia e logo em seguida analisamos a cidade policultural e antagônica que vivemos: Tanta vivacidade, tanto frenesi, tanta gente e tanta falta de ser gente... É estranho ver São Paulo de dentro de São Paulo.

Sampa. Ao tentar ser mansa só fez lambança, e de mansa não tem registro nem na lembrança!

A cidade de São Paulo faz o que nem a Astronomia conseguiu fazer: engolir o tempo! O tempo e toda a sua física quântica, com seus nêutrons, prótons e elétrons... E tem gente que pensa que pode mais que os outros. Nós somos apenas um átomo, um hífen no universo descompassado da internet, portanto, seja um pouco de cada tanto e não o muito de cada tanto.

Sampa festeja. Sampa troveja. Sampa carangueja.

Av. Paulista bombada de braços se esbarrando e milhares de pernas ávidas para chegar a seu destino. Mas que destino? Fazemos tudo no “acerejê” pra chegar a noite e se deparar com um cansaço inigualável, torpe.

Sampa do descompasso... E nesse embaraço petulante, o tempo passa apressado até mesmo nos passos apressados da Imprensa, que mal consegue captar 20% do que realmente está acontecendo (inclusive nesse exato momento, onde construo pensamentos nas entrelinhas desse texto elaborado em um dia divino de sol – coisa rara de se ver por aqui).

São Paulo é um mundo legitimamente louco dentro de uma cidade autenticamente apoteótica. Janeiro mês de chuva e de gente com virose. Fevereiro mês do batuque com gente bêbada na apoteose.

Sampa recicla. Sampa aglutina. Sampa desnutre.

No “corre corre” desenfreado na busca de alcançar o que a escola ensinou, as pessoas desaprendem com a liberdade de se prender a alguém, e com isso, padecem no vão daquele hiato poeticamente intitulado de solidão.

Criamos dentro de Sampa uma loja de conveniência de humanos onde o conveniente se une a conivência de interesses e do cultivo ao “ter”, ao invés da idolatria ao “ser”, com isso, deixamos esse pobre verbo escorrer pelas fissuras do descaso.

Sampa difusa. Sampa escusa. Sampa confusa.

A cidade da Torre de Babel, onde respiramos o ar abafado e deslumbramos o céu, transita entre o côncavo e o convexo, situações peculiarmente adversas: No côncavo os ingênuos e no convexo os oportunistas. Pessoas que aprendem a amar as coisas e a usar as pessoas, quando deveriam usar as coisas e amar as pessoas.

E assim, Sampa segue conjuntivamente a sua entoada. Impensada. Comendo feijoada na quarta e vivendo um sábado de sol com limonada.

Mas calma, nem tudo está perdido. Sampa também tem herança, basta aplicar uma dose de perseverança toda vez que você sair pela porta da sua casa. Ponha as alegrias na poupança e quando se lembrar das topadas, viva feliz sem pensar na vingança.

Sampa. Irresistivelmente Sampa!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Utopia de um encontro



“Ela notou que eu notei que ela notou quando olhei para ela. Saracutiei de um lado para o outro só para passar 2, 3, 4 vezes em frente a ela. Tentei disfarçar o “indisfarsável”, mas ela notou, e já que ela me “anotou” fui tratando de “anotar” o celular dela...”

Três dias depois...

“Será que eu espero mais 20 minutos? Acho que sim, o que são 20 minutos por alguém que pode passar o resto da tua vida ao seu lado?”

Suor escorre... Batimentos cardíacos sobem o pelourinho no ritmo do afoxé...

“Se nós homens ainda nos enroscamos para arrumar uma cama, o que diria então sobre conhecer uma mulher? O discurso tá na ponta da língua, massssssss, quando o vulto dela surge em sua direção juntamente com aquele perfume doce, pronto, da ponta língua para o fundo da goela em segundos.”

A camisa de algodão aponta os primeiros sinais do seu nervosismo com pequenas manchas isoladas de suor.

“Nada de ensaios, porém, eu vim precavido, afinal de contas, se a vida me preparou uma surpresa dessas, por que não preparar os preparativos para essa grande surpresa?”

“Eu não poderia vir de mão abanando feito mulher no verão lutando contra a menopausa... Eu trouxe um presente, claro, um presente...”

“Presente? Será que ela não vai me achar previsível? Mulheres não gostam de caras metódicos... O que eu faço agora com esse presente? Não seria melhor uma lembrancinha?”

“Não não, claro que não! Lembrancinha? Isso, como dizia Caco Antibes é desculpa de pobre pra ir à festa beliscar o bolo.”

Tateia, tateia e segue tateando sob seu olfato de cachorro solitário tentando saciar a sua fome enquanto o dono não chega em casa... Ele queria sentir novamente aquele perfume doce que tanto o instigou...

A vida é barata e os psicanalistas cobram caro por ela, porém, de que adianta se estabanar?

Esse desespero é plenamente justificável por uma trilogia de acontecimentos:

a) Ele é culto (lê Hemingway). b) Ele é metrosexual (se inova a cada dia). c) Ele é anão (perito em topografia e precisa urgente encontrar uma altimetria).

“Como ela vai me enxergar?”

Olhando verticalmente; avistava cintos, bolsos, braguilhas e barrigas. Olhando para baixo, sua mão suada com o presente que já indagava:

“Vou mostrar a ela que eu sou uma espécie de “criativo espontâneo” e vou dizer que o presente era só para dar as boas vindas a este primeiro encontro.”

Enfim, ela chegou:

Retumbante!

Cabelos soltos ao vento que caberiam facilmente em algum comercial de xampu. Maquiagem sutilmente moderada (tons neutralizados pela bochecha rosada de vergonha) e um lindo scarpin para disfarçar seus 1.45m de altura...

(pausa)

O amor não tem escolhas, mas possui algumas medidas que a própria fita métrica desconhece.