
Tão entregue, tão indefeso... Tão absorto.
Toda a virilidade de um homem submissa diante dos meus pés, imerso no edredon da minha cama. Eles ficam tão vulneráveis quando dormem; de imponentes seres a machos sensíveis.
Esse desequilíbrio existencial na vida de um homem me leva, sem passaporte, a viajar para outra dimensão, onde os afagos são longamente extensos e a fronteira entre o toque carnal e os afetos se funde em uma conjunção indivisível e sem despertador!
Essa não é a primeira vez que me pego em reflexo, mas talvez seja a primeira a ser reparada de uma forma inócua. Ele dormia um sono pueril e quase juvenil e, eu lá, desperta por conta de uma sede repentina surgida em meio a uma madrugada fria, porém calorosa com ele aqui; jaz em mim.
Desci pra pegar água e, entre “gracejos e bocejos” divaguei:
As intempéries do dia se acalentam quando ele me abraça. O encaixe é bom. O carinho é constante e por certas vezes efêmero. Sinto uma promessa de felicidade ao enroscar meus pés nos dele. Sua fragilidade me atrai e me sinto mais segura, mais definida. Durmo leve na presença dele, me tranquilizo!
Sinto, quando ele me coloca em seu peito, uma vontade incontida de se enroscar em mim, de fato, nosso entrosamento é algo enigmático, intenso e que persiste em lutar contra os benditos afazeres do dia seguinte.
Ele me deseja, indubitavelmente, ele me deseja!
Desconexa da realidade, sacio minha sede rapidamente e subo as escadas em busca daquele abrigo gostoso e quente que é a minha cama com ele. Ao deitar sinto nele uma vontade acolhedora de me possuir, ele estava semi-acordado, provavelmente sentiu minha ausência...
Deitei de frente para ele e nos entrelaçamos entre sonhos, pés e edredons. Retomei a felicidade que ele me ofertava antes de me por em sono profundo e, juntos, navegamos para outro mundo, um mundo meu e dele do qual não convém representações poéticas.
Nos harmonizamos e nos entorpecemos por toda a noite.
(suspiros)
Um homem indefeso é algo deliciosamente encantador. Nele, a ordem da lógica é adulterada, sou eu quem o protege.