Crônicas

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deus salve meus tímpanos


O universo musical encontra-se em pleno ponto de ebulição. À medida que evoluímos em condições sociais, tecnológicas e inovadoras, o mundo retrocede musicalmente, é como se os gênios musicais estivessem sobre uma escada rolante inversa ou ficaram congelados nas décadas anteriores.

De muitos anos pra cá, o hemisfério musical vem decepcionando os apreciadores de boas canções. Apesar do clichê “gosto: cada um tem o seu”, a poluição sonora é visível e latente em todo o Globo. O capitalismo contaminou nossos artistas e suas músicas, e o principal coeficiente dessa trama toda se chama “estratégia de marketing”.

Nada contra essa profissão, mas noto que hoje somos obrigados a ouvir o que as rádios querem tocar, somos forçados a ver artistas pop “pré fabricados” destinados a alcançar um único objetivo: entreter a massa que apenas ouve sem nenhum senso crítico, imbuídas por uma lavagem cerebral comercial, sórdida e emburrecedora.

Observo, indignado e impotente, o triunfo da banalização, da apelação e da mediocridade. O controle remoto já não me oferta mais consolo, porque sei que desligar a televisão ou o rádio não fará diferença alguma, milhões de idiotas desorientados continuarão a reverenciar a decadência musical. A população se tornou refém dessa influência imbecil e pragmática!

Em tempos modernos, presenciamos a tórrida degradação cultural. No Brasil, a desvalorização musical gerou uma parceira: a desvalorização pessoal. Para criar “música” nos dias de hoje basta ter olhos verdes, ser filhinho de papai, cantar música sobre bunda com bundas rebolando no palco e pagar jabá pra rádio, ou botar silicone até na panturrilha, usar calça jeans cintura baixa, ter nome de fruta, cantar funk carioca e pronto: você já é uma artista!

As músicas de hoje rumam para uma estagnação de ideias. Não há mais inovação nas canções, não há melodias e não há mais arte em se criar. E se algo resiste á essa cultura pré-estabelecida, é devidamente sepultada pelos nazistas ideológicos musicais, vulgos empresários e mídia.

Mundialmente falando, esqueça os reis soberanos como Elvis Presley e Michael Jackson; esqueça as bandas inteligentes com músicas inteligentemente bem construídas como New Order, Duran Duran, A-Ha, Ramones, Billy Idol, Smiths e milhares de outros iconoclastas dos anos 80. Mesmo assim, sou um personagem feliz que presenciou uma era oitentista exclusivamente feliz, tenho compaixão e presto minha solidariedade ás pessoas que não presenciaram as boas músicas de antigamente.

Traçando uma linha do tempo informativa, vale uma pergunta: Se as músicas dos anos 70 falavam sobre direitos e conquistas; se as músicas dos anos 80 ditavam moda e revolucionavam a sociedade e se as músicas dos anos 90 foram inovadoras, inclusive gerando estilos diferenciados... O que dizer sobre as músicas e os artistas de hoje?

Bem, eu diria que as músicas e os artistas de hoje são como o futebol: todo mundo quer jogar num time de ponta, mas a maioria não passa das “peladas”.

Ainda bem que temos o tempo como crítico musical: ele é implacável com o que não presta e épico com o que fez a diferença no passado!

Um brinde ao bom gosto!




4 comentários:

  1. camillanello@yahoo.com.br6 de outubro de 2009 17:21

    hahaha "...tenho compaixão e presto minha solidariedade ás pessoas que não presenciaram as boas músicas de antigamente..."

    Adorei! Eu tb presto minha solidariedade! Apesar de ter nascido nos anos 80... adoro de 60´s, a 90´s ... 2000´s, well, pouquissíma coisa boa surgiu! Infelizmente...

    Bjs André ;)

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  2. É realmente real a abordagem musical feita.Dá arrepio ao ouvir determinadas músicas ,feitas atualmente. Os nomes citados de "antigamente" são de verdade música para os ouvidos. Mas para quem presenciou o início da bossa nova, o inicio da tropicália, quem teve o privilégio de ouvir um Frank Sinatra, Bee Gees, Beatles e aqui , Rita Lee, Chico, Vinícios, Tom e etc... etc... etc... e põe etc... nisso , é triste ouvir " baba baby, baba" e outra cositas mas.

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  3. Pois é...
    Sou mais um que as vezes pela profissão tenho que me submeter a tocar músicas interpretadas pro mulher caqui, mulher romã...enfim a miscelânia que existe no mundo da música atualmente.
    Não digo mais aonde iremos parar, porque do jeito que a coisa está, o "freio" está arrebentado mesmo. E sem "previsões" de conserto. Senhor Supremo dos Tímpanos Puros...rogai por nós!!"

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  4. rs...
    abencoados sao os que nascem surdos....

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